Mauricio Macri e a greve geral

 

Avenida Corrientes, importante rua de Buenos Aires, sem movimento pela greve geral. Foto: Captura de tela

Por Débora Mabaires, de Buenos Aires, para Desacato.info.

Tradução: Tali Feld Gleiser, para Desacato.info. (Port/Esp).

Ontem, 25 de junho, se realizou na Argentina a greve geral organizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) contra as políticas de Mauricio Macri. O protesto tem como objetivo conseguir instalar de novo as paritárias, livres, negociações entre patrões e empregados, parar as demissões e o brutal aumento de tarifas, reduzir as importações e rejeitar o acordo com o FMI.

A CGT, que tem um excelente diálogo com o governo, foi obrigada a tomar essa medida de força por causa da pressão popular, mas fez a mesma coisa que nas outras duas oportunidades: se recusou a realizar uma mobilização de trabalhadores para efetivar a reclamação, como para que o poder não se incomode, já que com ele se encontra negociando os fundos das “Obras Sociais” sindicais e a participação na futura Agência Nacional de Avaliação de Tecnologia Sanitária, AGNET. Esta agencia é a que decidirá a cobertura que darão as obras sociais, quais medicamentos, quantos exames e/ou cirurgias por cada filiado e, sobretudo, um caixa multimilionário que  encaminhará os fundos para a Cobertura Universal de Saúde, uma invenção de Mauricio Macri para privatizar a atenção hospitalar que hoje é gratuita para todos os habitantes do nosso país.

Apesar destes dirigentes sindicais que veem entregando os direitos trabalhistas e da previdência dos trabalhadores e trabalhadoras, ontem, os argentinos não mexemos nem na maçaneta da porta de nossas casas. A adesão à greve foi altíssima, mas o que realmente se destacou foi o silêncio.

Um silêncio estrondoso. Um silêncio que incomodava o poder. Foi tão assim, que Mauricio Macri foi à Casa Rosada e gravou um vídeo falando “Aqui se trabalha”.

Esta bravata do presidente poderia ter sido intimidante se não a tivesse feito depois do meiodia! Um pouco mais tarde, divulgou desde suas contas nas redes sociais que tinha estado inaugurando um serviço de digitalização de histórias clínicas que, na verdade, já tinha sido inaugurado por Cristina Fernández de Kirchner no ano 2014 com o nome de “Cibersalud” e que ele próprio já tinha “inaugurado” em novembro de 2016, mudando o nome para “Telesalud”.

Assim “trabalha” Mauricio Macri. O que não está escrito no plano econômico criado pela Secretaria de Estado dos Estados Unidos o toma como próprio da gestão anterior.

Enquanto faz essas palhaçadas para seu público, que sim tem e é fiel, seus ministros, 24 horas após a greve general, voltaram para a agenda de reuniões com os sindicatos. O ministro do Trabalho Jorge Triaca organizou uma mesa setorial da indústria automotriz na próxima sexta-feira com referentes sindicais. Essa indústria está particularmente afetada pela abertura indiscriminada das importações. Com certeza trará um pouco de calma a nomeação, nos últimos dias, de Dante Sica como ministro da Produção. É um homem que vem da empresa PSA Peugeot-Citroen, além de ter sido assessor da Federação de Indústrias de São Paulo e de diversas empresas multinacionais com interesses no Brasil e a Argentina.

O ministro do Interior Rogelio Frigerio, um dos funcionarios mais dispostos ao diálogo, tentará acalmar os dirigentes da “Unión Obrera de la Construcción de la República Argentina” (UOCRA). Este sindicato, que sempre teve uma excelente relação com o governo, ficou em alerta quando foi dado a conhecer o último texto do pacto Macri-Lagarde, que entrega a economia argentina para o Fundo Monetário Internacional.  A Argentina parará as obras públicas em 80% para, segundo dizem, “reduzir o déficit fiscal”.  Na realidade, acontece que vão deixar de fazer obras públicas para usar o dinheiro para financiar a fuga de divisas dos bancos estrangeiros.

O ministro da Economia Nicolás Dujovne, que tem todo seu patrimônio no exterior sem ter pago os impostos correspondentes, disse que esta paralisação geral custava ao país uns 4 bilhões de reais. É a primeira vez que um funcionário deste governo reconhece publicamente que os trabalhadores geramos lucro.

Ontem, o povo argentino se expressou majoritariamente na greve nacional diante de um governo que não escuta mais que o tilintar das suas próprias contas bancárias no exterior. Dessa vez, pela primeira vez, não teve sons, só silêncio.

