México, o país das sepulturas clandestinas

Por Ana Rosa Moreno, Puebla, México, para Desacato.info.

Tradução: Elissandro dos Santos Santana, para Desacato.info.

Português/Español.

Lembram-se do filme de terror chamado Poltergeist? No qual havia atividade paranormal, a televisão engole uma menina e ao final descobrem que a casa foi construída em cima de um cemitério cujos corpos fúnebres não foram retirados? Assim está o México.

Quando a população do Estado de Guerrero começou a se organizar para procurar pelos corpos dos estudantes desaparecidos em Ayotzinapa, deram de cara com uma terrível surpresa ao encontrarem várias sepulturas repletas de cadáveres, entre outubro de 2014 e junho de 2015. Em Iguala e adjacências, encontraram 133 corpos em 63 buracos. Não foram encontrados os corpos dos meninos da Normal Isidro Burgos, porém, sim, dezenas de desconhecidos aos quais não conseguiram identificar, mas revelou um dos capítulos mais arrepiantes do filme de terror que chamamos México.

A existência das sepulturas clandestinas no México ressalta o problema da insegurança e da violência total pela qual passa o país; lembremos que em mais de uma década já foram relatados mais de 27 mil desaparecimentos, segundo a Anistia Internacional, e ainda há aqueles que podem ser encontrados em baixo da terra, vítimas que morreram nas mãos do crime organizado ou do governo, casos que ficam impunes, caravanas de famílias que buscam por seus entes desaparecidos dos quais os meios de comunicação nunca informaram nada. Os mexicanos não somente temem morrer nas mãos do crime organizado ou do governo, mas, também, temem desaparecer.

Os milhares de mortos são o resultado da violência que se desatou durante a guerra contra o narcotráfico, iniciada pelo ex-presidente Felipe Calderón Hinojosa nos últimos seis anos (2006-2012). Realmente, no México sempre existiu violência, no entanto, na última década, aumentou e segue aumentando. Um grupo de trabalho sobre os Desaparecimentos Forçados ou Involuntários, da ONU, revelou que, no México, pelo menos, 545 casos de desaparecimentos forçados ou involuntários foram relatados entre 1980 e 2015, e onde o pico mais alto de casos de desaparecimentos ocorre coincide com períodos onde o exército interveio.

A política fracassada de luta contra o narcotráfico provocou batalhas entre o exército e os cartéis e entre os cartéis, que, literalmente, varreram comunidades inteiras e fizeram do país um lugar muito mais perigoso que o Iraque em mãos do Estado Islâmico. O EI fica pequeno quando o comparamos com a violência do crime organizado no México.

Outro erro é a pouca importância que as autoridades mexicanas dão aos casos de desaparecimentos, pois milhares de mexicanos devem ficar em intermináveis esperas pelos gabinetes ou escritórios do governo em busca de respostas; devem sair às ruas para buscar por seus próprios meios aos familiares.  De fato, o México não conta com uma regra geral para tratar a questão dos desaparecidos, e alguns Ministérios Públicos e a Procuradoria Geral da República (PGR) exigem a espera por 72 horas para registar uma denúncia.

Um relatório do Registo Nacional de Pessoas Desaparecidas informou que os estados que registram o maior número de pessoas desaparecidas são Guerrero, Tamaulipas e Veracruz. A maioria dos desaparecidos é jovem. 56,2% são pessoas com idade entre 20 e 49 anos e 19,5% são menores de idade (zero a 19 anos).

O Procurador-Geral da República destacou que desde 2006 a outubro de 2016 sepulturas foram encontradas em 16 estados. As sepulturas foram encontradas em Jalisco (37), Hidalgo (1), Chihuahua (83), Michoacán (4), Aguascalientes (1), Chiapas (1), Estado de México (4), Oaxaca (3), Tamaulipas (15), Ciudad de México (4), Guerrero (104), Morelos (11), Sonora (3), Nuevo León (1), Durango (7) e Veracruz (32). Um total de 201 sepulturas e 662 cadáveres (apenas conseguiram identificar 18% dos corpos e 57% de um total de 380 corpos, pelo estado de deterioração, constituem uma dificuldade para a identificação do sexo)

“México tem um grave problema de enterro clandestino, fruto dessa luta irracional entre diferentes organizações dedicadas ao crime em nosso país, e que, infelizmente, onde as autoridades recebem informações anônimas de que há enterros, encontram-se sepulturas ilegais, com relação direta ao crime organizado”, assinala Gabriel Regino García, advogado penal.

Descobrimento de sepulturas clandestinas no México

De abril de 2011 a julho de 2012: em Durango, foram enterrados, clandestinamente, em oito sepulturas, 350 corpos. O local onde foram encontrados restos humanos era uma área em que ” los Zetas” mantinham o controle.

