Movimentos populares alertam para violência e pedem respeito à democracia

Segundo advogado da Renap, permissividade das autoridades eleitorais gera um clima de “pode tudo” / Júlia Dolce.

Representantes de movimentos populares defenderam que a cidadania seja exercida neste domingo (7), com civilidade e em respeito aos valores da democracia. Como parte da cobertura especial das eleições gerais no Brasil, a Rádio Brasil de Fato entrevistou neste sábado (6), Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), que alertou para o alto nível de violência praticado por simpatizantes do candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL).

“Nós estamos vivenciando uma das campanhas mais violentas da história do nosso país. Nem mesmo em 1989, na primeira eleição após a redemocratização, nós vimos barbaridades como essas que estamos presenciando nessas eleições”.

Bonfim também chamou a atenção para o grande volume de mentiras propagadas em redes sociais no sentido de beneficiar a candidatura de Bolsonaro. Também em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Patrick Mariano, advogado e integrante da Rede Nacional de Advogados Populares (Renap), afirmou que a indiferença das autoridades em relação aos casos de ilegalidade da campanha de Jair Bolsonaro contribuem para o aumento da tensão pré-eleitoral.

“Você vê que nesse momento, em uma eleição curta da forma que é, com a diminuição do horário eleitoral gratuito, uma rede de televisão nacional que dá uma hora a um candidato, depois reprisa a entrevista em horário nobre. É óbvio que, tanto a Record como a Band assumiram um papel de marketing para o Jair Bolsonaro. E o Tribunal Superior Eleitoral, mesmo provocado, nada fez. Em relação às fake news, o Luiz Fux, a cada duas palavras que ele falava era sobre fake news. E agora, com essa disseminação de mentiras pelo Whatsapp, o TSE não faz nada”, denunciou.

Jaime Amorim, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirma que a prática política no ambiente eleitoral da extrema direita não difere das posições já conhecidas do candidato Jair Bolsonaro em relação aos trabalhadores brasileiros.

“Eles propagam um ódio, uma intolerância contra as populações indígenas, quilombolas, camponesas. Agora estão tentando estabelecer um clima de insegurança, de dúvida, com o objetivo de que nós nos recolhêssemos. Mas nós vamos estar nas ruas, em defesa de um Brasil melhor”.

Para Bonfim, se confirmadas as recentes pesquisas de opinião, será preciso construir um grande pacto democrático no segundo turno. “É mais que um processo eleitoral. É uma disputa política sobre qual projeto nós queremos para o país. A partir de amanhã, nós temos que tratar de montar uma grande aliança, não só da esquerda, mas também dos liberais democráticos, todos aqueles que defendem a democracia, no sentido de impedir a barbárie, contra o fascismo, em defesa da democracia, e em amplo diálogo com o povo”.

Mais de 147 milhões de eleitores e eleitoras estão convocados a votar neste domingo (7), quando serão eleitos os 513 deputados federais, 54, dos 81 senadores, governadores dos 26 estados mais o Distrito Federal e suas respectivas assembleias legislativas, além de presidente e vice-presidente da República.

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