IELA faz quinze anos

Durante todo o mês de junho, até a data do aniversário, recordaremos momentos importantes desses 15 anos de vida. No dia 10 de julho o IELA promove a celebração oficial, às 18h e 30min, no CSE, afinal, 15 anos é um marco importante da consolidação do trabalho desenvolvido. 

Por Elaine Tavares.

O ano é 2004. A América Latina inicia um processo de mudança. Vários governos de espectro popular começam a aparecer. As lutas sociais dos anos 90 parecem empurrar vitórias. Esse é o ano em que quatro trabalhadores da UFSC decidem criar um projeto de estudos sobre a América Latina. Nildo Ouriques, Beatriz Paiva, Elaine Tavares e Raquel Moyses. Coisa singela, observação da mídia e análise. O trabalho começou numa pequena salinha do Departamento de Serviço Social, na Universidade Federal de Santa Catarina, e foi registrado o seu nascimento no dia sete de julho. Em poucos meses já apresentava resultados. Uma página na Internet para divulgação das notícias e análises e a primeira edição das Jornadas Bolivarianas. Através do então Observatório Latino-Americano (OLA) ia se descortinando uma América Latina ainda desconhecida da maioria dos brasileiros.

No ano seguinte, novos professores, que também já trabalhavam com a temática latino-americana foram se aproximando. O OLA tinha uma direção bem definida: pensamento crítico, anti-eurocêntrico e anticapitalista. Nesse marco, foi crescendo. Em 2006 já estava grande demais, com outros pesquisadores brasileiros e de países latinos-americanos querendo participar do projeto. Então, pensou-se na criação de um instituto de estudos, que fosse público e da UFSC, transcendendo assim ao projeto de pesquisa. No dia 19 de agosto, o então reitor Lucio Botelho, assina a portaria da criação do IELA e o trabalho não para mais de crescer.

Seminários, conferências, novos projetos, cursos livres, tudo isso vai se somando e constituindo o patrimônio intelectual do IELA. Em nível nacional também chegam novos parceiros e o IELA promove, em 2009, a criação da Rebela, Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos, unindo pesquisadores de nove universidades brasileiras. Também em 2009, depois de longas tratativas no MEC, a professora Beatriz Paiva consegue recursos para a construção de um espaço próprio para o Instituto e em 2010 as novas dependências são inauguradas. Mais espaço, mais gente , mais projetos. Fortalecem-se os grupos de estudos, com a leitura atenta dos autores latino-americanos que estão fora das bibliografias universitárias.

Nasce o Circula, Circuito de Cinema Latino-Americano e Caribenho Alí Primera, buscando oferecer ao público universitário um acervo de filmes produzidos na Pátria Grande, sempre com debates e discussões.

Consolidam-se as Jornadas Bolivarianas como o evento anual mais importante do IELA, trazendo intelectuais da América Latina e de outros espaços do mundo para discutir temas de interesse nacional e latino-americano.  A rede de intelectuais vai se ampliando e em 2011 nasce a Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos, justamente para servir de espaço de divulgação do pensamento crítico que floresce em todo o continente.

Em 2013 o IELA promove mais uma ousadia, trazendo para Florianópolis o Encontro Mundial de Economia Política, recebendo mais de 60 professores e pesquisadores chineses, e outros tantos da Europa e Estados Unidos  num evento gigante, ampliado ainda mais as fronteiras do debate crítico sobre os temas candentes do planeta.

Não bastasse isso, o instituto fortalece sua política de comunicação avançando no campo audiovisual, produzindo entrevistas e programas que ampliam ainda mais o espaço para o pensamento crítico. Também se envolve no ramo editorial com o lançamento da Coleção Pátria Grande – Biblioteca do Pensamento Crítico latino-Americano, publicando clássicos do pensamento desse continente.  Em 2016 é produzido o primeiro programa Pensamento Crítico, um espaço de debate que sai do espectro da internet e encontra parceria junto a TV UFSC, de canal aberto, aumentando assim a sua relação com a comunidade. O programa passa a ser uma referência do pensamento crítico em nível nacional.

Agora, em 2019, o IELA comemora os seus quinze anos. Uma data importante para esse que é o primeiro Instituto de Estudos Latino-Americanos do Brasil. Marca um ponto de profunda solidez, com pesquisadores de qualidade e uma sempre atenta mirada sobre a Pátria Grande.

Nesses quinze anos de vida, o IELA já formou pelo menos três gerações de novos pesquisadores, novos intelectuais. Muitos dos que passaram por aqui na condição de aluno ou aluna, hoje estão nas universidades, dado aula, fazendo pesquisa, atuando com o pensamento crítico e com a América latina. Outros encontram espaço nas empresas públicas e estatais também formulando conhecimento comprometido com “Nuestra América”.  E outros tantos seguem pela vida carregando o conhecimento que constituíram nesses espaços, igualmente empenhados na construção da Pátria Grande.

O IELA, hoje quinceanero, é um lugar de belezas e de lutas. Bolivariano, porque tomado pela proposta de uma unidade latino-americana soberana e livre. Brasileiro, porque completamente comprometido com a realidade nacional, e internacionalista porque sabedor de que a transformação não acontece isoladamente.

O IELA embala o pensamento crítico e desvela a América Grande para todos nós.

Feliz aniversário, Feliz 15 anos. Vida longa e próspera.

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