Florianópolis: uma cidade a se ganhar

Por Elaine Tavares.

As eleições municipais já estão chegando e, com elas, se acirra a disputa pelo voto e confiança do eleitor. A cada quatro anos, vê-se a mesma coisa. Belos discursos, muitas promessas, mas, ao final, o que fica é um gosto amargo de engano e abandono. Só que como os políticos apostam no esquecimento do eleitor, boa parte deles retorna com a mesma retórica, esperando enrolar outra vez o morador da cidade que vive cotidianamente tentando sobreviver ao arrocho que lhe é imposto pela classe dominante. Por conta disso, é sempre bom ter bem claro quais são as forças que estão em disputa e o que cada candidatura representa. Com isso bem vivo na memória, ninguém poderá dizer que foi enganado.

Veja o que está em disputa, quem são os candidatos e quais as propostas

O que está em disputa

A cidade de Florianópolis é a capital de Santa Catarina e, além da ilha, tem também uma parte continental, perfazendo 433 quilômetros quadrados. Nesse espaço geográfico vicejam em beleza mais de 100 praias, talvez o mais importante patrimônio do município. A população passa dos 427 mil, segundo o Censo de 2011, e a tendência é aumentar significativamente nos próximos anos uma vez que a cada dia aportam cerca de quinze (15) novas pessoas na cidade buscando aquilo que a propaganda oficial tanto apregoa: qualidade de vida. Até bem pouco tempo a cidade era um pacato reduto de funcionários públicos, mas desde o final dos anos 80, com a explosão migratória, a cidade inchou. Nos anos 90, Florianópolis foi “descoberta” pelas construtoras que começaram a edificar como loucas, apostando principalmente nos enormes espigões, verticalizando a vida. Foi aí também que a cidade começou a ser “vendida” como um dos melhores lugares do país para se viver.

Aos poucos Florianópolis entrou no circuito turístico e empreendimentos como o Costão do Santinho e Costão Golf passaram a dar a linha de um turismo para a classe A. Comunidades inteiras foram varridas das beiras de mar e, no lugar delas, subiram os condomínios, os hotéis, as construções de luxo. Praias como a Brava, por exemplo, que eram paraísos naturais, foram devastadas e as máquinas ergueram prédios onde antes a natureza vibrava em beleza. Ou seja, a paisagem passou a ser apenas o mar, cenário exótico para férias de luxo. Aos poucos, os moradores da cidade foram perdendo espaço, engolidos pela lógica do turismo como negócio e o velho turismo comunitário perdeu força, sobrevivendo pontualmente em alguns redutos da ilha.

O turismo como “puro negócio” para um grupo muito seleto de pessoas começou a ser “desenvolvido” também na ilegalidade. A Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, deflagrada em 2007, desvelou todo o esquema de compra de licenças ambientais que tornou possível boa parte dos empreendimentos imobiliários e turísticos que invadiram a cidade. Nomes de empresários altamente “respeitáveis” foram para a lama, mas ao fim e ao cabo, da lama se levantaram e seguiram com seus negócios. Hoje, Florianópolis enfrenta mais uma onda de “progresso empresarial”, principalmente no sul da ilha de Santa Catarina, com a construção desenfreada de prédios, inclusive em locais de proteção e preservação ambiental. A ação da Câmara de Vereadores, em sintonia com o empresariado, permite alterações de zoneamento que vão devastando a ilha e, a cada dia, empurrando as pessoas de menor poder econômico para a periferia da ilha ou para as cidades vizinhas. Os lugares de beleza, então, tornam-se espaços de vida boa apenas para os ricos. Os nativos e os trabalhadores pobres já praticamente não têm acesso à cidade.

