História da Ilha de Deus é contada pelas mulheres

Comunidade reverteu índices de violência com políticas públicas de acesso a renda

A Ilha é uma comunidade de pescadores que habitam o lugar há cerca de 60 anos / Divulgação

Por Vanessa Gonzaga.

A Ilha de Deus é uma Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), no Recife, entre os bairros da Imbiribeira e Pina, cercada pelos rios Jordão, Tejipió e Pina. A Ilha é uma comunidade de pescadores que habitam o lugar há cerca de 60 anos e que vivem, na sua maioria, da pesca do Sururu e cultivo do camarão orgânico, já que o local é um dos maiores manguezais urbanos do Brasil. Na década de 1980, o abandono e isolamento do local, onde só era possível chegar de barco, tornaram a região um esconderijo de criminosos, o que fez disparar os índices de violência no local, que passou a ser chamado de Ilha sem Deus.

Os índices de violência diminuíram a partir de projetos sociais de revitalização ambiental, turismo comunitário e cultura popular. As lideranças comunitárias do bairro, grande parte mulheres, começaram a pautar melhorias para a infraestrutura do local, como o fim das casas de palafita e a construção de uma ponte de concreto, que foi batizada de Vitória das Mulheres. O local, que tinha em média um homicídio por semana, chegou a ficar mais de quatro anos sem registrar mortes, um reflexo da efetivação das políticas implementadas no local. Hoje, cerca de 40% das famílias vivem da pesca na Ilha e o local vem se tornando uma referência na experiência de turismo comunitário.

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