Macri decide eliminar a pobreza

2017-04-04 20:06
Macri decide eliminar a pobreza

Por Débora Mabaires, Argentina, para Desacato.info.

(Port./Esp.)

O governo de Maurício Macri decidiu inovar em alguns aspectos da ditocracia que dirige. Na última semana pudemos observar um novo ataque contra o povo que supera os limites da racionalidade: colocou a Polícia a realizar o serviço sujo da limpeza étnica e classista que pretende levar adiante em nosso país.

Surpresos, os cidadãos da Cidade de Buenos Aires que viajavam na linha A do metrô puderam observar seis policiais que detinham e algemavam um jovem. No início muitos hesitaram em intervir, porque não sabiam qual era o motivo da detenção, mas depois, os fardados explicitaram que o detinham por vender lenços. “Você é o cara que vende lenços”. Por que o levam: “Porque não pode vender lenços”. E, dessa forma, entre empurra-empurra e insultos dos passageiros com as forças policiais, o levaram detido. Três dias depois ninguém soube o que aconteceu com este rapaz que trabalhava como vendedor ambulante.

Um dia depois, na cidade de Lanús, na região da Grande Buenos Aires, um grupo de vários policiais irrompeu num refeitório comunitário onde estavam comendo 70 crianças. Bateram na cozinheira, as crianças gritaram e os policiais dispararam balas de borracha contra todos os presentes: gente desempregada, doente, aposentados.

Antes de ir embora os policiais lançaram gás de pimenta nas panelas nas que se cozinhava o alimento das 70 crianças e perto de 100 adultos que, nessa noite, ficaram sem comer; e levaram 4 jovens. Subiram eles nos carros da polícia, e pouco depois, bateram neles. Dois deles foram trancados no camburão e jogaram dentro uma bomba de gás de pimenta. Depois, abriram o carro e os deixaram sair abandonando-os num local. Os outros dois jovens foram mantidos sequestrados enquanto seguiam no carro da polícia e bateram neles. Sem registrar-se ingresso em nenhuma delegacia e sem que o juizado de turno interviesse, foram levados até um médico forense para constatar seu estado de saúde e os deixaram ir.

Nem a governadora da Província, Maria Eugenia Vidal; nem o ministro de Segurança, Christian Ritondo; nem o chefe da Polícia Bonaerense, Pablo Bressi deram explicações ao povo. Também não foram entrevistados pelos meios de comunicação com relação a isso. E, naturalmente, os jornalistas que cobram acréscimos salariais para estar ao serviço do regime macrista, deram o aval a este acionar, justificando o tiroteio contra crianças com um suposto ladrão que teria ingressado no lugar e ninguém nunca viu, nem foi preso, subestimando àqueles o público, tentando fazer acreditar que a Polícia persegue ladrões com balas de borracha. Mas, o mais grave é que tenham estado instalando a ideia de que um grupo policial possa estar armado e disparado em um lugar público com a desculpa de pegar um suposto delinqüente. Poderiam então entrar em qualquer domicílio com a desculpa de que perseguem um ladrão? Poderiam entrar numa escola, universidade, ou centro comercial e balear gente com a mesma desculpa?

A operação midiática com a pretensão de instalar essa idéia é quase tão macabra como o acionar policial.

Dois dias depois, em Rosário, a polícia ingressou a um dos bairros mais humildes com um operativo comando. Bateram em mulheres, crianças e adultos. Roubaram telefones celulares e o pouco dinheiro que tinham. Tem vários feridos. Um dos menores foi seqüestrado, bateram nele de forma selvagem e o jogaram num terreno baldio. Está hospitalizado. Tem 15 anos.

Outros foram baleados e transladados a uma das delegacias com mais antecedentes de brutalidade policial.

Protegido por um Poder Judicial que o ampara, não só para roubar a todos os argentinos, senão que para torturar e matar os pobres, o governo de Maurício Macri está aperfeiçoando o genocídio que seu antecessor e ele mesmo avalizaram em 1976.

A negação do Exército Argentino de intervir na segurança interior, tal como o solicitou Maurício Macri, contrariando três leis nacionais, fez com que optasse por utilizar as polícias, instituições que nunca tinham sido tocadas pelo braço da Justiça na hora de sancionar os crimes cometidos durante a última ditadura militar.

Despojados de identificação; armados com equipamentos militares que Macri comprou ao governo de Israel; treinados pelo exército israelense, estes grupos comando estão semeando o terror na Argentina.