O fato é que a capital catarinense é uma presa ainda muito suculenta para o mercado imobiliário, embora a escolha pela lógica do carro tenha tornado a mobilidade urbana um pesadelo para a maioria da população. Mas, como para os ricos, a questão da mobilidade não parece ter muita importância, isso fica obscurecido nos panfletos de “bem viver” que se distribuem pelo país afora. São os trabalhadores que vivem nas periferias os que precisam amargar as longas filas e as esperas nos ônibus mal ajambrados. Para eles, as soluções são sempre furadas, como é o exemplo da duplicação da SC 405, que apenas mudou a tranqueira de lugar. Ideias mirabolantes como uma quarta ponte de ligação entre ilha e continente são arapucas para a maioria das gentes e boas unicamente para engordar a conta bancária das empreiteiras. Assim, os pobres vão pagando a conta do bem viver de meia dúzia.

Quem são os sujeitos da cidade

Nesse universo da cidade que se transformou – nos catálogos de venda – em “ilha da magia”, a única magia que realmente acontece é a sistemática vitória daqueles que representam justamente o processo de destruição da beleza natural e do ambiente, e de empobrecimento da maioria das gentes. Eleição após eleição, os pobres seguem mais pobres, e os ricos mais ricos. As promessas feitas na televisão e nas visitas dos candidatos em época de eleição se perdem no vazio. As melhorias que acontecem nas comunidades só avançam por força de muita luta e organização, ou então, por conta de algum “jeitinho” baseado em favores pessoais que mantêm cativos povo e comunidade.

Dados do censo de 2010 dão conta que as famílias com renda maior do que 20 salários mínimos (12.440 reais) não passam de 13 mil. A chamada classe média fica no meio e famílias que ganham de 5 a 20 salários mínimos chegam a 61 mil. A maioria é formada pelas famílias com renda variando de meio a cinco salários mínimos (entre 300 a três mil reais) que chegam a quase 68 mil. Nesse grupo de famílias que são consideradas de baixa renda, grande parte vive em alguma das 64 áreas de periferia da cidade, em bairros que carecem de saneamento, condições de moradia, mobilidade e lazer. No geral é essa maioria que se aperta nos coletivos urbanos, que se vê impedida de circular pela cidade, que não tem acesso a equipamentos culturais e de lazer e que sofre nos postos de saúde mal acabados e mal atendidos, assim como nas escolas igualmente empobrecidas de estrutura e de gente, basta ver o salário médio de um professor.

O que se pode observar é que os governos sucessivos de Florianópolis foram muito bem sucedidos na tarefa de governar para parte das 13 mil famílias que estão no topo da pirâmide, o que num total de quase 500 mil habitantes é bastante assustador. São essas poucas pessoas que conseguem viver de fato a cidade, com mobilidade e acesso ao que há de melhor, seja no que diz respeito às belezas naturais como aos equipamentos urbanos. Essa, então, é a mágica. Governam para poucos e mantém a maioria acreditando que também estão tendo parte da fatia do bolo.

Mas, entre os sujeitos sociais que circulam na classe média e na faixa da maioria empobrecida há muita gente que batalha para virar esse jogo. Organizações comunitárias, movimentos sociais, sindicatos. É uma luta desigual, mas a resistência é sistemática. A cidade já viveu momentos de grande mobilização como foi o caso da Revolta da Catraca, na história recente, quando milhares saíram às ruas para lutar contra os aumentos abusivos das tarifas dos ônibus. De qualquer sorte, esses instantes são pontuais e, no geral, não avançam para mudanças estruturais. Hoje, a luta pelo Plano Diretor que envolve centenas de comunidades, apesar de lenta, tem muito mais chance de realizar mudanças reais. Isso mostra que a cidade, apesar de brutalizada pelo “desenvolvimento turístico” predador não está apática. Há povo em movimento.

Quem está na disputa

Pois é nesse cenário que já estão postas as pedras no tabuleiro eleitoral. Concretamente, os representantes da elite, dos ricos, dos poucos que dominam a cidade estarão divididos em três candidaturas, cada uma com sua peculiaridade, restando uma do centro e outra da esquerda unida.

