Líder das quebradeiras de coco é vítima de tentativa de homicídio no Piauí

“Eu já perdi as contas do quanto fui ameaçada, mas no dia 3 de março, foi a primeira vez que tentaram me matar”, conta Francisca Nascimento – Foto: MIQCB

Mais uma mulher e líder de sua comunidade está correndo risco de vida. De acordo com informações do site Piauí Hoje, a coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que reúne aproximadamente 350 mil trabalhadores nos estados do Piauí, Maranhão, Pará e Tocantins, a piauiense Francisca da Silva Nascimento, 36 anos, vai ser incluída no Programa de Proteção à Vida do Ministério da Justiça. Ela foi vítima de uma tentativa de homicídio no dia 3 de março, no município de São João do Araial, a 253 km de Teresina.

Neste sábado (17), um protesto cobrou agilidade do Ministério para dar proteção à Francisca e aos moradores das comunidades de São João do Arraial. Mais de 15 instituições, entre associações, federações, sindicatos, instituições não governamentais e comunidades tradicionais participaram da manifestação.

“A gente está querendo fazer essa denúncia, evitar que uma tragédia maior aconteça. Que a justiça seja feita, que se faça alguma coisa. Para que esse ato fortaleça a tomada de providência sobre esse fato, porque é uma preocupação para as comunidades”, ressaltou a coordenadora. Desde novembro, 300 famílias de 20 comunidades fazem um mutirão para limpeza de um açude no município de São João do Arraial, para ter acesso à água do açude Santa Rosa.

“Eu já perdi as contas do quanto fui ameaçada, mas no dia 3 de março, foi a primeira vez que tentaram me matar. Eu fui abordada por um casal. Estava em uma moto com a minha irmã, quando a mulher me abordou e começou a conversar, o marido dela veio por trás com uma ‘faca de cozinha’ e tentou me furar. Rapidamente, eu percebi, gritei, e o empurrei. Minha irmã ‘arrancou com a moto’ e conseguimos sair de lá”, lembrou Francisca Nascimento.

“A gente está na retomada de água, de um açude que foi arrombado  mais de dez anos. Eles tinham arrombado a represa da água e isso trouxe muitos prejuízos, porque ficamos sem água para viver. Cortaram a parede que segurava a água para nós. Secaram o açude para que eles fizessem uma roça, plantar arroz, essas coisas. Estamos sofrendo por água”, acrescentou a líder.

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