Menos profissionais com diplomas, mais seres humanos com propósitos

Publicado em: 05/06/2017 às 11:06

myanmar-1822564_640Por Joanna Prieto.

Tradução: Elissandro Santana, para Desacato.info.

Em plena véspera de uma quarta Revolução Industrial, que supõe uma mudança drástica na maneira como vivemos hoje, faço um chamado para avançar até outra evolução educativa que nos prepare para sobreviverque desde as aulas e com toda a comunidade acadêmica nos permita criar uma verdadeira cultura de inovação, de co-criação, colaboração e, claro, permita construir uma sociedade feliz e próspera com sentido e propósitos para todos. A educação deixou de ser o tradicional esquema de aula, placa, professor e estagiários, educar-se hoje é diferente, é uma reinvenção a partir do que queremos (propósito), de nossas habilidades e talentos, como podemos colocá-los ao serviço de outros e da sociedade para termos um papel mais ativo na construção social.

O mundo muda

O mundo não é o mesmo de dez anos atrás e, tampouco, o será dentro de 10 ou 20 anos. Hoje enfrentamos uma nova revolução; o avanço tecnológico, a globalização e a multiculturalidade, por exemplo, supõem que abandonaremos rapidamente algumas das formas com que trabalhamos, comunicamo-nos, nos relacionamos e interagimos com o entorno.

Passamos da velha premissa de estudar para “encontrar” emprego, para “criar” o próprio emprego. Embora seja verdade que a tecnologia atual e futura seguirá automatizando trabalhos e “tirará” o emprego de muitas pessoas, também é verdade que criará novos postos que impliquem outras formas de trabalho e, sobretudo, requeira competências e habilidades diferentes das que hoje ensinamos nas salas de aula. A flexibilidade cognitiva e a inteligência emocional, o desejo de aprender e de desaprender (learnability), a comunicação assertiva, tele trabalho, pensamento criativo, divergente e lógico, diversidade, colaboração, resiliência, serviço, consciência do entorno, entre outros, serão chaves para enfrentar o mundo que se aproxima.

Devemos entender que cada revolução trouxe perturbação; do cavalo ao carro, da impressão ao arquivo em nuvem, da manufatura à robotização… cada uma com mudanças radicais, porém, também, com infinidades de novas oportunidades e perfis laborais. Temos que mudar o chip de formar para postos e trabalho, quando o mais seguro é que o que existe hoje, talvez, amanhã não exista.

A tarefa pendente da academia

Contudo, qual é o papel da educação neste cenário? Algumas premissas: 1) Responder oportunamente a esta rápida transformação formando bases sólidas de habilidades suaves (sociais) que permitam a seus graduandos adaptarem-se fácil e rápido, 2) Projetar e implementar programas de educação multi e interdisciplinar que respondam à evolução dos desafios globais, acima de tudo, aos interesses particulares dos alunos, 3) humanizar estruturas e processos, 4) ir mais além da mera transferência de conhecimento ao processamento do saber, dando mais importância aos seres humanos que aos números; despertar propósitos e potenciais, 5) A investigação deve ser aplicada na empresa … nas novas formas de empresa (empreendedores, comunidades, etc).

E nós?

Todos, sem exceção, temos talentos únicos, o papel de cada um é o de despertar esse fim e cultivá-los para a mudança, manter-se informado e atualizado, trabalhar em nossa própria melhor versão. Diga-me o seu propósito e lhe direi como posso ajuda. O dever da academia e professores é fornecer ferramentas para orientar, capacitar, não moldar ou modelar, mas dar voo para a criatividade e para esses fins.

Há que se passar da fábrica de profissionais com títulos a seres humanos com propósito que possam contribuir em sua máxima capacidade, desde sua intuição e vocação, com total liberdade e oportunidade para criar o mundo que queremos.

Certa vez alguém me disse que não deveria resolver problemas nem necessidades, que não havia valor no feedback mas na liberdade com a qual cada pessoa cria sua própria história, percorre seu próprio caminho e descobre as ferramentas necessárias para alcançar as metas; devo confessar que não acreditava que fosse assim, mas, ao final, como sempre estava equivocada, e hoje, com minha própria história, escrevo um novo capítulo, seguindo meu instinto, apoiando-me em meu círculo, construindo comunidades, ouvindo-as, co-criando e construindo juntos um propósito compartilhado onde cada pessoa se envolva desde seu propósito pessoal e se alinha a um líder em coletividade.

Termino este escrito inspirada no recente discurso de Mark Zuckerberg: “A mudança começa no local. As mudanças globais começam de forma pequena. Criemos comunidades. Façamos um mundo no qual cada pessoa tenha um propósito”.

A nova ordem mundial é a felicidade, senhores, a única constante agora é a mudança. A universidade possui uma oportunidade enorme de retomar seu essencial papel de receber as gerações que liderarão nosso já frágil planeta e sociedade doente. Até mais!

Fonte: Joanna Prieto.

Deixe uma resposta