Luta criminalizada na bizarra cena política de Florianópolis no 2016 Parte 3


Foto: Míriam Santini de Abreu – Resultado da votação da moção de repúdio contra a o Sintraturb.

Por Míriam Santini de Abreu, para Desacato.info.

Duas sessões bizarras e representativas destes tempos brasileiros marcaram a semana da Câmara de Vereadores de Florianópolis. Na de terça-feira (20), um projeto tentou revogar uma lei de 1994 que declara Florianópolis e Havana, capital de Cuba, cidades-irmãs. Na de quarta-feira (21), a pauta girou em torno de duas moções de repúdio contra o Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana) e a CUT por terem organizado a Greve do dia 19. As duas iniciativas foram do vereador Bruno Souza, que é do PSB e ligado ao MBL.

Florianópolis tem ligações com outras 17 cidades de todo o mundo, como Mar Del Plata, Argentina, e San Diego, Estados Unidos. Mas Souza, claro, voltou a atenção para Havana, justificando que a lei não havia surtido efeito por não ter aproximado as duas cidades. Nem os vereadores de situação levaram a proposta a sério. Foram apenas três votos favoráveis, incluindo o de Souza. Ao vereador, que se diz liberal e é de um partido que leva no nome o Socialismo, restou esbravejar nas redes sociais, perguntando se a Câmara apoiaria uma “ditadura comunista”. Como uma figura dessas certamente se leva a sério – com isso não há o que brincar – está aí o germe de um belo estudo de caso, para fígados fortes, sobre o que se passa na política e na vida brasileiras neste 2016 Parte 3.

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Nesta quarta-feira, Souza voltou à carga com suas moções de repúdio. Desta vez, foram 15 votos pela aprovação, 6 contrários, 1 abstenção e 1 ausência, tendo como alvo o Sintraturb. Na segunda-feira entra em pauta a moção contra a CUT. Fora os vereadores de oposição, poucos da situação debateram o tema em Plenário. O vereador Dalmo Meneses, do PSD, conhecido por suas posições conservadores, lembrou que havia dito não mais votar em moções de repúdio e manifestou-se contrário, informando que o colega Souza protocolara as moções semana passada, antes mesmo da realização da Greve. Nas Galerias, lotadas de sindicalistas, sufocantes pela falta de ar-condicionado, reverberou o comentário de que Souza inovou: criou a moção de repúdio preventiva.

Mas não foi preciso convencer a maioria dos vereadores sobre a necessidade de criminalizar a luta dos trabalhadores no mais dramático período de perdas de direitos trabalhistas no país. Perceberam que não é preciso fechar as pontes para parar a cidade e ali, na Casa do Povo, a maioria disse Sim a um “corretivo” inócuo, mas simbólico destes pesados anos. Ao final da sessão, ficaram ecoando não as versões pútridas dadas por Souza sobre o significado da Greve, e sim uma certeza: por ora, a reforma da Previdência – alvo da luta – está enterrada.

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Míriam Santini de Abreu

Míriam Santini de Abreu é jornalista em Florianópolis.

1 COMENTÁRIO

  1. REnato Geske ( Renato da Farmácia) – PSOL, votando contra o povo, contra o trabalhador. Acho que está na hora de cobrar uma posição desse senhor.

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