México: O fantasma da fraude

Por Eduardo Febbro.

(Português/Español).

Cidade do México – José Woldenberg está convencido de que uma fraude generalizada nas eleições presidenciais do próximo dia 1º de julho é impossível. No entanto, o espectro de uma fraude global circula como uma espada de Damocles sobre uma consulta eleitoral que consagrar o retorno ao poder do PRI depois de 12 anos na oposição. José Woldenberg não é qualquer um, nos dois sentidos do termo. Ele dirigiu o Instituto Federal Eleitoral (IFE) em 2000, ou seja, quando o candidato do PAN, Vicente Fox, ganhou as eleições presidenciais do representante do PRI, Francisco Labastida, e do PRD, Cuatémoc Cárdenas. As datas e o nome são chaves.
Em 2000, pela primeira vez na história moderna do México, o PRI, Partido Revolucionário Institucional, sofreu uma derrota nas urnas desde sua fundação, em 1929.

O resultado deu lugar à primeira alternância política em quase um século de vida institucional. A variedade das pesquisas de opinião contribui para alimentar o espectro de um episódio similar ao que deu lugar à eleição do atual presidente, Felipe Calderón, ante o candidato opositor do PRD (Partido da Revolução Democrática), Andrés Manuel López Obrador. Em 2006, Calderón ganhou por apenas 0,56% dos votos. E o resultado não foi reconhecido por López Obrador. O candidato do PRD se lançou em uma extensa campanha de rechaço ao resultado oficial sem que seus argumentos fossem levados em contra pelo IFE.

As pesquisas divulgadas até agora são uma dança cheia de mudanças. Um sólido ramos de estudos de opinião dá ao candidato do PRI, Enrique Peña Neto, uma margem de vantagem que oscila entre os 8 e os 15 pontos. No entanto, uma sondagem divulgada pelo semanário Reforma, no dia 31 de maio, insinuou a primeira dúvida pública: segundo Reforma, a distância que separa Manuel López Obrador de Peña Neto seria de apenas 4 pontos. Nenhuma pesquisa veio legitimar essa margem estreita, mas o fantasma de 2006 semeou a dúvida sobre a imparcialidade do sistema eleitoral mexicano. Seus responsáveis argumentam hoje que a complexidade do dispositivo impede uma fraude generalizada como a que ocorreu em 2006. Mas a história eleitoral mexicana está tão marcada por fraudes que a suspeita já faz parte do processo.

O cientista político Martín Carlos Ramales Osorio assinala a respeito que “a democracia é negada aos mexicanos”. Até onde chega a sua memória política, chega também o espectro da fraude eleitoral. Martín Carlos Ramales Osorio resume a história de maneira muito concisa: “a primeira fraude em eleições presidenciais ocorreu em 1929, contra o político e escritor oaxaqueño José Vasconcelos. Seguiram-se vários outros casos: o de 1940 contra Juan Andrew Almazán, o de 1952 implementado contra o general Miguel Henríquez Guzmán, o de 1958 contra o candidato do PAN, o de 1988 contra Cuauhtémoc Cárdenas e, mais recentemente, a fraude eleitoral perpetrada pela Ação nacional contra o candidato da oposição Andrés Manuel López Obrador.

As pesquisas e o ânimo que se percebe nas ruas apontam para uma vitória do histórico PRI. O candidato da esquerda, Manuel López Obrador, chegou a segundo nas pesquisas por conta da péssima campanha e do boicote interno da candidata do governista PAN, Josefina Vázquez Mota. Até cerca de um mês, Obrador ocupava um longínquo terceiro lugar. No entanto, a irrupção do movimento estudantil YO SOY 132, abertamente hostil ao candidato do PRI, modificou a ordem das preferências.

