Greve: “Pela garantia do direito de não fazer greve”

Em São Miguel do Oeste, em 24 de maio de 2018.

Por Claudia Weinman, para Desacato. info. 

Fazer greve para garantir o direito de não fazer greve. A pauta da intervenção militar associada aos caminhoneiros no interior do estado soa discrepante ou então, em sintonia com a linha maior do golpe de estado. O problema eminente é que uma grande parcela da população continua despolitizada, assiste a movimentação, ou como chamam “paralisação” e decidem se conglutinar.

Hoje em São Miguel do Oeste lojas fecharam em um dos períodos da tarde. O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) autorizou lojas e supermercados a fazerem a limitação dos produtos. Até a universidade da cidade cancelou as aulas em apoio à greve dos caminhoneiros. Líderes de escolas que nunca liberaram estudantes para uma mobilização contra a reforma do ensino médio, ou do golpe na educação do estado, hoje permitiu a pintura da “CBF” nas ruas, com analogias visíveis ao movimento reacionário “Vem pra Rua”. Bem, vale lembrar que as cores que constituem a bandeira do nosso país estão embasadas no Brasil Império, então, também não causa espanto isso tudo que está acontecendo, faz parte do golpe que se desenvolve a cada dia, com novos ou velhos atores, seus diretores, a montagem do palco em espaços diversos.

A pauta divulgada na terça-feira, 22, em São Miguel do Oeste, por exemplo, começou com a reivindicação de melhores condições nas vias estaduais e federais, redução do preço do combustível, frete, etc, e agora chega com a demonstração fiel em defesa da intervenção militar para “barrar a corrupção”. Sustentar uma intervenção significa o cerceamento de qualquer direito, inclusive de se fazer greve, protesto, mobilização, agrupamento de pessoas em praças públicas, a devastação da dignidade, do pensar, do viver, etc… etc… Claro que na mídia convencional não se divulga: “Caminhoneiros apoiam intervenção militar”, isso aparece nas ruas, nas faixas, em espaços onde se pode cristalizar o pensamento utilizando estratégias.

O amargo disso tudo vem acompanhado de grandes perdas de direitos e das condições básicas na vida dos/as trabalhadores/as. O golpe que na história é movido por grupos que venderam e seguem vendendo as riquezas do país e matando operários e camponeses, povos do mundo, também tira do foco a principal luta da classe trabalhadora, que acontece na base. A disputa por cargos políticos vai acontecendo nas chamadas “instâncias” e o nosso lar mantem-se estancado em ódio nas ruas, comunidades, redes sociais virtuais.

Por outro lado, recordamos que nesse mesmo dia, 24 de maio de 2017, acontecia a luta maior por direitos. Falava-se, em diversos pontos do país, contra a reforma da previdência e trabalhista. Não era protesto patronal, mas mobilização de trabalhadores e trabalhadoras com alguma compreensão de classe. Questionavam-se as perdas ao direito a licença maternidade, décimo terceiro, férias, contra a terceirização e precarização da mão de obra, em defesa da previdência, da vida. Não tinha globo apoiando, nem proprietários de grandes empresas, nem a mídia regional com suas páginas de notícias falando sobre a lavagem de dinheiro feita pelos bancos, empreiteiras, etc. Só aí, dava pra sentir que a luta mesmo estava acontecendo no campo popular, no lugar de maior conflito pois contesta todos os atores do capital e seus negócios.

Depois de maio de 2017, outras tantas mobilizações nesse mesmo viés aconteceram, mas ainda falta aquele trabalho de base capaz de mobilizar mais e mais e que repudie que aconteçam movimentos reacionários e que o país caia de vez nas mãos dos generais.

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Claudia Weinman é jornalista, diretora regional da Cooperativa Comunicacional Sul no Extremo Oeste de Santa Catarina. Militante do coletivo da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR).

1 COMENTÁRIO

  1. não apoiar este movimento é dar as costas para os trabalhadores independente de alguns posicionamentos a direita neste movimento é preciso ocupar este espaço, o MST tem dado em alguns lugares apoio ao movimento, vamos dar as costas de novo? Uma esquerda ressentida não vai a lugar nenhum

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