JTT: um lançamento histórico para a comunicação livre e de resistência

Por Rosângela Bion de Assis, para Desacato. info.

Lançar o Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras no próximo dia 12 de junho, segunda-feira, é para todos e todas da Cooperativa Comunicacional Sul, com certeza, o maior desafio assumido por nós. Chorei emocionada todas as vezes que assisti o programa piloto, lançado em 10 de maio. Eram lágrimas felizes pela conquista, mas também eram doloridas pelos momentos duros, de misérias humana e financeira, que passamos para chegar àquele programa. Em 2016, quando planejávamos quais projetos marcariam os 10 anos do Portal Desacato, foi consenso priorizar a realização do Jornal em WebTV e WebRádio.

Tali Feld Gleiser, Raul Fitipaldi, Juan Luis Berterretche, Caroline Dall’Agnol, Janaíma Machado, Luca Gebara, Marcelo Luiz Zapelini, Mayara Santos, Silvia Agostini, e do Oeste do estado: Cláudia Weinman, Julia Saggioratto e Pedro Pinheiro formam a equipe do Jornal. São profissionais valorosos que respiram esse desejo que Trabalhadores e Trabalhadoras possam ter ‘A OUTRA INFORMAÇÃO’, produzida por jornalistas de esquerda para os explorados, criminalizados e invisibilizados pela mídia fascista. Tali, Raul e Juan, do grupo fundador do Portal, são exemplos diários de dedicação e coerência política e lá se vão 10 anos. Hoje temos muitos grupos descobrindo as redes sociais e a Internet, mas manter-se tanto tempo num projeto que não pára de crescer, de se atualizar e se reorganizar, isso realmente é algo raro. Ter um Portal que alcança, nos primeiros cinco meses de 2017, 800 mil visualizações é incrível.

Sonho antigo

Na década de 80, conheci Samuel Pantoja, Luciano Faria, Gastão Cassel, Sandra Werle, Maria José Coelho e tantos outros que trabalhavam para Sindicatos, que há poucos anos haviam derrotava direções pelegas e implementavam projetos de comunicação baseados em princípios jornalísticos. Adelmo Genro ainda estava entre nós e nos inspirava. Em 1992, fiz parte do grupo que fechou três edições do jornal da Greve Geral, unificando os jornalistas que trabalhavam no Sinergia, Sindicato dos Bancários e Sinte. Aquele sonho do jornal unificado inspirou o JTT.

Em janeiro de 2017, eu, Raul Fitipaldi e Caroline Dall’Agnol, começamos a levar o projeto para entidades, escritórios de profissionais liberais e para outros jornalistas. Após o golpe de 2016, a conjuntura veio especialmente perversa e violenta para os explorados. Entre uma cobertura das manifestações contra o Pacote de Maldades do Prefeito e um Dia de Luta contra as Reformas da Previdência e Trabalhista íamos mostrando como o jornalismo independente realizava coberturas jornalísticas qualificadas. A do Dia Internacional da Mulher integrou a cobertura de 11 países.

Ao longo dos meses, aprofundamos o debate sobre conteúdo e formato, o jornal passou a chamar-se: Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras (JTT), para dar o recorte de gênero com o qual nos identificamos e que será a base da linha editorial.

A gente quer mais, muito mais

O jornal que será lançado em 12 de junho ainda não será diário. Com o apoio do Sindpd (Sindicato dos empregados em Processamento de Dados de Santa Catarina), do Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis), do Sinasefe – Seção Sindical IFSC, do MCA (escritório Contábil), e do SLPG (escritório de Advocacia), o JTT será inicialmente semanal. Mesmo assim, ele será um fato totalmente inédito na história da comunicação do nosso país. Nunca uma Cooperativa de Comunicação aceitou o desafio de realizar um jornal semanal para a classe trabalhadora, com apoiadores que não vão interferir na liberdade jornalística dos profissionais.

Nos primeiros meses, principalmente, teremos uma infinidade de questões a melhorar. Vamos aprender muito todos os dias e reaprender no dia seguinte, porque não vamos nos conformar até termos um programa lindo. Gravado nas ruas, rico de informação, com coberturas culturais, da Câmara de Vereadores e da Assembleia Legislativa, enfim o JTT que a classe trabalhadora merece.

Nenhum projeto tão ousado começa grande. Mas, tenho certeza que muitos se somarão em breve. Há muitas entidades, neste momento, discutindo a adesão. E assim como trabalhamos diariamente na construção de redes solidárias de comunicação, formaremos uma grande rede solidária em torno do Jornal dos Trabalhadores e Trabalhadoras. Serão mais que apoiadores, serão pessoas, entidades e empresas de pequeno porte que entenderão e defenderão um projeto que ampliará o acesso à informação e será fonte de informação constante, em contraposição aos monopólios decadentes. E com essa rede ampliada e fortalecida chegaremos ao JTT diário: nossa próxima meta.

Tudo isso porque temos na Cooperativa algo que nos torna únicos: somos apaixonados pelo jornalismo que não negocia seus princípios e não abre mão da sua liberdade.

Rosangela Bion de Assis
Jornalista desde 1988, e Presidenta da Cooperativa Comunicacional Sul.

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