A candidatura da situação – PMDB : o candidato que se propõe a continuar a maneira de governar de Dário Berger (PMDB) é Gean Loureiro (PMDB). Gean vem de uma trajetória vitoriosa como vereador, tendo sua primeira vaga na Câmara quando ainda tinha 19 anos. Atualmente é secretário na Prefeitura de Florianópolis e segue o Dário em todas as atividades. Faz parte da nova geração de um PMDB que perdeu praticamente todas as suas características progressistas. Uma olhada na página pessoal do candidato na internet e pode-se perceber o quanto estará a serviço das forças que têm sugado a riqueza do povo e da cidade com projetos mirabolantes para “desenvolver” ainda mais Florianópolis. A política do “negócio” levada por Berger não sofrerá descontinuidade. Agora, com a proximidade das eleições, já começa a falar em transporte marítimo, novos modais de mobilidade, segurança etc… As mesmas velhas promessas já feitas por Dário e que não foram cumpridas. De fato, o governo de oito anos de Berger foi de aliança total com o empresariado responsável pela destruição da ilha. De cunho popular, apenas a operação “Tapete Preto” foi executada em parte, como uma “asfaltização” da periferia. Ainda assim, muitas comunidades se revoltaram contra essa proposta, também muito mais aliada aos interesses empresariais do que ao povo. Hoje, Florianópolis vive a ameaça de soluções retrógadas para o esgoto, como é o caso da proposta de emissário, jogando esgoto para o mar, ainda em andamento. Assim, que essa é a proposta a qual Gean dará seguimento, aliado ao tradicional PDT, o PTB e outros partidos pequenos.

A candidatura da direita tradicional: A velha política que sempre foi hegemônica em Santa Catarina aparece aqui na pele de duas figuras bem jovens e simpáticas. César Souza Júnior (PSD) e João Amin (PP) representam velhos partidos (de roupagem nova) com raízes nos tradicionais grupos da direita que sempre dominaram a política estadual. César Souza, que começou sua carreira filiado ao DEM (antigo PFL) é o filho de um dos mais populares apresentadores de televisão local, também político. O pai forjou-se no modelo de programa televisivo assistencial, de “ajuda” aos pobres e a associação de sua figura com o filho é imediata. João Amin é filho de Esperidião Amin e Ângela Amin, ambos velhos conhecidos da cidade. Tanto o pai como a mãe já foram prefeitos e igualmente pautaram suas administrações a serviço da elite local, travestidos de “populares”. Obviamente que nada de novo se pode esperar dessa dupla. Elegantes, simpáticos e “quiridos” eles carregam o carisma dos pais e são uma força considerável, caso a maioria dos eleitores quiser seguir como sempre, refém dos ricos, vivendo de migalhas. Com eles vem todo o esquema montado hoje no Estado (PSD é o novo partido do governador), o que significa que terão toda a máquina a seu favor. As propostas que defendem não se diferem das de Gean. Cidade voltada para o turismo “competitivo”, de classe A, e grandes empreendimentos. O que pode mudar são os grupos aliados, mas a lógica é a mesma.

Ainda a direita: O DEM e o PSDB são partidos que perderam muita força no Estado, estão fracos e sem representatividade – uma vez que até o governador que era do DEM decidiu pular fora – mas podem fazer uma aliança para disputar a prefeitura. O candidato que aparece é um manezinho, João Batista Nunes, hoje vice do Dário na prefeitura. João Batista tampouco em nada se diferencia do prefeito atual, governando para os ricos, apostando numa Florianópolis dos prédios, dos condomínios, do progresso destruidor da natureza, apesar do discurso de pessoa nativa, amante da cidade. A aliança com o DEM, a mais atrasada das forças políticas do país, só reforça o compromisso com um modelo de cidade que não se balizará pela maioria.

