Luta Antimanicomial: Banda São Doidão mostra que existem muitas formas de lidar com a loucura

2017-05-20 09:56

Músicos sobem ao palco para mostrar as habilidades de pessoas com sofrimento mental

banda

Por Rafaella Dotta.

Numa sala da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), campus Pampulha, os sete integrantes de um grupo musical conversavam e aqueciam as vozes para uma apresentação. Era dia 17 de maio, véspera da data marcada pela luta contra os manicômios. Mais uma chance para convencer o público de que doidas não são as pessoas que possuem sofrimento mental, mas sim a sociedade que constrói hospícios.

O grupo musical São Doidão é uma das experiências mais visíveis do método antimanicomial. É formado por oito integrantes, a maioria portadora de sofrimento mental e em tratamento terapêutico nos Centros de Referência São Paulo e da Pampulha, ambos em Belo Horizonte. O conjunto de violão e vozes interpreta músicas da MPB e também composições próprias: Canto do Peru, Amor de Favela e São Doidão.

Em 2009 o grupo recebeu o prêmio nacional “Loucos pela Diversidade”, do Ministério da Cultura e Fiocruz. Em 2013 conseguiu lançar o seu primeiro CD, o Devotos pelo São Doidão.

A origem

Wander Lopes, um dos integrantes mais antigos, está no grupo desde o início, em 2005. “Nós tivemos a iniciativa de organizar as pessoas que queriam continuar fazendo música e Helvécio se dispôs a coordenar”, explica. São Doidão foi, então, formado por portadores de sofrimento mental que já tinham conhecimentos na área e por músicos voluntários, como Helvécio Viana e, atualmente, Nando Araujo.

Porém, essa realidade mudou e hoje o grupo já se tornou, produtor de novos músicos. É o caso de Cristiano do Carmo, o mais novo integrante, que está há um mês ensaiando. Ele conheceu São Doidão através do Centro de Convivência que frequenta, que oferece oficinas de teatro, mosaico, música, pintura, crochê e outras habilidades. Cristiano defende que a arte é uma forma de cuidar das pessoas – mais do que uma terapia – e é um canal para extravasar a criatividade.

Buscando um olhar acolhedor

“A diferença está na visão que as pessoas têm de você. Quando elas te veem diferente, você sente”, conta Wander Lopes. Para quase todos os integrantes, o São Doidão é uma porta para a sociedade, para demonstrar que pessoas com sofrimento mental podem fazer muito mais do que você e eu imaginamos e, com isso, tentar derrubar os muros do isolamento. Ser visto sem preconceito é o grande objetivo.


Fonte: BrasildeFato

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