O pequeno mal que governava a Cidade de Buenos Aires criando uma força especial para reprimir indigentes, chamada UCEP (Unidade de Controle do Espaço Público), tinha sido freado pelo poder judicial ante as primeiras denúncias dos feridos, que incluíam fratura do braço a uma mulher grávida. Tiveram que desfazê-la.

Agora, com o aval que dá a Presidência da Nação, Macri sem as caras, manda as forças repressivas fazer o trabalho que mais gosta: apoderar-se do espaço público aterrorizando a quem lá mora. No caso da Cidade de Buenos Aires, isso pode se ver com clareza no Bairro Villa Mitre, onde a ação em cumplicidade com um fiscal, estava destinada a poder comprar terrenos baratos e desenvolver o negócio imobiliário. No caso de Lanús, asseguram os vizinhos, a perseguição se deve a que buscam instalar o negócio do tráfico de drogas no local, e que a presença do refeitório comunitário faz com que a zona seja muito visitada e visível, o que torna o negócio inviável.

No caso de Rosário, o ataque ao bairro favelado tem uma origem racista. O bairro foi conformado por indígenas Qom, que chegaram da província de Chaco, que tinham sido transladados de maneira forçada e abandonados na província de Santa Fe. Sem pertences, sem falar espanhol e sem dinheiro, caminharam até Rosário, seguindo a trilha do trem que os tinha transportado e se instalaram aí, permanecendo até agora, sobrevivendo como trabalhadores quase escravizados, ou como artesãos com a esperança de comer todos os dias vendendo seus serviços, mal pagos, à Grande Cidade.

Hoje, com o novo governo neoliberal, mas, de características brutais que assemelham-se às da ditadura de 1976, os pobres não têm voz nem defesa alguma. O terrorismo de estado novamente se instalou em nosso país.

Macri decidiu eliminar a pobreza: está disposto a matar pobres.

Versão em português: Raul Fitipaldi, para Desacato.info

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Macri decide eliminar a la pobreza

Por Débora Mabaires, da Argentina, para Desacato.info

El gobierno de Mauricio Macri ha decidido innovar en algunos aspectos de la dictocracia que dirige y en la última semana pudimos observar un nuevo ataque contra el pueblo, que supera los límites de la racionalidad: ha puesto a la Policía a realizar el trabajo sucio de la limpieza étnica y clasista que pretende llevar a cabo en  nuestro país.

Asombrados, los ciudadanos de la Ciudad de Buenos Aires  que viajaban en la línea A del subterráneo pudieron observar a seis policías que detenían y esposaban a un joven.  Al principio, muchos dudaron en intervenir, porque no sabían cuál era el motivo de la detención, pero luego, los uniformados explicitaron que lo detenían por vender pañuelos. “Vos sos el que anda vendiendo pañuelos”. ¿Por qué se lo llevan?  “Porque no puede andar vendiendo pañuelos”  Y así, entre forcejeos e  insultos de los pasajeros con las fuerzas policiales, se lo llevaron detenido. Tres días más tarde, nadie sabe qué pasó con este joven que se ganaba la vida como vendedor ambulante.

Al día siguiente, en la ciudad de Lanús, en la zona sur del Conurbano bonaerense, un grupo de varios policías, irrumpieron en un comedor comunitario donde se encontraban comiendo 70 niños.  Golpearon  a la cocinera, los niños gritaron y los policías dispararon balas de goma contra todos los presentes: gente desempleada, enferma, jubilados.

Antes de irse los policías arrojaron gas pimienta en las ollas en la que se cocinaba el alimento de los 70 niños y cerca de 100 adultos que esa noche, se quedaron sin comer;  y se llevaron a 4 jóvenes.  Los subieron a los patrulleros, y a poco de andar, los golpearon. A dos de ellos, los encerraron en la patrulla y arrojaron una bomba de gas pimienta. Luego de un rato, abrieron el automóvil y los dejaron salir abandonándolos en el lugar.  A los otros dos jóvenes, los mantuvieron secuestrados mientras seguían con la patrulla en movimiento y los golpeaban. Sin  registrar su ingreso en ninguna comisaría y sin que el  juzgado de turno interviniera, fueron llevados a un médico forense para constatar su estado de salud, y luego los dejaron irse.

