Macri, a fumaça e o chicote

Por Débora Mabaires, para Desacato.info.

Tradução: Elissandro Santana, para Desacato.info. (Port./Esp.)

As multitudinárias manifestações de protesto e a perda do medo em divulgar as críticas contra o governo de Maurício Macri obrigaram os funcionários públicos de primeiro escalão a mudar a estratégia comunicacional, mas não o plano do governo que permanece o mesmo com base na opressão do trabalhador, na desindustrialização e nas altas taxas de serviços e impostos.

Enquanto a mídia da oposição diz que Maurício Macri não leva em conta as reivindicações, nos últimos dias o governo com a precisão dos cirurgiões, usou algumas questões sensíveis para direcionar a opinião pública para longe das questões econômicas que a afligem.

Na semana anterior ao Dia da Mulher Trabalhadora, funcionários do governo vieram discutir a possibilidade de debater no Congresso Nacional um projeto de lei que garante aborto legal, seguro e gratuito. Imediatamente gerou expectativas entre aqueles que estão lutando por esse direito e também a injúria entre aqueles que se opõem, categoricamente, a partir de argumentos religiosos.

Macri se expressou absolutamente contra sancionar uma lei neste sentido e usa-a politicamente instalando o assunto com força na imprensa e no dia a dia dos argentinos. Astutamente, reivindicou o direito ao debate parlamentar sobre o assunto e, pelo menos, publicamente, ele o favorece, mostrando-se como alguém flexível que constrói alternativa.

Aqueles de nós que acompanham a carreira política de Maurício Macri, o vimos em 2012 boicotar a lei atual e pôr em perigo a vida de uma mulher que solicitou na cidade de Buenos Aires um aborto legal. Ela tinha sido resgatada dos traficantes, de pessoas que a tinham escravizado para fins de exploração sexual e seu caso estava perfeitamente em conformidade com a lei vigente. Macri aconselhou o advogado Pedro Javier Andereggen, representante da Associação Pró Família, quem interpôs um recurso legal durante a noite para evitar, ao mesmo tempo em que organizou, secretamente, uma manifestação na porta do hospital onde a vítima foi hospitalizada, para que pessoas desconhecidas entrassem na sala da mulher gritando com o objetivo de impedirem o procedimento médico, coberto pela ordem de um amigo juiz de Mauricio Macri.

Tendo visto este procedimento terrível, sabemos perfeitamente que este é um cenário cujos resultados ainda são imprevisíveis.

De forma coordenada, eles lançaram outra bomba de fumaça para colocar a cidadania para discutir sobre os imigrantes em outra manobra típica dos governos de direita: toda vez que seus programas econômicos começam a gerar uma reação popular, eles apelam para a xenofobia para culpar os estrangeiros por serem responsáveis pelo desastre produzido pelas políticas de ajuste.

Desta vez, Mauricio Macri ficou fora do assunto por causa das conotações negativas que poderiam trazer e enviou suas espadas para prejudicar os bolivianos. Foi o governador de Jujuy, Gerardo Morales, quem lançou uma série de mentiras e imprecisões sobre o suposto gasto de saúde extraordinário que representa a atenção pública e gratuita dos imigrantes.

Embora esta bomba de fumaça tenha sido encorajada por grupos de mídia relacionados ao governo, não cresceu demais porque os números dos diferentes ministérios provinciais da saúde o negaram. Em média, apenas 1% das atenções hospitalares é para imigrantes e quase todos residem na Argentina.

Hoje, o governo lançou uma nova bomba de fumaça: ele colocaria um preço máximo sobre os remédios mais usados por aposentados e pensionistas. Aqueles que Macri tirou, já que eles eram livres e agora se devem pagar. Na Argentina sabemos o que significa colocar preços máximos. Por um tempo, eles se respeitam e, em seguida, os empresários deixam esses produtos perdidos, obrigando os compradores a comprar um mais caro. No caso dos remédios, eles mudam a apresentação, removendo comprimidos ou gramas dos cremes, e, assim, a fraude ocorre.

Esse tipo de anúncio dá o ar que esse governo estava começando a perder na mídia.

Na vida real, as expressões contra Macri estão se tornando mais despreocupadas e mais numerosas, razão pela qual o governo apela à censura da mídia e à extorsão judicial contra os líderes dos protestos.

Nos últimos dias, as casas dos delegados sindicais que organizam os protestos do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial foram assaltadas e apenas computadores pessoais e telefones celulares foram levados.

Ontem, eles prenderam o prefeito de Río Turbio, uma cidade onde a disputa trabalhista mais importante do país está localizada: a greve e protestos pelos 450 trabalhadores demitidos dos Depósitos de Carboníferos de Río Turbio, a única empresa minera estatal. O prefeito Anastasio Pérez Osuna apoia a reivindicação dos trabalhadores.

O discurso gentil e o sorriso fácil disfarçam a mão de ferro que exerce o chicote que este governo de psicopatas açoita contra o povo.

O plano para empobrecer os argentinos e colocá-los de joelhos diante das corporações estrangeiras continua a crescer.


Macri, el humo y el látigo

Por Débora Mabaires, para Desacato.info.