Abril de 2011: em San Fernando, Tamaulipas, foram encontrados 193 corpos em 40 sepulturas clandestinas. Um ano antes, em agosto de 2010, nesse mesmo lugar, foram encontradas 72 pessoas executadas em um porão. As autoridades informaram que as pessoas que viajavam de ônibus, e foram sequestradas por integrantes de “los Zetas”, a maiorias das vítimas morreu a golpes.

Maio de 2012: em Cadereyta, Nuevo León, encontram 49 restos humanos em um buraco. Esta entidade se transformou em uma zona de guerra entre “los Zetas” e o Cartel do Golfo nos últimos dois anos do presidente Felipe Calderón.

Novembro de 2013: no município de La Barca, Jalisco, até janeiro deste ano, um total de 74 corpos foram exumados em mais de 35 valas comuns. As autoridades identificaram como possíveis autores a “los Caballeros Templarios” ou ao “Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG)”.

Junho de 2014: em um rancho em Cosamaloapan, Veracruz, foram recuperados 30 corpos de 13 valas comuns, um estado que está sob o domínio dos “los Zetas”, onde esta organização controlava a transferência de drogas pelo Golfo do México e diversificou a sua ação criminosa com o sequestro de migrantes.

Julho de 2015: em Iguala, Guerrero, descobriram 60 sepulturas clandestinas com 129 cadáveres, dos quais 92 são de homens e 22 de mulheres e os 15 corpos restantes estão submetidos ainda ao processo de análise, com o objetivo de determinar o sexo. Estes descobrimentos resultam das investigações pelos desaparecimentos dos 43 jovens normalistas de Ayotzinapa, ocorrido em 26 de setembro de 2014.

Além das sepulturas clandestinas, também foram encontradas as chamadas “cozinhas”, principalmente, no norte do país. São lugares descampados nos quais se chegam a localizar uma grande quantidade de caixas d’água com uma, duas ou até três pessoas dissolvidas em ácido ou em alguma química potente, nos quais, geralmente, somente conseguem resgatar os dentes.

Lamentavelmente, se seguem encontrando mais valas comuns, mais porões e mais caixas d’água com restos humanos. México, um país lindo e surreal se transformou em um cemitério onde os mexicanos são os mais afetados, os possíveis candidatos para terminarem em uma dessas valas comuns e as autoridades se escondem por trás da figura de um bonito presidente que não oferece soluções, nem, muito menos, justiça.


México, el país de las fosas clandestinas

Por Ana Rosa Moreno, Puebla, México, para Desacato.info.

¿Recuerdan esa película de terror llamada Poltergeist? ¿Donde había actividad paranormal, la televisión se traga a una niñita y al final descubren que la casa fue construida sobre un cementerio cuyos cuerpos fúnebres no fueron retirados? Algo así es México.

Cuando la población del Estado de Guerrero se empezó a organizar para buscar los cuerpos de los normalistas desaparecidos de Ayotzinapa, se encontraron con la terrorífica sorpresa de localizar varias fosas llena de cadáveres, entre octubre de 2014 y junio de 2015, en Iguala y sus alrededores se encontraron 133 cuerpos en 63 fosas. No se encontraron los cuerpos de los chicos de la Normal Isidro Burgos, pero sí, a decenas de desconocidos a los cuales no se les ha identificado, aunque sí dejó en descubierto uno de los capítulos más escalofriantes de esta película de terror que llamamos México.

La existencia de las fosas clandestinas en México resalta el problema de inseguridad y de violencia total que se vive en el país. Recordemos que en más de una década se han reportado más 27 mil desaparecidos, según Amnistía Internacional, que podrían encontrarse aún bajo tierra, víctimas que murieron a manos del crimen organizado o del gobierno; casos que quedan impunes, caravanas de familias que buscan a sus desaparecidos y de los cuales nunca se mencionan en los medios de comunicación. Los mexicanos no sólo temen morir a manos del crimen organizado o del gobierno, pero, también, temen a ser desaparecidos.

Los miles de muertos son el resultado de la violencia que se ha desatado durante la guerra contra el narco iniciada por el expresidente Felipe Calderón Hinojosa en el sexenio pasado (2006 – 2012). Realmente, en México siempre ha existido violencia, solo que en la última década ha exagerado y sí que ha exagerado. Un grupo de trabajo sobre Desapariciones Forzadas o Involuntarias de la Organización de la ONU reveló que en México se reportaron al menos  545 casos de desapariciones forzadas o involuntarias entre 1980 y 2015 y, donde se presenta el mayor pico de casos  de desapariciones, coincide con los periodos donde el ejército ha intervenido.

