MPF recebe denúncia contra grupo de estudos sobre Marx por doutrinação

Publicado em: 07/08/2017 às 09:49

O Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Marx, Trabalho e Educação (GEPMTE), da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi denunciado no Ministério Público Federal (MPF) por suposta “doutrinação ideológica”.

 

Por Marcos Aurélio Ruy.

O Grupo foi notificado no domingo (30) sobre a instauração de inquérito civil, indeferido em primeira instância, por conta de denúncia registrada contra uma suposta “pregação política”. Em sua página no Facebook (veja aqui) os estudiosos afirmam que essa ação fere a autonomia universitária, prevista no artigo 207 da Constituição.

Leia a nota do GEPMTE abaixo:

Para Valéria Morato, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG), essa atitude representa uma “ofensiva de grupos reacionários que vêm se manifestando neste período de instabilidade política no país”.

A afirmação de Morato é confirmada pelo teor da denúncia. “É escabroso que uma Universidade Federal sirva de ninho, de balão de ensaio para que milhares de militantes de esquerda fiquem trabalhando nos seus delírios ideológicos, bancados com recursos públicos e incutindo tais ideologias nos alunos”, diz parte do texto denunciante.

A sindicalista, que também é presidenta do Sindicato dos Professores de Minas Gerais, afirma que essa ação vem evidenciar o ataque desses grupos à educação democrática, voltada para o respeito às diferenças.

“Cada ser humano tem o direito de escolher o seu caminho”, sintetiza. “E o papel da educação é mostrar todos os caminhos, na base do diálogo e da busca incessante do saber”. De acordo com ela, essa denúncia se mostra ligada às propostas da Escola Sem Partido.

“Esse projeto que visa determinar um único caminho para a educação brasileira. Um caminho sem debate, sem liberdade e sem conhecimento”, acentua. Isso acontece segundo ela, porque “a educação é uma área estratégica para o desenvolvimento do país em todos os setores”.

Os integrantes do grupo de estudos afirmam que essa “denúncia representa um ato de retaliação e tentativa de cerceamento da possibilidade de pensamento crítico e da produção de conhecimentos com engajamento social”.

Na verdade, conclui Morato, “essas pessoas querem interferir na educação para que os educandos não saibam das diferentes possibilidades de desenvolvimento do conhecimento e de interpretação do mundo”.

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