É lícito reconhecer que as autoridades fizeram manifestos esforços para frear a ideia de ilegitimidade que poderiam estragar o resultado das eleições. Adotaram-se férreas medidas de segurança em torno das cédulas para votar, criou-se uma credencial de eleitor, aperfeiçoou-se o sistema de contagem dos cotos. A isso se agregou uma dúzia de procedimentos destinados a garantir a limpeza das eleições deste domingo. Isso não exclui as práticas tradicionais como a compra de votos ou a simples coação.

Neste contexto, em um artigo de José Woldenberg publicado por Reforma no dia 14 de junho, o ex-responsável do tribunal eleitoral mexicano consideram que “podem ocorrer irregularidades em uma urna ou em um conjunto de urnas. Mas uma fraude organizada centralmente é impossível”.

As referências da suspeita são, porém, tão imediatos como evidentes. Em 1988, o priista Carlos Salinas de Gortari ganhou as eleições do perredista Cuauhtémoc logo depois que foi “confirmada” a vitória de Salinas de Goratari após a queda do sistema de computação que realizada a contagem. Em 2006, a evidência foi ainda mais patética. Os números oficiais divulgados com 70% da apuração feita e os resultados finais deram como resultado um ganhador distinto daquele que estava liderando as eleições.

O IFE organiza eleições há quase um quarto de século. É um organismo autônomo, governador por nove conselheiros e em cujo interior há representantes dos partidos. A eleição presidencial deste domingo, onde também se renova o Congresso – 500 deputados e 128 senadores – mobilizou mais de 50 mil pessoas encarregadas de supervisionar esse processo. Os 79 milhões de eleitores tem um título de eleitor no qual se integraram 19 mecanismos de segurança destinados a evitar a tão temida mega fraude. Mas no México e com um passado tão marcado de suspeitas, nada é simples, nem sequer a extrema prudência.

“A complexidade alimenta a desconfiança”, reconhece Mauricio Merino, professor no Centro de Pesquisa e Educação Econômica (CIDE) e antigo integrante do IFE. A desconfiança é hoje a rainha das urnas. Há alguns dias, Andrés Manuel López Obrador pediu ao IFE que impedisse que os eleitores ingressassem na cabine de votação com telefone celular. O representante do PRD acredita que os eleitores que foram “comprados” serão obrigados a tirar uma foto de seu próprio voto para provar que fizeram aquilo para o que foram pagos. Cerca de 42% da opinião pública acredita que as eleições de domingo não serão “totalmente limpas”.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer.

Fonte: http://cartamaior.com.br

Ronda las elecciones el fantasma del fraude

Por Eduardo Febbro.

México.- José Woldenberg está convencido de que un fraude generalizado en las elecciones presidenciales del próximo 1º de julio es imposible. Sin embargo, el espectro de una trampa global circula como una espada de Damocles sobre una consulta electoral que puede consagrar el retorno al poder del PRI después de doce años en la oposición. José Woldenberg no es un cualquiera, en los dos sentidos del término. Woldenberg dirigió el El Instituto Federal Electoral (IFE) en el año 2000, es decir, cuando el candidato del PAN, Vicente Fox, ganó las elecciones presidenciales ante el representante del PRI, Francisco Labastida, y el del PRD, Cuauhtémoc Cárdenas. Las fechas y el nombre son claves. En 2000 el PRI, Partido Revolucionario Institucional, sufrió su primera derrota en presidenciales desde su fundación, en 1929. Ello dio lugar a la primera alternancia política en casi un siglo de vida institucional.

La variabilidad de las encuestas de opinión contribuye a alimentar el espectro de un episodio similar al que dio lugar la elección del actual presidente saliente, Felipe Calderón, ante el candidato opositor del PRD, Partido de la Revolución Democrática, Andrés Manuel López Obrador. En 2006, Calderón ganó por apenas 0,56 por ciento de los votos. El resultado no fue reconocido por López Obrador. El candidato del PRD se lanzó en una extensa campaña de rechazo al resultado oficial sin que sus argumentos fueran tomados en cuenta por el IFE.