O centro – Correndo por fora vêm o PC do B e o PT, partidos que até bem pouco tempo eram identificados com a esquerda, mas que, com a política tocada em nível de Brasil na parceria de governo federal hoje caberia muito mais no campo do centro, ora pendendo para a esquerda, ora para a direita, conforme sopra o vento. A candidatura também envolve gente jovem. O nome para a cabeça de chapa é o da deputada Ângela Albino, vinda do mundo sindical e que acredita ter chegado a hora de uma mudança na cidade. Segundo ela, o povo está cansado das promessas não cumpridas e isso abre um espaço importante para novos ares. Além disso, a direita está dividida, disputando votos no mesmo campo. Ângela está disposta a pensar, em fóruns participativos junto com a comunidade, os novos rumos para Florianópolis. Ainda assim ela igualmente acredita que a vocação da cidade é o turismo, o mar e a tecnologia. Não há mudança de paradigma. As proposta que aponta, assim como também o PT, parceiro na coligação, são de reformas daquilo que aí está. Melhorias. O que pode ser um perigo se o que está em mira é uma transformação real da cidade. Reformas, sim, mas com horizontes de transformação. Caso contrário, não haverá mudanças significativas. Também é caso de se pensar como distinguir essa promessa de participação popular em nível local, se a prática da aliança PT/PC do B, em nível nacional não aponta para isso. Vale lembrar que o Código Florestal, um tremendo retrocesso ambiental, foi proposto e defendido pelo PC do B, através do deputado Aldo Rabelo, e a presidente Dilma (PT), apesar do clamor popular pelo veto, não atendeu ao apelo das gentes. Como Florianópolis é uma cidade que tem o seu meio-ambiente como “menina dos olhos”, quais serão as propostas para a cidade de uma frente que propôs e aprovou um código florestal que destrói? Essa é uma ambiguidade que precisa ser bem explicada. Além do PT também devem fazer parte da aliança outros partidos menores como o PRB e PRT.

A esquerda – Os partidos que hoje representam a esquerda no Brasil, PSOL, PSTU e PCB, devem enfrentar as eleições municipais em uma Frente de Esquerda unificada. Com nomes bastante conhecidos na política local como Gilmar Salgado, Joaninha e Afrânio Bopré, eles vão experimentar uma nova tática nessas eleições. Em vez de marcar posição com seus quadros mais experientes no cargo majoritário, decidiram disputar a cidade pela via do legislativo. Ocupar a Câmara de Vereadores pareceu um bom plano nesse momento importante em que se discute o Plano Diretor e se pensa a cidade na sua totalidade, desde a organização territorial até questões cruciais como a mobilidade, a segurança e as propostas de modo de vida. É bom lembrar que é a Câmara de Vereadores que tem sido a protagonista nos casos de alteração de zoneamento que transformam a cidade num canteiro de obras em espaços de proteção. Para dar consequência a uma política de enfrentamento ao projeto desenvolvimentista da maioria dos candidatos a Frente de Esquerda está oferecendo o nome do professor Elson Manoel Pereira (Geografia/UFSC) como candidato a prefeito. Ele tem atuado no âmbito da discussão do plano diretor e a proposta da Frente será a de retomada da cidade. Segundo Valmir Martins, presidente do PSOL, até agora os empresários resolveram tudo na cidade, a cidade é deles, então é preciso recuperá-la para a maioria das gentes. São as pessoas que aqui vivem e trabalham as que têm de decidir sobre os destinos do município. A Frente de Esquerda está disposta a ir à raiz dos problemas, defender medidas necessárias à transformação da vida da maioria como a defesa concreta do meio ambiente, a tarifa zero no transporte público, contra a sociedade do automóvel e a participação protagônica das comunidades.

As armadilhas travestidas

No âmbito do debate sobre a cidade sempre surgem as armadilhas travestidas de grupos interessados no “bem de Florianópolis”. Na verdade, são instituições que buscam dialogar com a população sem a etiqueta do partido e sem revelar os verdadeiros interesses. A primeira dessas entidades é a chamada “Floripa Amanhã”, braço “secular” do PMDB. Nascida em 2005 por iniciativa do que chamam de “cidadãos conscientes que amam Florianópolis” a entidade defende uma cidade inovadora, planejada, preservada e segura. Atuam com o discurso do desenvolvimento sustentável, mas na verdade dão sustentação a todo esse modelo de rapinagem da cidade que vem sendo feito há anos. Defendem parcerias público/privadas e reúnem empresários para discutir novas formas de explorar a cidade seja no turismo ou no campo tecnológico. Uma olhada na direção da entidade e lá estão os nomes do PMDB e seus aliados (http://floripamanha.org/quem-somos/diretoria/ ).

