Imperialismo e sionismo querem a guerra

Por Ângelo Alves.

A situação no Oriente Médio revela claramente a estratégia do imperialismo de boicotar o campo diplomático, intensificando o uso da guerra para tentar manter a instabilidade e posições na região.

Tal como analisamos em devido tempo, as derrotas militares dos EUA e dos seus mais diretos aliados na Síria não significaram o fim dos perigos para os povos daquele país e da região. Os acontecimentos confirmam a nossa análise. Os EUA, Israel e também a França (agora mais ativa) fizeram tudo o que estava ao seu alcance para boicotar a realização, no final de janeiro em Sochi, do Congresso Nacional para o Diálogo Sírio. A razão do boicote é simples, aquelas potências não controlam nem determinam o processo de Sochi e, tão importante como isso, as bases do processo de Sochi partem da defesa da soberania e integridade territorial da Síria e não contemplam a rendição incondicional daquele Estado e a sua posterior divisão sectária.

Tudo foi feito para cortar caminho à negociação política e diplomática em Sochi. Em Viena forjaram-se falsas negociações para tentar esvaziar aquele processo, o documento entregue à delegação síria não era mais do que uma provocação, exigindo a deposição imediata de Bashar Al-Assad.

Em Paris, quase em simultâneo com o encontro de Sochi a França realizava uma Conferência visando a deposição de Bashar Al-Assad a pretexto da acusação que os próprios EUA dizem não conseguir provar do uso de armas químicas. No terreno, os EUA avançaram com uma enorme provocação no Nordeste sírio com o anúncio da criação de uma força militar dita de fronteira, na prática um salto no armamento dos grupos árabe-curdos que integram a chamada “coligação democrática internacional” e no avanço da ocupação militar dos EUA naquela região síria. O fato levaria a Turquia a intervir em território sírio visando milícias curdas, elemento que serviria de justificação para que uma fração curda financiada e armada pelas potências ocidentais, nomeadamente pela França, (YPG), anunciasse que não iria participar no Congresso Nacional para o Diálogo Sírio em Sochi. Por sua vez, a Arábia Saudita deu indicações a autointitulada “Comissão de Negociações Síria” – um grupo político com sede em Riad que representa uma fracção síria beduína com forte ligação aos sauditas – para não participar no Congresso de Sochi. No final, o Congresso de Sochi realizou-se, envolveu a vasta maioria das frações sírias e cerca de 1500 personalidades daquele país e nomeou uma comissão constituinte que irá rever a atual Constituição Síria.

Mas a resposta de Israel e dos EUA não se fez esperar: na noite de 7 para 8 de fevereiro os EUA bombardearam e mataram cerca de 100 militares leais ao governo sírio, num ataque à Síria e, cada vez mais direto, à Rússia.

Por sua vez, e depois de várias provocações, no passado dia 10 de fevereiro Israel lançou um dos maiores ataques aéreos em território sírio dos últimos anos e leva a cabo um conjunto de provocações que podem conduzir a uma nova guerra contra o Líbano. A máscara do “combate ao terrorismo” caiu de vez, o imperialismo e o sionismo querem a guerra e para isso cortam todos os caminhos da paz.

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