Grupo Brasil: PSOL, vamos com a gente?

O Grupo Brasil junta movimentos populares e partidos políticos progressistas para constituir uma nova maioria democrática, mas sem o PSOL essa frente perderia um importante componente, já que o PSOL representa uma visão política de considerável representividade dentro do progressismo brasileiro.

Por Nicolas Chernavsky, CulturaPolítica.info.

Frente

Todos conhecemos uma infinidade de pessoas que simpatizam com o PT e o PSOL, simultaneamente. Essas pessoas não ficam presas à rivalidade tão obviamente contraproducente que vemos por aí em muitos discursos públicos. Talvez o eleitorado progressista que queira a colaboração entre as duas siglas possa finalmente dizer em alto e bom som que essa cisão no progressismo brasileiro só vai facilitar a volta do conservadorismo ao poder. A chance para essa interação é a formação do Grupo Brasil, que além de uma série de movimentos sociais de massa, conta com o PT e o PCdoB. Só falta o PSOL. Vamos lá!

A cisão do progressismo, como essa entre PT e PSOL, já causou uma série de desastres eleitorais na Europa, como por exemplo na Alemanha, na Espanha e em Portugal. O Brasil caminha para isso, e por isso é preciso aprender com a história e fazer o possível para reunificar o progressismo brasileiro. É verdade que o nascimento do PSOL foi influenciado pela expulsão de alguns parlamentares do PT, em 2003, decisão incorreta tomada pelo PT na época, e que isso é um componente que dificulta a aproximação agora. Mas as dificuldades para essa interação também têm um forte componente de diferença de visão política. Por isso, não é necessário que os dois partidos se fundam, mas que pelo menos consigam dialogar para, quando for preciso, juntar forças. E o Grupo Brasil é uma chance de se fazer esse diálogo, junto com o PCdoB e muitos movimentos sociais progressistas.

No dia 27 de junho passado houve uma reunião do Grupo Brasil em São Paulo, tendo sido marcada outra reunião para o dia 25 de julho. A iniciativa é importante porque após a eleições de 2014, explicitou-se o conservadorismo mais atrasado no Brasil, que deixou claro para todo mundo que estava de mau-humor com o PT que existe, sim, algo muito pior que o PT e que está pronto para substituí-lo na liderança do governo federal. Esse movimento, que deseja até mesmo um golpe de estado militar, como o de 1964, vem assustando o progressismo brasileiro. Por isso é importante o PSOL vir com a gente. Vamos dialogar, vamos até brigar, mas sem perder a noção de que na democracia as decisões se tomam por maioria, e isso vale também para as eleições. Perder eleições para marcar posição é uma tática discutível. Quando o conservadorismo vence as eleições, como há décadas ocorre no estado de São Paulo, nenhuma força progressista se beneficia.

Como vai se organizar o Grupo Brasil? Não sei. Mas é essencial que haja gente, muita gente. É no calor dos debates que surgem as formas de organização. Será que é algo que vai estar acima dos partidos? Será que é algo que vai formar um novo partido? Será que é um movimento social de massa? Seja lá o que for, os partidos políticos progressistas não podem ficar de fora, porque a democracia sem partidos é algo que, se algum dia existir, ainda precisa ser construído. Hoje, precisamos do PT, do PSOL e do PCdoB juntos liderando o progressismo brasileiro.

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