La fallida política de lucha contra el narco ha desatado batallas campales entre el ejército y los carteles y entre los carteles que, literalmente, han barrido con comunidades enteras y han hecho del país un lugar mucho más peligroso que Iraq a manos del Estado Islámico. El EI se queda corto si los comparamos con la violencia del crimen organizado.

Otro error es la poca importancia que las autoridades mexicanas les dan a los casos de desapariciones. Miles de mexicanos deben realizar interminables esperas en procuradurías o en fiscalías en busca de respuestas; deben salir a calles a buscar por sus propios medios a sus familiares. De hecho, México no cuenta con una regla general para tratar el tema de los desaparecidos, y algunos ministerios públicos y la Procuraduría General de la República (PGR) exigen esperar 72 horas para registrar una denuncia.

Un informe realizado por el Registro Nacional de Personas Desaparecidas reportó que los estados que registran mayor cantidad de personas extraviadas son Guerrero, Tamaulipas y Veracruz. La mayor parte de los desaparecidos son jóvenes. 56.2% corresponde a personas de entre los 20 a los 49 años y el 19.5 % corresponde a menores de edad (de cero a 19 años).

La Procuraduría General de la República ha destacado que desde el 2006 hasta octubre del 2016 se han encontrado fosas en 16 entidades federativas, Las fosas se localizaron en Jalisco (37), Hidalgo (1), Chihuahua (83), Michoacán (4), Aguascalientes (1), Chiapas (1), Estado de México (4), Oaxaca (3), Tamaulipas (15), Ciudad de México (4), Guerrero (104), Morelos (11), Sonora (3), Nuevo León (1), Durango (7) y Veracruz (32). Un total de 201 fosas y  662 cadáveres (solo se logró la identificación del 18% de los cuerpos y el 57% un total del 380 cuerpos por su estado en descomposición ha dificultado la identificación de su sexo).

“México tiene un grave problema de inhumación clandestina derivado de esta irracional lucha entre diferentes organizaciones dedicadas al crimen en nuestro país, y que, desgraciadamente, donde las autoridades reciben informaciones anónimas de que hay entierros, se encuentran con fosas ilegales, que tiene que ver con el tema del crimen organizado”,

señala Gabriel Regino García, abogado penalista.

Descubrimiento de fosas clandestinas en México

De abril de 2011 a julio 2012: en Durango, fueron inhumados de forma clandestina en ocho tumbas 350 cuerpos. El lugar donde fueron hallados los restos humanos era una zona en la que “los Zetas” mantenían el control.

Abril de 2011: en San Fernando, Tamaulipas, fueron encontrados 193 cuerpos en 40 fosas clandestinas. Un año antes, en agosto de 2010, en ese mismo lugar, fueron encontradas 72 personas ejecutadas en una bodega. Las autoridades informaron que las personas que viajaban en autobús y fueron secuestradas por integrantes de “los Zetas”, mayoría de las víctimas, murieron a golpes.

Mayo de 2012: en Cadereyta, Nuevo León, hallan 49 restos humanos en una fosa. Esta entidad se convirtió en zona de guerra entre “los Zetas” y el Cártel del Golfo en los dos últimos años del gobierno de Felipe Calderón.

Noviembre de 2013: en el municipio de La Barca, Jalisco, hasta enero de este año, un total de 74 cuerpos fueron exhumados en más de 35 fosas clandestinas. Las autoridades señalaron  como los posibles autores a “los Caballeros Templarios” o al Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG).

Junio de 2014: en un rancho en Cosamaloapan, Veracruz, fueron recuperados 30 cadáveres de 13 fosas, un estado que se considera bajo el dominio de “los Zetas”, donde esta organización controlaban el traslado de droga por el Golfo de México y diversificaron su acción criminal con el secuestro de migrantes.

Julio de 2015: en Iguala, Guerrero, descubren 60 fosas clandestinas con 129 cadáveres, de los cuales 92 son de hombres y 22 de mujeres y los restantes 15 cuerpos son sometidos aún al proceso de análisis con el objetivo de determinar su sexo. Estos descubrimientos son derivados de las investigaciones por la desaparición de los 43 jóvenes normalistas de Ayotzinapa, ocurrida el 26 de septiembre de 2014.

Además de las fosas clandestinas, también se encuentran las llamadas “cocinas” y se han encontrado principalmente en el norte del país. Son lugares descampados donde se llegan a localizar una gran cantidad de tambos o tinacos con una, dos o hasta tres personas disueltas en ácido o algún químico potente;  generalmente solo se logran rescatar los dientes.

Lamentablemente, se siguen encontrando más fosas, más bodegas, más tinacos con restos humanos. México, un país hermoso y surreal, se ha convertido en un cementerio donde los mexicanos son los más afectados y los posibles candidatos para terminar en una de esas fosas. Las autoridades se escudan en la figura de un guapo presidente que no ofrece soluciones, ni mucho menos justicia.

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