Menina é atacada nas redes sociais e na vida real após incidente com Bolsonaro

Foto: Captura de tela twitter

Viralizou na última sexta-feira (19) um vídeo de uma menina supostamente se recusando a cumprimentar o presidente Jair Bolsonaro (PSL). As imagens foram tiradas de contexto ao serem divulgadas na internet.

O vídeo com a cena foi postado pelo próprio presidente em seus canais oficiais nas redes sociais.

A filmagem é coberta pelo som do Hino Nacional e não é possível ouvir com clareza o que o presidente conversa com as crianças — que estão estudantes de uma escola pública do Distrito Federal.

Depois das especulações em torno do conteúdo, o Planalto divulgou um vídeo acompanhado de legenda onde o presidente pergunta às crianças se elas são palmeirenses. É nesse contexto que a menina faz sinal de negativo para Bolsonaro.

A exposição da menina causou graves ameaças e prejuízos a ela e aos seus familiares. “Minha filha passou o feriado chorando, triste e transtornada”, revelou a mãe, que teme as consequências psicológicas da exposição.

A fake news foi disseminada tanto por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro como por opositores do atual mandatário. Enquanto os primeiros rechaçaram a menina e a ameaçaram, os segundos a enalteceram.

“Fico muito triste porque as pessoas estão falando mal de mim, que sou mal-educada. Tenho medo de ir à escola”, disse a estudante de oito anos em entrevista ao site Metrópoles.

O pai da menina disse que a família deixou de ir ao shopping para comprar ovos de páscoa com medo de possíveis retaliações. Alguns vizinhos também passaram a importunar a família após o caso.

“Saio nas ruas e vejo as pessoas comentando sobre a minha filha. É uma criança de oito anos convivendo com essa expectativa de não querer nem estudar porque todo mundo fala dela”, desabafa Valdir Alves.

Para o jornalista e cientista social Matheus Pichonelli, o caso expõe uma sucessão de erros graves em um país atolado em notícias falsas.

“O caso é didático sobre nosso embrutecimento em uma época de análises, acusações, julgamentos e condenações precipitadas a partir de fragmentos, e não de fatos”, observa o jornalista.

“Se essa for a estratégia para combater quem lança mão desses mesmos instrumentos para obter votos e prestígios, estamos todos perdidos”, acrescenta o jornalista, ao lembrar que Bolsonaro também é um adepto notório das fake news.

“Ainda que a garota de fato tivesse se negado a estender a mão para o presidente, ninguém tinha o direito de usar sua imagem para expressar e confirmar a própria opinião. O alerta sobre a exposição indevida deveria valer também para quem usa criança como plataforma política para mostrar prestígio e humanidade entre beijos e abraços forçados”, concluiu.

Vídeo divulgado pelo presidente:

Origem da fake news

A enorme repercussão do caso começou após uma matéria ser publicada pela Agência Estado — pertencente ao Grupo Estado de Comunicação.

Foi o próprio Estadão que reconheceu o erro e, nesse domingo de Páscoa (21), publicou nova reportagem desfazendo o mal-entendido.

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