Mãe: guerreira em casa e na rua

Em reportagem especial do Dia das Mães, trabalhadoras contaram ao Brasil de Fato as lutas travadas no cotidiano de suas vidas

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por André Vieira,

Do Rio de Janeiro (RJ)

No próximo domingo (10) é comemorado o dia das mães. Fomos às ruas do Rio para contar a história de três guerreiras. Mulheres que além de se desdobrarem para cumprir suas funções profissionais, se multiplicam em mil, na luta pela criação de seus filhos. Entre elas, algumas coincidências: chefes de família, mulheres negras e apaixonadas por seus pupilos.

A vendedora Izabel

Chegamos à Central do Brasil e logo encontramos a carioca Izabel Carvalho, de 31 anos. Moradora de São João de Meriti, baixada fluminense, ela trabalha em uma pastelaria que fica dentro da estação de trem.

Assim como muitas brasileiras, ela criou sozinha seus três filhos. “Sou mãe e pai”, lembra. As dificuldades de dar conta de tudo sozinha, no entanto, não tiram dela o sorriso ao falar de sua família. “Meus filhos são lindos. Faço tudo por eles”, completa.

Izabel também se mostra atenta aos comercias de televisão que anunciam equipamentos domésticos como o grande presente para uma mãe. “Não é só a mulher que tem que lavar a roupa, o homem também precisa ajudar. Eu até estou precisando de uma máquina, mas esse é um presente para a casa, já que todo mundo deve usar”, alerta.

A trabalhadora informal Célia

Caminhando pelas redondezas conhecemos outra lutadora: a maranhense Célia da Rocha, de 37 anos. Também mãe solteira e moradora de Santa Cruz, zona oeste, a dona da nossa segunda história mudou recentemente de profissão para dar uma vida melhor aos seus três filhos. Ele compra equipamentos eletrônicos e revende em uma pequena banquinha no centro do Rio. Em seu trabalho precisa ficar, como diz o ditado, “com um olho no peixe e outro no gato”.

Ao mesmo tempo em que dá atenção aos clientes, não pode desgrudar o olho para que sua mercadoria não seja apreendia pela Guarda Municipal. “Eles falam que é pirataria, mas nós compramos tudo com nota fiscal. Não deveriam impedir que a gente ganhe dinheiro honestamente”, critica Célia.

Porém, está enganado quem pensa que esse é o maior obstáculo que Célia precisa travar contra a Prefeitura. No início do ano, ela não conseguiu vaga em uma creche pública para colocar seu filho mais novo e foi obrigada a pagar uma particular, que consome cerca de 25% de seu faturamento mensal. “Minha sorte é que não pago mais aluguel. Construí minha casa num terreno que ganhei da minha família”, concluiu.

A cobradora Cláudia

Embarcamos rumo à zona sul para contar a vida de uma guerreira da zona norte. Cláudia Eliana, de 49 anos, mora na Penha Circular e trabalha como cobradora do ônibus que faz o trajeto Centro-Leblon. Viúva, carioca e mãe de cinco filhos, ela está vivendo uma experiência bem nova: a de ser avó. “Valeu a pena ser mãe, principalmente por ver meus filhos trabalhando e ganhar netos maravilhosos”, revelou.

Seu maior sonho continua sendo o da casa própria. O aluguel do lugar onde mora com sua irmã e três de seus filhos leva embora quase 40% de seu salário mensal. “É muito caro viver de aluguel e eu vou conseguir comprar minha casa. Estou juntando dinheiro para isso”, afirma com determinação a rodoviária.

Com uma família tão grande, o próximo domingo será de muita alegria para ela. “Não sei se vou ganhar muitos presentes, mas uma linda festa tenho certeza que faremos lá em casa”, brinca.

Você sabia?

No lares onde existem dois responsáveis (pai/mãe, mãe/mãe ou pai/pai), as mulheres comandam 38,7% dos 57,3 milhões de domicílios espalhados pelo Brasil.

Nas famílias brasileiras com filhos e com apenas um responsável, 87,4% são chefiadas por mulheres.

Foto: Pablo Vergara

Fonte: Brasil de Fato

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