Minha playlist reflexiva. Por James Ratiere

Foto: Captura de tela

Por James Ratiere para Desacato.info

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Estou escutando Gloria Groove, pra quem não conhece, é uma rapper Drag Queen que fala sobre as mazelas e preconceitos vividos por nós da sigla LGBTQIA+. Suspiro e vejo nosso país caindo cada vez mais no lodo de uma realidade totalmente insana. 

Acaba de assumir a Fundação Palmares um presidente preto que é racista, um alguém que critica Zumbi, com a mentira que ele tinha escravos e ainda diz que a escravidão foi benéfica para pretos. 

Ontem a atriz Cacau Protásio postou em suas redes sociais que foi alvo de racismo, machismo e gordofobia por parte de alguns membros do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro por fazer uma cena com a farda da corporação. Alguns dias atrás, a escritora Luísa Geisler foi censurada na feira literária da cidade de Nova Hartz, no Rio Grande do Sul, por seu livro não ser “adequado”, além de ter seus livros retirados das escolas públicas. 

Então, o repeat do refrão de Gloria vai se dando na mente “Viver no mundão tá ligado que é caso sério/Dando a cara a tapa e às vezes sem ter critério/Levar o legado sendo parte do mistério/Trabalhar pra prosperar/Ascensão do império”, e aí vou percebendo que esses artistas são cada vez mais necessários pra nos colocar num lugar de reflexão, então a playlist muda pro Emicida com “Eminência Parda” e eu fico pensando, até quando? Até quando uma mãe preta vai ter que se preocupar com o filho sair na rua, até quando vamos ser marginalizados pela cor da pele, pela orientação sexual ou crença. Até quando vamos ter que lutar pra reparação histórica? E até quando vamos ficar dormindo enquanto todo pouco que conquistamos está em ruínas?

Tá tudo confuso, no Brasil e na minha cabeça, e o sentimento de desorientação acredito que não seja apenas meu. Talvez as ideias deste texto estejam desconexas, talvez essa reflexão não esteja mastigada, mas apenas queria usar esse espaço pra desabafar e perguntar quanto tempo vamos ficar sentados esperando tudo ruir. Em 2006, Criolo dizia que “O mecanismo do sistema é sugar sua alma vivo/Seu sangue, seu suor, são só um detalhe nisso/Chuva ácida será bem pior que um lançamento de um míssil/Entre o céu e o inferno, no Grajaú me localizo/Flutuando na hipocrisia do lodo e do fascismo” em sua música “Ainda há tempo”, mas será que há?

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James Ratiere é estudante de Jornalismo e escritor nas horas vagas desde os 14 anos.

A opinião do/a autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.

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