Las encuestas divulgadas hasta ahora son una danza cambiante. Un sólido ramo de estudios de opinión le otorga al candidato del PRI, Enrique Peña Nieto, un margen de victoria que oscila entre los 8 y los 15 puntos. Sin embargo, un sondeo divulgado por el semanario mexicano Reforma el pasado 31 de mayo insinuó la primera duda pública: según el periódico, la distancia que separa a Manuel López Obrador de Peña Nieto asciende a apenas 4 puntos. Ninguna encuesta vino luego a legitimar ese margen estrecho, pero el fantasma de 2006 sembró la duda sobre la imparcialidad del sistema electoral mexicano. Sus responsables arguyen hoy que la complejidad del dispositivo impide un fraude generalizado como el que pudo plasmarse en 2006. Pero la historia electoral mexicana está tan plagada de fraudes que la sospecha es ya parte del mismo proceso. El politólogo Martín Carlos Ramales Osorio señala al respecto que “a los mexicanos nos está negada la democracia”.

Ramales Osorio resume la historia de manera muy concisa: “El primer fraude en elecciones presidenciales ocurrió en 1929, en contra del político y escritor oaxaqueño José Vasconcelos. A ese caso le seguirán unos cuantos más: el de 1940 en contra de Juan Andrew Almazán, el de 1952, implementado en contra del general Miguel Henríquez Guzmán; el de 1958 en contra del candidato del PAN, el de 1988 en contra de Cuauhtémoc Cárdenas y, más recientemente, el fraude electoral perpetrado por Acción Nacional en contra de López Obrador”.

Los sondeos y el ánimo que se percibe en la calle apuntan a una victoria del histórico PRI. El candidato de la izquierda, López Obrador, se izó al segundo lugar en las encuestas a raíz de la pésima campaña y del boicot interno de la candidata del gobernante PAN, Josefina Vázquez Mota. Hasta hace cerca de un mes, Obrador ocupaba un lejano tercer puesto. Sin embargo, la irrupción del movimiento estudiantil Yo soy 132, abiertamente hostil al candidato del PRI, modificó el orden de las preferencias.

Las autoridades hicieron manifiestos esfuerzos para frenar la idea de ilegitimidad que podría empañar el resultado de las elecciones. Se han adoptado férreas medidas de seguridad en torno de las boletas para votar, se creó una credencial de elector, se perfeccionó el sistema mediante el cual se cuentan los votos. A ello se le agregaron una docena de procedimientos destinados a garantizar la limpieza de las elecciones de este domingo. Ello no excluye las prácticas tradicionales como la compra de votos o la simple coacción. En este contexto, en un artículo firmado por José Woldenberg el pasado 14 de junio, el ex responsable del ente electoral mexicano juzgó que “pueden producirse irregularidades en una casilla o en un conjunto de casillas. Pero un fraude maquinado centralmente es imposible”.

El IFE lleva casi un cuarto de siglo organizando las elecciones. Es un organismo autónomo, gobernado por nueve consejeros y en cuyo seno hay representantes de los partidos. La elección presidencial de este domingo, en donde también se renueva el Congreso –-500 diputados y 128 senadores– movilizó a más 50.000 personas encargadas de supervisar el proceso. Los 79 millones de votantes tienen una credencial de elector en la que se han integrado 19 mecanismos de seguridad destinados a evitar el tan temido megafraude. Pero en México y con un pasado tan empañado, nada es simple, ni siquiera la extrema prudencia. Hace unos días, López Obrador pidió al IFE que impidiera que los electores ingresaran al cuarto oscuro con un teléfono celular para que los votantes que fueron “comprados” no saquen una foto de su propio voto como prueba de que lo hicieron a favor de quien les pagó. El 42 por ciento de la opinión pública cree que las elecciones de este domingo no serán “del todo limpias”.

Fuente: http://www.pagina12.com.ar

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