Lava Jato contra-ataca e PF de Moro coloca Guido Mantega na mira novamente

O ex-ministro é novamente acusado de receber pagamentos indevidos da Odebrecht em troca da aprovação de medidas provisórias; PF cumpre mandado de busca e apreensão em São Paulo

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Lava Jato iniciou nesta quarta-feira (21) a sua 63ª fase, intitulada “Carbonara Chimica”, e novamente tem como alvo o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff, Guido Mantega. Acusado de receber pagamentos indevidos da Odebrecht em troca da aprovação de medidas provisórias, Mantega pode ver toda a história de 2015 se repetir.

Apesar de Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), já ter suspendido em 2018 a ação penal contra o ex-ministro na Operação Lava Jato, Mantega novamente entrou na mira da PF. Acusado de ser o “Pós-Itália” na lista de propinas da Odebrecht, Guido está na lista dos 11 mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) de Sérgio Moro, junto com o “Italiano” Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda no governo Lula e da Casa Civil no mandato da ex-presidente Dilma.

As tais “medidas provisórias”, de acordo com a PF, permitiriam o refinanciamento de dívidas fiscais e a utilização de prejuízos fiscais das empresas como forma de pagamento. Além dos 11 mandados de busca e apreensão, a Polícia Federal também está cumprindo dois mandados de prisão temporária, mas não informou quem são os alvos.

A perseguição contra Guido Mantega se iniciou em 2015, quando o ex-ministro foi alvo de suspeita de atuação para modificar decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a favor de uma empresa. Apesar de comprovada isenção de indícios criminosos, Mantega virou alvo de mobilizações midiáticas que buscavam embasar a opinião pública a favor de sua acusação.

Quebra de sigilos

Porém, não foi apenas uma perseguição da imprensa. Procuradores da República e delegados da Polícia Federal também iniciaram uma empreitada para acusar Mantega. Os investigadores pediram a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro, que também foi obrigado a prestar depoimento, em condução coercitiva, e teve a sua casa varrida em mandado de busca e apreensão.

As consequências na opinião pública de tal tratamento violento e desumano, tanto por parte da mídia quanto pela Polícia Federal, foram constatadas quando Mantega foi hostilizado por manifestantes no Hospital Albert Einstein, enquanto acompanhava a sua esposa em tratamento de câncer, em São Paulo. Reconhecido no salão onde fica a lanchonete, ele foi alvo de insultos. Num vídeo gravado e divulgado pelo YouTube, é possível ouvir alguém gritar “vai para o SUS”.

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