Hoje na História: 1879 – Zulus impõem a maior derrota do Império Britânico na África

Exército zulu composto por 20 mil homens surpreendeu e derrotou tropas britânicas estacionadas em Isandhlwana

Exército zulu composto por 20 mil homens surpreendeu e derrotou tropas britânicas estacionadas em Isandhlwana (Foto: Reprodução)

Por Max Altman.

Em 22 de janeiro de 1879, um exército zulu composto por 20 mil homens atacava os ingleses em Isandhlwana, na região do Transvaal, na África austral. Os autores do ataque são os herdeiros da nação guerreira fundada algumas décadas antes pelo famoso rei Chaka.

Excessivamente confiantes de sua superioridade, os ingleses foram negligentes e pouco fortificaram seu acampamento. Em menos de uma hora de combate contra os zulus, perdem de mil homens — mais baixas do que Batalha de Waterloo.

Os zulus perdem de seu lado perto de 2 mil homens. Foi a maior derrota da Inglaterra na África. A repercussão em Londres foi tremenda e o episódio iria precipitar a submissão da África austral.

Alguns anos antes, diamantes haviam sido descobertos na região de Kimberley, no limite com a colônia britânica do Cabo, do reino zulu e de pequenas comunidades de camponeses holandeses, os Boers. Sob intensa pressão dos colonos e dos prospectores de diamantes, o governador do Cabo, sir Bartle Frere, decidiu submeter ao seu domínio o conjunto da região. Com isso, lança ao rei zulu Cetewayo um ultimato.

Após o desastre de Isandhlwana, violentos debates ocorreram em Londres entre o austero William Gladstone, líder da oposição liberal (whig), e o primeiro-ministro conservador (tory) Benjamin Disraeli, no poder desde 1874 e ardoroso partidário das conquistas coloniais.

Ferido em seu amor próprio, o primeiro ministro envia 10 mil homens à África austral para combater os zulus. Depois de seis meses de campanhas sangrentas, os britânicos capturam por fim o rei Cetewayo, em 4 de julho de 1879. Era o fim das guerras zulus e logo o fim da África independente.

Os dirigentes europeus disputavam entre si quem chegava primeiro para fincar a bandeira de seu país em algum solo africano, as últimas terras sem dono do planeta, segundo eles. Toda essa corrida acontecia mesmo diante de uma opinião publica majoritariamente contrária a essas expedições custosas e sem objetivos suficientemente claros.

A exemplo de Benjamin Disraeli, o republicano francês Jules Ferry, o imperador alemão Guilherme I e o rei dos belgas Leopoldo II apoiavam-se em seus aventureiros militares para submeter a seus desígnios o continente africano retalhado a seu talante.

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