França pede ajuda médica de Cuba para combater covid-19 em territórios ultramarinos

Departamentos franceses de Martinica, Guadalupe, Guiana Francesa e Saint-Pierre-et-Miquelon receberão brigadas médicas cubanas para enfrentar pandemia de coronavírus

Departamentos franceses de Martinica, Guadalupe, Guiana Francesa e Saint-Pierre-et-Miquelon receberão brigadas médicas cubanas. Foto: Ministro das RREE

O governo francês aceitou nesta terça-feira (31/03) receber a ajuda médica oferecida por Cuba para combater a pandemia do coronavírus nos territórios ultramarinos franceses de Martinica, Guadalupe, Guiana Francesa e Saint-Pierre-et-Miquelon, todos situados na América.

Segundo a agência francesa RFI, a decisão visa suprir a falta de pessoal hospitalar em nos departamentos ultramarinos.

A senadora francesa eleita pela Martinica, Catherine Conconne (Partido Progressista da Martinica), que já tinha participado da revisão da lei de bases do sistema de saúde em 2019, saudou a iniciativa do governo francês.

“[A medida] foi tomada principalmente para fortalecer os nossos centros hospitalares universitários. Faltam algumas especialidades médicas e temos dificuldade em trazer médicos da Europa. Esta decisão nos permite beneficiar dos recursos fraternais cubanos. Então, para mim, isto é uma vitória, uma grande alegria. Que este decreto chegue em meio de uma crise de coronavírus é muito bom”, afirmou a senadora à RFI.

A iniciativa do pedido foi tomada por deputados franceses oriundos de diversos setores políticos que, em 21 de março, endereçaram uma carta ao premiê Edouard Philippe, exigindo ajuda médica cubana para combater a pandemia do coronavírus.

“Pedimos que peça ao governo cubano que disponibilize sem demora recursos médicos no âmbito da cooperação internacional para lidar com a emergência”, diz a carta.

Os signatários, em sua maioria pertencentes ao grupo de amizade França-Cuba na Assembleia Nacional, asseguraram que “o governo de Cuba declarou a sua disponibilidade para enviar uma brigada médica para as nossas regiões mais afetadas”.

Michel Lambert, presidente do grupo e ex-membro do parlamento francês, citado pelo Le Figaro, afirmou que “Cuba desenvolveu, de fato, uma perícia rara na gestão de crises epidêmicas de saúde em todos os continentes. Cuba tem recursos humanos especializados prontos para agir”.

O governo cubano já havia respondido ao apelo da Itália enviando em 21 de março para a Lombardia, a região mais afetada pela pandemia, uma equipa de 52 médicos e enfermeiros, alguns dos quais combateram a epidemia de ebola na África.

Segundo dados do Index Mundi, em 2019 Cuba era o país do mundo com o maior número de médicos per capita, com 8,19 médicos por 1.000 habitantes.

Esta é uma posição bem acima de outros países, como a Suécia, com 5,4 médicos por 1.000 habitantes, a Suíça (4,24), a França (3,23), os Estados Unidos (2,59) ou o Brasil (2,65).

*Com Sputnik

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