Mãe é denunciada ao MP por permitir que filho use vestidos

Foto: Arquivo pessoal

Por Giselle Zambiazzi, para Desacato.info.

Uma moradora de Alto Paraíso de Goiás seguia sua rotina e circulava em uma feira de produtos orgânicos quando foi abordada por um conselheiro tutelar. Ela é mãe de um garoto de cinco anos e, entre uma surpresa e outra, descobriu que estava sendo chamada ali mesmo para comparecer à sede do Conselho Tutelar e que o motivo era porque ela permite que o menino use roupas consideradas femininas.

Há dois anos o menino vem manifestando esse desejo. Inicialmente a mãe tentou intervir, mas percebeu que demovê-lo da ideia de usar as roupas que eram da sua escolha não estava fazendo bem ao garoto. Então, a mãe decidiu respeitar e apoiar o filho. No entanto, isso despertou os olhares de outros moradores da pequena cidade de sete mil habitantes instalada na Chapada dos Veadeiros, interior de Goiás.

Além das inúmeras belezas naturais que atraem dezenas de turistas todos os anos, Alto Paraíso é também conhecida pelo misticismo e espiritualidade. A grande quantidade de cristais na região faz com que muitas pessoas acreditem ser aquele um ponto importante no planeta. Esse conjunto de fatores vem atraindo pessoas que desejam morar em Alto Paraíso em busca de outra forma de viver. Porém, nem todos têm se mostrado abertos a esses movimentos e o conservadorismo tem mostrado sua cara também em Alto Paraíso.

O irmão mais velho do garoto estuda em uma escola bastante tradicional e de orientação religiosa. O garoto de cinco anos frequentou essa escola por uma semana e durante esse tempo usou o uniforme feminino. Foi o suficiente. Uma professora contou à mãe que a comunidade escolar ficou alvoroçada com a presença do garoto questionando a secretaria de diversas formas.

Denúncia ao MP

Na reunião, a mãe foi informada de que havia sido denunciada quatro vezes ao Conselho Tutelar e uma diretamente ao Ministério Público. “Eles não impuseram, mas perguntaram se eu aceitaria um acompanhamento psicológico”, conta. “Fiquei tão chocada com essa denúncia que quando cheguei lá, tudo o que eu queria era mostrar que nem eu, nem ele tínhamos algo a esconder”, afirmou. “Então, quando eles falaram sobre essa questão de psicólogo achei que fosse mesmo o melhor caminho para eles verem que ele é uma criança feliz, mas agora acho que preciso ter alguns cuidados”, ponderou.

Seu objetivo é encontrar um profissional que não direcione seu filho e o respeite integralmente. A mãe também foi orientada a apresentar um laudo psiquiátrico que ateste a saúde mental do menino e material sobre gênero para embasar a situação, já que a primeira suspeita foi de que ela estaria forçando o garoto a usar saias e vestidos e não respeitando as escolhas dele. “Quero que outras pessoas saibam que isso está acontecendo porque sei que muitas passam pelo mesmo que estou passando. É a minha vida e a vida do meu filho que estão em jogo em um país machista como este”, desabafa.

Uma rede de apoio está sendo montada para dar suporte a mãe e filho, que também precisam de orientações jurídicas para seguir adiante. “Estamos juntando os papéis e, depois que tudo for enviado ao Ministério Público, não sabemos o que pode acontecer”, lamenta a mãe. Esta semana, o CRAS de Alto Paraíso visitou a família para sugerir acompanhamento. A equipe se disse preocupada com a exposição do garoto na mídia, já que o caso começou a ser publicado nas redes. A mãe ainda está em busca de assessoria para poder tomar a melhor decisão para si e seu filho já que não se sente segura com os olhares do Estado sobre as decisões que são tomadas dentro da sua própria casa.

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