Feminismo e cidadania

feminismoPor Thiago Burckhart, para Desacato.info.

Com a aproximação do Dia Internacional da Mulher, o debate sobre o feminismo passa a ganhar maior visibilidade no cenário sócio-político no Brasil e no Mundo. O feminismo ainda se coloca como uma luta social, política e cultural pela igualdade nas sociedades contemporâneas, que questiona a lógica do patriarcado, onde o machismo impera de forma ideológica.

Nascido como um movimento a partir do século XVIII, o feminismo passou a exercer influência política sobre tudo a partir da segunda metade do século passado no mundo ocidental. No Brasil, o feminismo marcou o cenário político no século XX, mas projetou-se enquanto movimento organizado de modo profícuo a partir das décadas de 1970 e 1980, por meio de reivindicações que também passaram a ter projeção jurídica na Constituição de 1988. No entanto, o movimento feminista ainda possui uma série de reivindicações contemporâneas.

Reivindicações pulsantes

Um dos debates mais atuais do movimento feminista é a legalização do aborto no cenário nacional. Este foi um dos temas que veio à baila no debate presidencial do ano passado, tendo gerado grande repercussão para a sociedade de modo geral. Conhecido por ser “polêmico”, infelizmente esse é um tema ainda pouco discutido pelas mulheres e pela sociedade brasileira, sobretudo em virtude de uma moral religiosa, que enxerga a mulher como “não proprietária” de seu próprio corpo e incapaz de decidir sobre o mesmo. Contudo, para além de uma polêmica ou das implicações de cunho religioso, o fato é que o aborto é uma questão de saúde pública, e as autoridades políticas devem tomar providências quanto a isso, ouvindo as reivindicações feministas.

Além do aborto livre e gratuito, os movimentos feministas ainda lutam por um revolução cultural, que garanta a liberdade daqueles que, nas palavras de Márcia Tiburi, sofreram e sofrem sobre o terror da dominação masculina e da opressão de gênero, raça, classe social e sexualidade.  Como um contra-discurso, o feminismo se opõe ao sistema patriarcal, como uma prática cidadã em prol da democracia e da liberdade.

Feministas já são maioria no Brasil

No país onde a desigualdade econômica e social é uma das mais gritantes de todo o globo, o feminismo floresce e a cada dia mais mulheres e homens tornam-se feministas. Recente pesquisa realizada pelo instituto estadunidense Wakefield Research demonstrou que as brasileiras estão no topo da lista de mulheres mais feministas ao redor do mundo. A pesquisa foi realizada em diferentes países, e em cada um foram questionadas mais de 500 mulheres, e revelou que as brasileiras são mais feministas que as estadunidenses, francesas, alemãs, mexicanas, russas, britânicas, canadenses e japonesas.

Talvez essa pesquisa seja um indicativo positivo de que a mulher brasileira está se libertando dos paradigmas que lhe atribui rótulos negativos e aprisionantes, que o machismo está sendo questionado e que os gêneros (o feminino e o masculino) estão sendo desconstruídas. Essa pesquisa é um ótimo indicativo para a luta das mulheres e dos homens feministas na construção cidadã de uma sociedade mais livre e igualitária, onde as mulheres também tenham espaço e representatividade.

Thiago Burckhart é estudante de Direito.

Imagem: Comando de Bollo.

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