Infectados pelo novo coronavírus passam de meio milhão de casos no mundo

Apenas nos últimos dois dias, foram mais de 100 mil casos. Número de mortos pelo novo coronavírus passa de 23 mil

Imagem de Olga Lionart por Pixabay.

Por Gabriel Valery.

São Paulo – Os números da pandemia da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, seguem em crescimento exponencial. Na tarde de ontem, (26), os infectados superaram a marca de meio milhão de casos no mundo. Até o fechamento desta reportagem, são 509.427 casos, sendo 367.197 doentes, 122.226 curados e 23.004 mortos.

Foram 100 mil casos nos últimos dois dias. A subnotificação é uma realidade em todo o mundo. No Brasil, estima-se que para cada caso, existam outros 10 não diagnosticados.

O vírus começou a circular no fim do ano em Wuhan, capital da província de Hubei, na China central. No Brasil, o primeiro caso foi diagnosticado há um mês. E no início de março o mundo todo já registrava números alarmantes. O norte da Itália e o Irã apresentaram rápido crescimento de casos e grande letalidade.

Nos últimos dias, epicentros locais se espalharam pelo globo. Em destaque a Espanha, que entrou em uma curva de contágios agressiva poucas semanas depois da Itália e hoje já apresentar grande número de mortos. Alemanha, França e Reino Unido também passaram a apresentar problemas sérios relacionado à grande quantidade de infectados.

A expectativa da Organização Mundial da Saúde é de que os Estados Unidos seja o próximo grande epicentro de casos no mundo da doença. Nos últimos dias, o novo coronavírus se disseminou violentamente no país. Os casos estão dobrando a cada três dias no estado de Nova York. O estado apresenta “números astronômicos”, nas palavras do governador, Andrew Cuomo. São mais de 30 mil casos e quase 300 mortos.

O ápice da crise nos Estados Unidos deve chegar em um prazo de 14 a 20 dias, de acordo com autoridades locais. Nova York tem mais de 4 mil pessoas internadas.

A quantidade de internações, entretanto, vem reduzindo seu ritmo de crescimento. Ontem, Cuomo comemorou os primeiros sinais de que uma forte quarentena no estado passou a ter resultados positivos. A nova expectativa é que a gravidade dos casos no mundo dobre de intensidade a cada quatro ou sete dias, a partir de hoje. “Quase bom demais para ser verdade”, disse.

Curva de casos (em vermelho) e mortes (em cinza). Espiral é ascendente

Os dados

China

A China, primeiro local impactado pelo novo coronavírus, já superou a pior parte do surto. De 81.285 casos desde dezembro do ano passado, atualmente estão ativos apenas 3.947. A província de Hubei já não apresenta mais transmissão local da doença e o país se prepara para voltar à normalidade nas próximas duas semanas. Foram registradas 3.287 mortes.

Itália

Na sequência vem o país com o panorama mais delicado. A Itália ainda viu a curva de casos reduzir, embora as mortes pareçam ter se estabilizado. Estabilidade ainda em números alarmantes. As mortes sempre são mais do que 600 por dia, nos últimos cinco dias. São 80.539 casos, sendo 62.013 ativos; 10.361 recuperados; e a enorme quantidade de 8.165 mortes. O país apresenta a maior mortalidade pelo vírus que, no geral, fica em torno de 2%. No país europeu, essa porcentagem fica próxima a 10%.

Espanha

A Espanha vive um momento delicado. Hoje, as mortes superaram as chinesas, chegando a 4.145. Os casos estão em 56.197, sendo que 7.015 foram curados e 45.037 estão ativos. O país está no 12o dia de quarentena completa, mesmo assim os casos não param de subir. Estima-se que o pico esteja próximo. Apenas ontem (25), morreram 655 pessoas.

Estados Unidos e Inglaterra

Os norte-americanos vivem a maior curva de ascensão de casos já registrada. Isso, talvez, se deva ao fato de que o país realiza uma grande quantidade de testes. Outro fator que atrapalhou a contensão do novo coronavírus foi a ação lerda do poder público, que demorou para anunciar as quarentenas.

Até o momento desta reportagem, o número de casos era de 75.120, sendo 72.176 ativos, 1.863 curados e 1.081 mortos.

Já a Inglaterra também seguiu uma estratégia de evitar o isolamento social no início. A ampliação expressiva dos casos fez com que o primeiro-ministro, Boris Johnson, recuasse na estratégia e decretasse quarentenas massivas. Os casos estão em 7.973, sendo fatais 371.

Alemanha

Os alemães seguem uma estratégia firme de controle do novo coronavírus. O país promove ampla quantidade de testes e possui uma das menores letalidades. A chanceler, Angela Merkel, conduz os casos com amplo pacote de assistência social e políticas rigorosas de controle da propagação. São 40.585 casos confirmados, sendo 34.687 ativos; 5.669 curados; e 229 mortes.

Brasil

O Brasil ainda está no início da curva de crescimento do número de casos e mortes. Por ter sido afetado depois da maioria dos países, seria possível seguir as melhores práticas. Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro segue ironizando a doença e ignorando recomendações de órgãos de saúde.

À revelia do presidente, governadores e prefeitos fazem parte da lição de casa. Quarentenas foram decretadas, especialmente no maior epicentro da doença no país, São Paulo. O pior ainda está por vir, o ápice deve chegar a partir do fim de agosto, quando o Ministério da Saúde já anunciou que o sistema de atenção deve entrar em colapso.

O último balanço no país dá conta de 2.915 casos, seis recuperações e 78 mortes.

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