Médico condenado a quase 200 anos por estuprar mais de 50 pacientes vai cumprir pena em casa

Publicado em: 22/06/2017 às 10:03

O médico é aquele mesmo Roger Abdelmassih a quem o ministro Gilmar Mendes concedeu um habeas corpus, que ele usou para fugir do país e que contei em detalhes aqui “Médico estuprador condenado a 278 anos, que fugiu graças a habeas de Gilmar Mendes, é preso no Paraguai“.

A sentença da juíza que o mandou para casa nesta quarta-feira determinou que ele use tornozeleira eletrônica para cumprir os mais de 100 anos que restam da pena por estupro de 53 de suas pacientes, quando muitas delas se encontravam dopadas por ele em seu consultório. Ela atendeu a pedido de advogado do médico que alegou razões humanitárias:

— Ele tem 50% de risco de morrer em um ano, e de 70% em dois. O Roger já tem atestado de demência, sem condições de se levantar ou ficar sozinho. Vai direto para o Home Care — disse o advogado Antônio Celso Galdino Fraga.

Realmente, a cadeia não faz bem à saúde de ninguém e pode ser que o médico estuprador esteja nessa triste situação clínica, mas também pode ser que aconteça a ele o mesmo que a Maluf, quando se encontrava preso com o filho, em São Paulo, em 2005.

Maluf estava mal, quase morrendo, e um juiz o mandou para casa, também atendendo a apelo humanitário, e Maluf está aí vivíssimo (em mais de um sentido) até hoje. Aliás, dois dias depois de ser libertado, Maluf foi flagrado em São José dos Campos tomando uma Skol pra vida descer redondo, como mostra a imagem abaixo de minha postagem daquela época (é, o blog é antigo mesmo).

Segundo O Globo, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani argumentou que a Lei de Execuções Penais admite a prisão domiciliar ao condenado maior de setenta anos e com condições precárias de saúde “em observância ao princípio da dignidade humana”.

Uma das vítimas de Abdelmassih, Vana Lopes, disse que ela e outras ex-pacientes estão decepcionadas.
— Estamos muito decepcionadas com a Justiça porque ele não cumpriu um terço da pena, e até bem pouco tempo ele estava bem de saúde. Agora estamos com medo porque ele tem acesso a todos os nossos dados, e tem meios para nos amedrontar, se quiser — disse Vana.
A juíza que o condenou lembrou que em cerca de 50% dos casos narrados na denúncia, as vítimas não tinham plena capacidade de agir, “pois estavam retornando da sedação, da anestesia que tinham tomado para realizar o procedimento de aspiração de óvulos, em posição deitada, em quarto de recuperação. Elas usavam tão somente o avental/camisola hospitalar”. [Fonte: O Globo]

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