Florianópolis não há mais

Por Glauco Marques.

Florianópolis finalmente chegou onde o poder público, as grandes construtoras e a indústria do turismo local queriam: é a bola da vez. Isto significa, entre outras coisas, que entrou na rota da prostituição de alto padrão, com os playboys filhinhos de papai  gastando até 10 mil reais por algumas horas nos paradores de Jurerê Internacional, cercados por piriguetes, doidas pra encontrar jogadores de futebol e atores da Globo. Esta é  uma das principais referências com a qual Floripa vai se consolidando como destino turístico em nível nacional. Parafraseando uma letra de música do Dazaranha que diz “este é o país da putaria”, se poderia  dizer “esta é a ilha da putaria”.

Nos últimos 20 anos ocorreram modificações em Florianópolis num ritmo vertiginoso. Os nativos já são minoria entre os habitantes do lugar. Mas a questão central é o fato de que a cidade está perdendo completamente sua identidade . O modo de falar ilhéu, desde o pescador a galera do surf, vai mudando seu sotaque nas novas gerações. Falar com sotaque daqui é ridicularizado ou tolerado como algo apenas engraçado. O boi de mamão e outras manifestações culturais passam a ser “folklorizados”. Ao circular em diversos locais da cidade, a sensação é de que não é Florianópolis. Ocorre uma pasteurização ou homogeinização cultural. As pessoas falam, se comportam e vão adquirindo hábitos que refletem o que a indústria do entretenimento veicula.

Um exemplo disto é uma novela na Globo ambientada no estado vizinho do RS com algumas referências a Florianópolis, onde o fato da trama se desenvolver em determinada cidade ou região serve apenas como paisagem, pois os atores falam e se movimentam como se estas cidades ou estados não tivessem peculiaridades culturais, modo de falar, hábitos, etc… A riqueza e diversidade  cultural que caracteriza nosso país, com seus vários sotaques e hábitos, é descaracterizada intencionalmente e comemorada por autoridades e empresários de Florianópolis como símbolo de progresso e desenvolvimento.

A idéia de progresso que vai predominando é aquela que inventa coisas como o “Riozinho”, um “point” a beira-mar e ao lado de um rio, rico em coliformes fecais, frequentado por “gente bonita e sarada”, tendo como contrapartida a derrubada do  Bar do  Seu Chico, ponto de encontro dos moradores, de atividades festivas, políticas e culturais daqui. Pois agora.

Imagem: riozinho.net

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