Maia deixa reforma da Previdência para fevereiro

pressão do “mercado” e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para garantir a votação da reforma da Previdência ainda neste ano não superou os desentendimentos na base do governo de Michel Temer. Após a apresentação de três propostas distintas para mudanças nas aposentadorias ao longo do ano, a votação ficou mesmo para 2018.

O cenário é o pior possível para os entusiastas da reforma. As chances de aprovação de uma proposta impopular em pleno ano eleitoral não empolgam os agentes econômicos, que agora estimam mudanças apenas em 2019.

O anúncio oficial do adiamento foi feito por Rodrigo Maia, presidente da Câmara, nesta quinta-feira 14. Ele marcou a votação para 19 de fevereiro, logo após a semana de carnaval. Maia garantiu que a proximidade do pleito não atrapalhará. “Desta vez, em ano de eleição, dá para aprovar.”

O objetivo dos parlamentares da base do governo era anunciar o adiamento nesta quinta 14, mas o senador Romero Jucá, líder do governo na Casa, “furou” os colegas. Na tarde da quarta-feira 13, ele anunciou, em nota, que um acordo havia sido fechado com o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e com Maia para adiar a votação para o próximo ano.

Jucá adotou um tom sincero para justificar sua posição. “Eu acho que o governo tem que falar a verdade, não adianta o governo mistificar”, afirmou “Não tem ainda os 308 votos. Se não tem, o governo tem que dizer que não tem.”

A decisão unilateral do senador foi um balde de água fria para o “mercado”. Após o anúncio do adiamento, houve oscilações negativas na bolsa e alta no dólar. As agências de classificação de risco passaram a acenar com o rebaixamento da nota de crédito do País. Grande parte dos analistas estima que a reforma deve ficar mesmo para 2019.

A decisão de Jucá foi uma tentativa de acalmar o presidente do Senado, que queria votar o orçamento do próximo ano ainda nesta semana. Como essa votação é o último ato legislativo do ano, sua realização garantiria o adiamento da votação da Previdência para 2018.

Na terça-feira 12, Eunício se irritou por não conseguir realizar sessão do Congresso para apreciar vetos presidenciais. “Não convoco mais [sessão do Congresso]. Brincadeira isso. Também não vota mais Previdência porra nenhuma. Tá fazendo graça?”, afirmou ao deputado André Moura (PSC-CE), segundo reportagem da “Folha de S. Paulo.”

Fonte: Carta Capital

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