Fim de Ano

Foto: Pok Rie /Pexels

Por Guigo Ribeiro, para Desacato.info. 

Eu fui um menino que aguardava o final de ano para, junto ao meu irmão mais próximo de idade, montar a árvore de natal de minha casa. A gente contava com todo cuidado do mundo para pôr cada enfeite, cada sino e caixinha de presente na árvore. Após, enrolávamos as luzes entre os galhos e, como numa abertura de contagem, ligávamos na tomada. Isso era tão recorrente e importante que escrevemos muitos momentos nisso. De satisfação do êxito na conclusão da proposta ao imprevisto de colocarmos fogo no sofá. Nossa mãe nos perdoou. Acho.

Isso foi na minha infância e é impossível lembrar disso sem pensar a alegria que me tomava neste período. Férias escolares, mais tempo com os amigos nas férias, apesar incerteza de conseguiria viajar pra algum lugar. Mas era bom. Era bom passar pelas ruas e ver as luzes de natal das casas. Cada qual de um jeito, uma forma. Desenhos, mega produções. Ou só um enfeite simples. Tudo me trazia a sensação de um novo tempo. 

Hoje, muitos e muitos anos depois, existe algo diferente sobre essa época. Não necessariamente uma melancolia. Talvez uma sensação estranha, apesar de também alguma felicidade. E não pautado na utopia de um novo ano feito somente de realizações. Os desafios seguem e cada vez mais emergem figuras que buscam o retrocesso, o atraso.

Mas… sabe? Quantas pontes não tivemos que atravessar? Quantos mares, estradas… quantas lutas não foram e são dadas todo o tempo? A gente segue! Se fortalecendo, se encontrando, se perdendo e reencontrando. Se procurando e buscando formas de resistir. Eu não deixei de ser aquele menino, apesar de não ser só ele. Mas ele é vivo em mim e me afaga em momentos de desespero. Ele brinca todo o tempo. Sorri. Ele sabe que vai passar. Sabe que são barreiras que vamos atravessar. Somos os meninos e meninas de outrora. A gente vai passar. Tal como todo o resto. Vai passar.

Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

*****

Este ano tive a enorme honra de fazer parte deste trabalho necessário que é o Desacato e contribuir com meus textos. Eis uma alegria que não cabe em mim. Sou grato! De todo coração. Encerro meus trabalhos em 2018 aqui. Agora vou partir para um merecido e necessário período de descanso, mas volto logo. Para seguir na construção. Para seguir na luta. Para seguir fazendo parte desse trabalho que, digo sem nenhuma dúvida, tenho muito amor. 

Bom fim de ano.

Guigo Ribeiro é ator, músico e escritor, autor do livro “O Dia e o Dia Que o Mundo Acabou”, disponível em Clube de Autores.

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