Maior sindicato de carne bovina dos Estados Unidos pede que Trump barre a JBS

Publicado em: 12/06/2017 às 09:49
Com as ações em baixa e sofrendo rejeição do público consumidor após escândalo, a JBS perde cada vez mais terreno
Com as ações em baixa e sofrendo rejeição do público consumidor após escândalo, a JBS perde cada vez mais terreno

O maior sindicato de produtores de carne bovina dos Estados Unidos, R-Calf United Stockgrowers of America, enviou uma carta ao presidente norte-americano Donald Trump pedindo para que a empresa frigorífica brasileira JBS seja banida do território norte-americano.

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O documento, que tem 11 páginas, é assinado por Bill Bullard, presidente do sindicato, que pede para que o governo norte-americano rejeite o acordo de leniência com a JBS , e também que os bens da empresa do país sejam alienados.

“Se se foi descoberto que a JBS, de fato, construiu seu império de carne dos EUA através de meios ilegais, então todo bem baseado nos Estados Unidos, de propriedade da empresa, deve ser imediatamente alienado. Da mesma forma, se for encontrado que a JBS se envolveu em uma conduta ilegal para conseguir favores da política pública no Congresso, agências federais e governos estaduais, então essas posições políticas devem ser imediatamente revisadas”, aponta um trecho da carta.

O sindicato ainda reforça que já alerta o Departamento de Justiça dos Estados Unidos desde 2008 sobre as práticas de marketing abusivas da empresa frigorífica. “Claro que o modelo de negócios da empresa dependia fortemente de pessoas e práticas corruptas para influenciar as ações e políticas governamentais, bem como influenciar as decisões por entidades reguladas pelo governo, por exemplo, e de bancos”, diz outro trecho do documento. Segundo o sindicato, a JBS prejudica indústria de carnes de todo o país e, por isso, pedem por uma investigação minuciosa das autoridades locais.

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Esse é apenas mais um exemplo de como a JBS vem sofrendo as consequências de ter participado ativamente de um dos maiores escândalos de corrupção da História do Brasil. Os donos da empresa, os irmãos Joesley e Wesley Batista, conseguiram escapar da prisão e de outras sanções legais ao receberem imunidade completa por sua delação premiada, que implicou políticos como o senador tucano Aécio Neves e até mesmo o presidente Michel Temer. No entanto, a empresa começa a sofrer, e o império dos Batista começa a ruir aos poucos.

Compra ilegal de dólares

A JBS comprou cerca de US$ 1 bilhão no mercado financeiro antes do vazamento da delação premiada de Joesley Batista. No dia seguinte, em meio à repercussão da denúncia envolvendo o presidente Michel Temer, a moeda norte-americana teve alta de mais de 8%.

A suspeita é de que os irmãos Batista tenham usado informação privilegiada – a data do vazamento da delação – para comprar dólares e ainda lucrar com o escândalo envolvendo sua própria empresa. Por causa disso, Joesley Batista teve R$ 800 milhões de suas contas bloqueados pela Justiça Federal em São Paulo.

A Polícia Federal já investiga o caso, em uma operação que foi batizada de Tendão de Aquiles. A PF já cumpriu três mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva em empresas do grupo da JBS.

Pedido de desculpas ‘não colou’

Pouco depois do vazamento de sua delação, o empresário Joesley Batista publicou um pedido de desculpas em nome da JBS. Na nota oficial, Joesley admite irregularidades na empresa e pagamento de propinas e pede “desculpas ao povo brasileiro”.

No documento, o empresário fala de seus “valores” e “espírito empreendedor”, critica o sistema público brasileiro e afirma que a empresa firmava, a partir dali, um compromisso de ser “intransigente e intolerante com a corrupção”. O fato de Joesley ter escrito a carta de seu luxuoso apartamento em Nova York, longe das consequências diretas de seus atos, não agradou os brasileiros, que criticaram o empresário.

Abandonados por Tony Ramos

Garoto propaganda dos produtos, o aclamado ator global Tony Ramos resolveu abandonar a marca após o vazamento dos escândalos de corrupção. O ator se revelou “surpreso”, “triste” e “melancólico” com as revelações do envolvimento da JBS com a compra de políticos.

Apesar de ter contrato vigente com a marca, permitindo que sua imagem seja utilizada pela marca, Tony Ramos já teria acionado seus advogados para desvincular seu nome da empresa frigorífica.

Com as ações em baixa, sem o dinheiro da compra de dólares e sofrendo rejeição do público consumidor, a JBS perde cada vez mais terreno e fica com sua imagem mais arranhada a cada dia. Apesar da imunidade após as delações, a empresa segue sendo investigadas por outras praticas ilícitas no Brasil e deve ser investigada também nos Estados Unidos.

Fonte: Último Segundo – IG.

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