Militantes brasileiros são detidos no Zimbábue em meio a comitiva de direitos humanos

Publicado em: 10/11/2017 às 19:38

Ativistas visitavam comunidade que sofre com impactos da mineração de diamante realizada por uma empresa chinesa.

Militantes brasileiros são detidos no Zimbábue em meio a comitiva de direitos humanos

Por Vivian Fernandes.

Três militantes brasileiros foram detidos no Zimbábue nesta sexta-feira (10). Eles integravam uma comitiva de direitos humanos que visitava áreas de mineração no país africano junto a delegações de outra nações. Entre os detidos, dois são do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) — Jarbas Vieira e Maria Julia Gomes Andrade —, e o terceiro, é da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Frei Rodrigo Peret.

A cidade onde ocorreu a detenção é Mutare, a 270 quilômetros da capital do país, Harare, próximo à fronteira com Moçambique. De acordo com informações de familiares dos detidos e membros do MAM, os ativistas visitavam uma comunidade que sofre com os impactos da mineração de diamante realizada por uma empresa chinesa.

Segundo nota emitida pelos movimentos que acompanham o caso, “a motivação da prisão ainda segue imprecisa, mas há informações de que eles foram acusados de estarem violando uma área de preservação”. Um advogado da organização Via Campesina está no Zimbábue acompanhando o caso.

A Embaixada brasileira em Harare já foi notificada do ocorrido e disse estar acompanhando “o caso para obter maiores informações e prestar a assistência consular necessária”. Segundo os movimentos, diplomatas estão em contato com a polícia local e estão a caminho de onde se encontram os brasileiros. A Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, também foi notificada.

O irmão de Maria Julia, Pedro Gomes Andrade, disse à reportagem que formalizou “um pedido de proteção consular na embaixada, para que eles intervenham perante a polícia do Zimbábue e prestem assistência a eles [os detidos]”.

Outros 19 militantes de distintos países também teriam sido detidos, mas ainda não há informações oficiais sobre a procedência deles nem a situação atual do caso.

Segundo nota dos movimentos brasileiros, “há grande preocupação com o momento de instabilidade política do país africano. Diversas organizações e militantes estão mobilizando as suas redes para prestar apoio e solidariedade aos companheiros e a todo o grupo”.

Os ativistas brasileiros estão no Zimbábue desde a quarta-feira (8) e têm viagem de volta para o Brasil marcada para a próxima segunda-feira (13).

Leia na íntegra a nota sobre o caso:

Hoje, 10 de novembro de 2017, três brasileiros foram presos no Zimbabwe: Frei Rodrigo Peret, militante da Comissão Pastoral da Terra de Uberlândia, Maria Julia Gomes Andrade e Jarbas Vieira, militantes do MAM – Movimento pela Soberania Popular na Mineração e membros da secretaria do Comitê Em Defesa dos Territórios Frente à Mineração.

O grupo de brasileiros participava de atividade de intercâmbio do Diálogo dos Povos Brasil e América Latina e foram detidos com mais 22 pessoas de cinco países africanos que também estavam na mesma comitiva. Eles estão detidos na delegacia central da cidade de Mutare, que fica a 270 quilômetros da capital, Harare, na fronteira com Moçambique.

A alegação para a prisão do grupo é de que estariam violando uma área de propriedade privada, que pertence a uma mineradora chinesa, que explora diamante na região, no entanto, a atividade era realizada em uma comunidade onde vivem cerca de 6 mil pessoas. 

A EMBAIXADA BRASILEIRA NO ZIMBÁBUE já foi acionada e está em contato com a polícia local para reunir mais informações. A Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, também já está acompanhando o caso. A chefia do Departamento para África Central do MRE igualmente já foi notificada.

Há grande preocupação com o momento de instabilidade política do Zimbábue. Diversas organizações e militantes estão mobilizando as suas redes para prestar apoio e solidariedade aos companheiros e a todo o grupo.

Fonte: Brasil de fato

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