Iara Germer e a força da religiosidade afro no álbum “Proteção”

Publicado em: 10/08/2017 às 19:01
Iara Germer e a força da religiosidade afro no álbum “Proteção”

Iemanjá, Iansã, Oxum e Nanã, divindades femininas da religiosidade afro-brasileira são evocadas em “Proteção”, música que dá nome ao primeiro álbum de Iara Germer. A compositora gravou as músicas com recursos próprios, e agora conta com o apoio do público para a finalização e lançamento. Com R$ 30 é possível adquirir um CD por meio da adesão à campanha de financiamento coletivo, que segue até 10 de agosto no site benfeitoria.com. O show de lançamento será em 19 de setembro, às 20h, no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), em Florianópolis. O álbum tem direção musical de Rafael Calegari e participações especiais de Dandara Manoela, Tatiana Cobbett e Jana Gularte, que dão voz em coro a três canções.

Totalmente autoral, o CD apresenta obras que remetem a religiões de matriz africana na temática poética, e nos gêneros musicais que dela originam, como o samba. Proteção traz a força dos cantos, da reza e do tambor em músicas como “Sete Orixás”, “Sereia cantou”, “Canta quem é de cantar” e “Canto Inocente”. “O samba é resistência. Mesmo que seja um canto triste, traz uma vontade, uma esperança, e essa é uma característica da música brasileira”, afirma Iara. As dez faixas, no entanto, vão além do samba, refletindo o universo musical brasileiro.

Canto afro
Inspirada em Clara Nunes, Baden Powell, Vinícius de Moraes e Paulo Cesar Pinheiro, a gaúcha radicada em Florianópolis começou a cantar profissionalmente em 2008. Desde então, dividiu o palco com músicos renomados da cena local, em espaços culturais de Florianópolis. Entre outros espetáculos estão “Iara Canta Baden Powell”, “Som para Orixá”, “Encontro com Vinicius” e “Canto Negro”, seu primeiro show, no qual apresentou sambas sobre a escravidão.

“Sou encantada pela temática. Quando pequena, ficava sob os cuidados de uma Yalorixá para que minha mãe pudesse trabalhar. Embora nunca tenha praticado nenhuma religião, a religiosidade afro-brasileira e toda sua musicalidade me tocam. Acho linda a forma como lidam com as questões da vida, fazendo relações com fenômenos da natureza”.

Compor é uma atividade ainda mais recente na vida da cantora. O tempo livre após exercer ativamente a advocacia por mais de 20 anos permitiu que Iara se dedicasse à criação, sozinha ou em parcerias com diversos instrumentistas que procuram a compositora para letrar suas músicas. Seu potencial criador se expandiu ainda mais quando passou a frequentar saraus, na casa da artista plástica Tita Schames e do instrumentista Gilnei Silveira. Um retrato da compositora em xilogravura foi criado por Tita especialmente para a capa do CD. “Sou infinitamente grata às queridas amigas, a artista plástica Tita Schames e à cantora e compositora Tatiana Cobbett por me instigarem e estimularem. Graças a elas, criei coragem pra mostrar um pouco do que me vai na alma”, revela Iara.

O CD tem ainda Pedro Loch no violão, Thiago Larroyd no cavaco e bandolim, Neno Moura na percussão e bateria, Alexandre Damaria na percussão, Fábio Mello no saxofone e flauta, e Calegari no contrabaixo.

Goldem Fonseca1

Paula Guimarães | jornalista
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