Focos de queimadas aumentam 106% após decreto que proíbe uso do fogo

Foto: Fernando Alves/Governo de Tocantins

Como resposta às queimadas na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro assinou, no último dia 28, o decreto que proibiu por 60 dias o uso do fogo no Brasil, mas dois dias depois, o governo federal lançou uma edição extra do Diário Oficial e alterou o texto original do documento. Com a mudança, a proibição às queimadas que seria para o país todo, passou a valer apenas para a região Amazônica

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que, nas primeiras 24 horas após a assinatura do decreto, o número de focos de queimadas aumentou 106% na região.

A proibição das queimadas é importante, porém, a medida por si só não é suficiente para resolver o problema do fogo na Amazônia.

“Esses números são a evidência mais concreta de que não será por decreto que Bolsonaro controlará a onda de fogo que varre a Amazônia”, diz Danicley de Aguiar, da campanha de Amazônia do Greenpeace. “O decreto precisa ser acompanhando de medidas reais e efetivas de comando e controle na região e associado a uma estratégia consistente de fiscalização e monitoramento, coordenada pelo Ibama e ICMBio”, completa ele.

Ainda segundo os dados do Inpe, entre janeiro e julho de 2019, 1.862.900 hectares foram queimados na Amazônia, o que equivale a aproximadamente 3 vezes a área da cidade de Brasília.

“Dado o histórico de ilegalidade na Amazônia, fica evidente que quem atua de forma ilegal não tem a menor intenção de solicitar autorização ou mesmo cumprir as leis ou um decreto presidencial”, afirma Danicley. “Tão importante quanto controlar os incêndios, seria o governo Bolsonaro decretar o fim da agenda anti-ambiental que ele mesmo vem promovendo desde que assumiu seu mandato”, conclui.

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