Ni la Gobernadora de la Provincia, María Eugenia Vidal;  ni el Ministro de Seguridad, Christian Ritondo; ni el Jefe de la Policía Bonaerense Pablo Bressi, han dado explicaciones al pueblo. Tampoco fueron entrevistados por los medios de comunicación al respecto. Y por supuesto,  los periodistas que cobran sobresueldos para estar al servicio del régimen macrista, salieron a avalar este accionar justificando la balacera contra los niños con un supuesto ladrón que habría ingresado al lugar y nunca nadie vio, ni fue atrapado, subestimando a aquellos a los que informan, intentándolos hacerles creer que la Policía persigue ladrones con balas de goma. Pero lo más grave, es que hayan estado instalando la idea de  que un grupo policial pueda entrar armado y disparando en un lugar público con la excusa de atrapar a un supuesto delincuente.  ¿Podrían entonces ingresar en cualquier domicilio con la excusa de que perseguían a un ladrón? ¿Podrían entrar en una escuela, universidad, o centro comercial, y balear gente con la misma excusa?

La operación mediática tendiente a instalar esa idea es casi tan macabra como el accionar policial.

Dos días más tarde, en Rosario, la policía ingresó a uno de los barrios más humildes, con un operativo comando. Golpearon a mujeres, niños y adultos. Les robaron los teléfonos móviles y el poco dinero con el que contaban.  Hay varios heridos. Uno de los menores fue secuestrado, golpeado salvajemente y arrojado a un terreno descampado.  Se encuentra hospitalizado. Tiene 15 años.

Otros fueron detenidos y trasladados a una de las comisarías con más antecedentes de brutalidad policial.

Protegidos por el Poder Judicial que los ampara no sólo para robar a todos los argentinos, sino también para torturar y matar a los pobres, el gobierno de Mauricio Macri, está perfeccionando el genocidio que su antecesor y él mismo avalaron en 1976.

La negación del Ejército Argentino a intervenir en seguridad interior, tal como se los pidiera Mauricio Macri contraviniendo tres leyes nacionales; hizo que optara por utilizar a las policías, instituciones que nunca habían sido tocadas por el brazo de la Justicia a la hora de sancionar los crímenes cometidos durante la última dictadura militar.

Despojados de su identificación;  armados con pertrechos militares que Macri compró al gobierno de Israel;  entrenados por personal  del Ejército Israelí,  estos grupos comando  están sembrando el terror en Argentina.

El pequeño mal que gobernaba la Ciudad de Buenos Aires creando una fuerza especial para reprimir indigentes, llamada UCEP (Unidad de Control de Espacio Público), había sido frenado por el poder judicial ante las primeras denuncias de heridos, que incluían la fractura del brazo a una mujer embarazada y debió desmantelarla.

Ahora, con el aval que le da la Presidencia de la Nación, Macri  sin dar la cara, manda a las fuerzas represivas a hacer el trabajo que más le gusta: apoderarse del espacio público aterrorizando a quienes viven allí. En el caso de la Ciudad de Buenos Aires, esto pudo verse claramente en el Barrio Villa Mitre, donde la acción en complicidad con un fiscal, estaba destinada a  poder comprar terrenos baratos y  desarrollar un negocio inmobiliario.  En el caso de Lanús, aseguran los vecinos que la persecución se debe a que buscan instalar el negocio del tráfico de drogas en ese lugar, y que la presencia del comedor comunitario, hace que la zona sea demasiado concurrida y visible, volviéndolo inviable.

En el caso de Rosario,  el ataque al barrio de emergencia tiene un origen racista. El barrio fue conformado por aborígenes Qom, provenientes de la provincia de Chaco, que habían sido trasladados por la fuerza y abandonados en la provincia de Santa Fe.  Sin pertenencias, sin hablar castellano y sin dinero, caminaron hasta Rosario siguiendo la vía del tren que los había transportado y se instalaron allí permaneciendo hasta ahora, sobreviviendo como trabajadores cuasi esclavizados o como artesanos con la esperanza de comer todos los días vendiendo sus servicios, mal pagados, a la Gran Ciudad.

Hoy, con un nuevo gobierno neoliberal, pero de características brutales que asemejan a las de la dictadura de 1976, los pobres no tienen voz, ni defensa alguna.  El terrorismo de estado nuevamente se instaló en nuestro país.

Macri decidió eliminar la pobreza: está dispuesto a matar pobres.

 

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