Mortes em conflitos no campo aumentaram 15% em 2017

Militantes do MST marcham em Quedas do Iguaçu, no Paraná / Foto de arquivo / Danielson Postinguer/MST

O número de mortes em conflitos agrários cresceu 15% em 2017 na comparação com o ano anterior, num total de 70 assassinatos. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que divulgou os dados nesta quarta-feira 23, trata-se do maior número desde 2013.

Dentre as mortes registradas, a pastoral destaca quatro massacres que ocorreram na Bahia, Mato Grosso, Pará e Rondônia que resultaram em 28 assassinatos. O estado do Pará lidera o ranking de 2017 com 21 pessoas assassinadas, dez no Massacre de Pau D’Arco, seguido pelo estado de Rondônia, com 17, e pela Bahia, com 10 assassinatos.

Embora não tenha entrado na listagem, a pastoral aponta a suspeita de um ter ocorrido um massacre de indígenas isolados, conhecidos como “índios flecheiros”, do Vale do Javari, no Amazonas, entre julho e agosto de 2017.

Nesse caso, o Ministério Público Federal no Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) não chegaram a um consenso e pela ausência de informações o caso não foi inserido na listagem por ora apresentada. O que se apurou é que o episódio resultou em outras dez mortes.

Segundo os dados da CPT, desde 1985 o Brasil contabiliza 1.438 conflitos no campo, que deixaram um total de 1.904 vítimas. Desses casos, 46 foram registrados como massacres, com 220 vítima ao longo dos últimos 32 anos.

Em 2017, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório Regional para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) repreenderam o Brasil pelo “uso recorrente da violência no marco do conflito agrário, em especial contra trabalhadores sem terra”.

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