Outra aberração é a Floripa te Quero Bem que, como diz a página da entidade, nasceu depois de um desabafo (???) do Guga Kuerten. O tenista fez uma declaração de que a cidade estava ruim e que era preciso cuidar dela então, a RBS (???) – Rede Brasil Sul – decidiu juntar alguns parceiros para pensar a cidade e propor mudanças. Os objetivos são tornar o município mais solidário e sustentável, seja lá o que isso signifique. A coisa soa muito bizarra uma vez que a RBS é a empresa que se apoderou de quase todos os meios de comunicação do estado de Santa Catarina, constituindo um oligopólio, atuando sempre em parceria com o empresariado responsável pela destruição da cidade. A instituição é formada por três institutos distintos que representam tanto a direita florianopolitana, como o centro. São o Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICom), que tem entre seus diretores a filha de Jorge Bornhausen (DEM), o Instituto Guga Kuerten (IGK), que dispensa comentário e o Instituto Padre Vilson Groh (IGV), que vem de uma matriz popular, mas hoje prefere atuar mais na linha da redução de danos.

Esses grupos fazem debates, chamam estudiosos, buscam o que chamam de soluções para a cidade, mas todas elas caminham na mesma direção do desenvolvimento para poucos, com algumas migalhas caindo da mesa e sendo aproveitadas pelos pobres. Turismo de alta classe, marinas, ancoradouros, hotéis, polos tecnológicos, e alguns empregos subalternos para os empobrecidos, como garçom, camareiras, guardadores de carro, etc… A população, acostumada a ligar determinadas pessoas (como Guga) a coisas boas, sem tempo para refletir melhor sobre os objetivos das instituições, acreditam no discurso fácil do “querer bem a cidade”. Mas, esse querer bem quase sempre é dirigido a uma única classe, e não é a maioria da população.

A luta comunitária

Por outro lado as associações de moradores e entidades populares interessadas em mudar a lógica que impera na cidade, precisam rebolar para garantir a participação nos fóruns que deveriam primar pelo protagonismo popular. Como reza o Estatuto da Cidade, os municípios precisam definir suas metas em parceria com a maioria das gentes. Para isso se começou o processo de Plano Diretor. Mas, quando as comunidades decidiram dizer sua palavra, participar e oferecer as propostas para o planejamento da cidade, a prefeitura – sob Dário Berger – melou o processo. A coisa se arrasta desde 2004 e, enquanto isso, os empresários da construção deitam e rolam por todo o município, levantando condomínios, prédios e espigões, muitos deles fora de qualquer legalidade que depois se ajeita com decisão da Câmara de Vereadores.

É nesse cenário que Florianópolis vai para mais uma eleição. As cartas estão na mesa, os interesses estão expostos embora para a maioria ainda haja muita coisa obscura. Não há debates públicos, os meios de comunicação enganam e mentem, e as entidades populares tem pouca perna. Não é fácil conseguir um voto consciente. De qualquer sorte, a escolha terá de ser feita: ou seguimos com essa destruição da cidade, com a degeneração de todo um modo de vida, falta de mobilidade urbana, falta de segurança, de cultura e lazer; ou apostamos num outro modelo, diferente, que provoque mudanças profundas na estrutura mesma. A cidade do passado não pode voltar, mas é possível construir no presente e no futuro uma cidade onde a maioria que trabalha e vive o cotidiano real das ruas possa existir em felicidade, com segurança, podendo ir e vir de verdade, com cultura e possibilidades de lazer. Já basta de permitir que os mesmos de sempre, um pequeno grupo da elite local, desfrute a cidade e decida como ela tem de ser. Há que retomar a cidade de volta, como diz Valmir Martins. E isso é possível fazer, não só nas eleições, mas no dia a dia, participando, atuando e lutando.

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