Las manifestaciones de protesta multitudinarias y la pérdida del miedo a hacer públicas las quejas contra el gobierno de Mauricio Macri obligaron a los funcionarios a cambiar la estrategia comunicacional, mas no el plan de gobierno que sigue siendo el mismo basado en la opresión al trabajador, la desindustrialización y las altas tarifas de servicios e impuestos.

Mientras  los medios opositores dicen que Mauricio Macri no tiene en cuenta los reclamos, en los últimos días el gobierno, con precisión de cirujano, utilizó algunos temas sensibles para direccionar la opinión pública alejándola de los temas económicos que la aquejan.

En la semana previa al Día de la Mujer Trabajadora, funcionarios del gobierno salieron a hablar sobre la posibilidad de debatir en el Congreso de la Nación un proyecto de ley que garantice el aborto legal, seguro y gratuito. Inmediatamente generó expectativas entre quienes vienen luchando por este derecho y también grandes diatribas con quienes se oponen rotundamente con argumentos religiosos.

Macri se ha manifestado absolutamente en contra de sancionar una ley en este sentido y lo utiliza políticamente instalando el tema con fuerza en la prensa y la vida diaria de los argentinos. Astutamente, reivindicó el derecho al debate parlamentario del tema y, al menos públicamente, lo propicia mostrándose como alguien flexible y componedor.

Quienes hemos seguido la carrera política de Mauricio Macri lo hemos visto en el año 2012 boicotear la ley vigente y poner en peligro la vida de una mujer que había solicitado en la Ciudad de Buenos Aires un aborto legal. Había sido rescatada de  los tratantes de personas que la habían esclavizado con fines de explotación sexual y su caso encuadraba perfectamente en la ley vigente. Macri, avisó al abogado Pedro Javier Andereggen, apoderado de la Asociación Pro Familia, quien presentó durante la noche un recurso legal para impedirlo, al mismo tiempo que organizó una manifestación en la puerta del hospital donde se hallaba internada la víctima y, a hurtadillas, personas desconocidas entraron a la habitación de la mujer a los gritos para intentar detener el procedimiento médico, amparados en la orden de una jueza amiga de Mauricio Macri.

Habiendo visto este proceder espantoso sabemos perfectamente que esto se trata de una puesta en escena cuyos resultados aún son imprevisibles.

De manera coordinada, lanzaron otra bomba de humo para poner a la ciudadanía a discutir sobre los inmigrantes en otra típica maniobra de los gobiernos de derecha: cada vez que sus programas económicos empiezan a generar una reacción popular, apelan a la xenofobia para culpar a los extranjeros de ser los responsables de la debacle producida por las políticas de ajuste.

Esta vez, Mauricio Macri se mantuvo al margen del tema por las connotaciones negativas que podrían traerle, y mandó a sus espadas a acicatear a los bolivianos. Fue el gobernador de Jujuy, Gerardo Morales, el que lanzó una serie de mentiras e imprecisiones sobre el supuesto gasto extraordinario en salud que representa  la atención pública y gratuita de inmigrantes.

Esta bomba de humo aunque fue alentada desde los grupos mediáticos afines al gobierno, no creció demasiado porque los números de los diferentes ministerios de Salud provinciales la desmentían contundentemente. En promedio, sólo el 1% de las atenciones hospitalarias son inmigrantes, y casi todos, tienen residencia en Argentina.

Hoy el gobierno lanzó una nueva bomba de humo: pondrían precio máximo a los remedios más usados por los jubilados y pensionados. Esos  que Macri les quitó, ya que eran gratuitos y ahora deben pagarlos. En Argentina, todos sabemos lo que significa poner precios máximos. Por un tiempo se respetan, y luego, los empresarios hacen faltar esos productos, obligando a los compradores a comprar uno más caro. En el caso de los medicamentos, cambian la presentación quitándoles comprimidos o gramos a las cremas, y así, se produce la estafa.

Este tipo de anuncios le dan el aire que este gobierno estaba empezando a perder en los medios de comunicación.

En la vida real, las expresiones contra Macri son cada vez más desenfadadas y más populosas, por lo que el gobierno apela a la censura mediática y a la extorsión judicial contra los líderes de las protestas.

En los últimos días, fueron asaltados los domicilios de delegados sindicales que organizan las protestas del Instituto Nacional de Tecnología Industrial en sendos robos donde sólo se llevaron las computadoras personales y los teléfonos móviles.

Ayer, apresaron al intendente de Río Turbio, localidad donde se encuentra el conflicto laboral más importante del país: la huelga y protesta por los 450 trabajadores despedidos en los Yacimientos Carboníferos de Río Turbio, la única empresa minera estatal. El intendente Anastasio Pérez Osuna apoya el reclamo de los trabajadores.

El discurso gentil y la sonrisa fácil disimulan la mano de hierro que empuña el látigo que este gobierno de psicópatas azota contra el pueblo.

El plan para empobrecer a los argentinos y ponernos de rodillas ante las corporaciones extranjeras sigue gozando de buena salud.

 

Revisión: Tali Feld Gleiser

Debora MabairesDébora Mabaires é cronista e mora em Buenos Aires.

 

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