Um silêncio tenso que pressagia a tempestade. Um silêncio que se escuta como tambores de guerra.

O povo não está dormido.


Mauricio Macri y la huelga general

Por Débora Mabaires, de Buenos Aires, para Desacato.info.

El lunes 25 de junio se realizó en Argentina el paro general organizado por la Confederación General del Trabajo (CGT) contra las políticas de Mauricio Macri. El reclamo  tiene como objetivo lograr la reapertura de paritarias libres, el cese de despidos, el freno a los brutales aumentos de tarifas,  disminuir las importaciones  y rechazar el acuerdo con el FMI.

La CGT que tiene un excelente diálogo con el gobierno, se vio obligada a tomar esta medida de fuerza por la presión popular; pero hizo lo mismo que en las otras dos oportunidades: declinó realizar movilización de trabajadores para efectivizar el reclamo, como para que no se moleste el poder, con quien se encuentra negociando los fondos de las Obras Sociales sindicales y la participación en la futura Agencia Nacional de Evaluación de Tecnología Sanitaria, AGNET. Esta agencia es la que decidirá, qué prestaciones cubrirán las obras sociales; qué medicamentos; cuántas prácticas por afiliados; y sobre todo: manejará una caja multimillonaria que derivará los fondos a la Cobertura Universal de Salud, un invento de Mauricio Macri para privatizar la atención hospitalaria que hoy es gratuita para todos los habitantes de nuestro país.

A pesar de esta dirigencia sindical que viene entregando los derechos laborales y previsionales de los trabajadores, ayer los argentinos no movimos ni los picaportes de las puertas de nuestras casas.  El acatamiento al paro fue altísimo, pero lo que realmente se destacó, fue el silencio.

Un silencio atronador. Un silencio que incomodaba al poder. Tanto fue así, que Mauricio Macri fue a la Casa Rosada y grabó un video diciendo “Acá se trabaja”.

Esta bravuconada del presidente podría haber sido tomado como intimidante, si no lo hubiera hecho ¡después del mediodía!. Poco más tarde difundió desde sus cuentas en redes sociales, que había estado inaugurando un servicio de digitalización de historias clínicas que en realidad ya había sido inaugurado por Cristina Fernández de Kirchner en el año 2014 con el nombre de Cibersalud y que él mismo ya había “inaugurado” en noviembre de 2016 cambiándole el nombre a Telesalud.

Así “trabaja” Mauricio Macri. Lo que no está escrito en el plan económico diseñado por  la Secretaría de Estado de Estados Unidos; lo  toma como propio de la gestión anterior.

Mientras hace estas payasadas para su público, que lo tiene y es fiel; sus ministros, 24 horas más tarde del paro general, retomaron la agenda  de reuniones con los sindicatos. El ministro de Trabajo Jorge Triaca organizó una mesa sectorial de la industria automotriz este viernes con referentes sindicales. Industria particularmente golpeada por la apertura indiscriminada de importaciones. Seguramente aporte algo de calma la designación, en los últimos días,  de Dante Sica como ministro de la Producción hombre que  proviene de la empresa PSA Peugeot-Citroen además de haber sido asesor de la Federación de Industriales de San Pablo y de diversas empresas multinacionales con intereses en Brasil y Argentina.

El ministro del Interior Rogelio Frigerio, uno de los funcionarios más dialoguistas, tratará de calmar a los dirigentes de la Unión Obrera de la Construcción de la República Argentina (UOCRA). Este gremio que siempre había tenido una excelente relación con el gobierno, se puso en alerta cuando dieron a conocer la letra fina del pacto Macri-Lagarde, que entrega la economía argentina al Fondo Monetario Internacional.  Argentina frenará las obras públicas en un 80% para, según dicen,  “reducir el déficit fiscal”. En realidad, es que van a dejar de hacer obras públicas para usar el dinero en financiar  la fuga de divisas de los bancos extranjeros.

El ministro de Economía Nicolás Dujovne, que tiene todo su patrimonio en el exterior sin haber pagado los correspondientes impuestos, dijo que este paro nacional le costaba al país unos 28.000 millones de pesos. Es la primera vez que un funcionario de este gobierno reconoce públicamente que los trabajadores generamos ganancia.

El pueblo argentino se expresó mayoritariamente ayer en una huelga nacional ante un gobierno que no escucha más que el tintinear de sus propias cuentas bancarias en el exterior. Esta vez, por primera vez, no hubo tintineo. Sólo silencio.

Un silencio tenso que presagia la tormenta. Un silencio que se escucha como tambores de guerra.

El pueblo no está dormido.

 


Débora Mabaires é cronista e mora em Buenos Aires.

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