Fazenda Anonni: 33 anos de luta e resistência

Foto: MST.

Ontem, 29 de outubro, o assentamento Annoni, primeira ocupação do MST, completa 33 anos de existência e resistência.

O assentamento localizado no município de Sarandi, no Rio Grande do Sul foi ocupado em 29 de outubro de 1985 por mais de sete mil trabalhadores Sem Terra vindos de mais de 30 cidades gaúchas.

Depois da ocupação, oito anos depois, em 1993, a área de 9.300 hectares foi destinada para fins de Reforma Agrária. A ocupação da fazenda Annoni foi e ainda é um marco na história e na construção coletiva do MST.

“A Annoni foi, aqui na região, o marco da luta pela terra. Para as famílias, que conquistaram o seu pedaço de terra, à partir da ocupação da Annoni, puderam construir aqui a sua morada, o seu lugar. Antes, o que era um latifúndio improdutivo, produz comida, educação e cultura, diz Irene Manfio, que é assentada na antiga Annoni.

O tempo passou e hoje, a antiga fazenda Annoni está dividida em sete comunidades, onde vivem 423 famílias. A maioria possui escola, ginásio de esportes, igreja e espaço de lazer. Uma delas sedia, ainda, um posto de saúde, com atendimento médico e odontológico. Porém, todas as famílias têm água encanada, saneamento básico e boas casas para morar. Tudo foi construído com muito suor e luta dos trabalhadores Sem Terra.

A Annoni também se destaca na educação: os filhos dos assentados e assentadas podem estudar da educação inicial até a superior sem sair da área. Através do Instituto Educar, fundado há 11 anos, são oferecidos dois cursos: técnico em agropecuária com habilitação em agroecologia, integrado ao ensino médio, e o curso superior em agronomia.

Trabalho e renda também são realidades na Annoni. No ano de 2006, atendendo demandas dos agricultores foi fundada a Cooperativa Agropecuária e Laticínios Pontão Ltda (Cooperlat), que trabalha com industrialização e comercialização do leite, e envolve cerca de cem famílias Sem Terra e outras da região. Ela também atua na assistência técnica com uma equipe de veterinários e agrônomos para fomentar a produção de leite – hoje, a Cooperlat recolhe em média 200 mil litros ao mês.

Além disso, faz a entrega de produtos ao Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PNAE) em mais de 50 escolas dos municípios de Carazinho, Passo Fundo e Pontão. A cooperativa trabalha para criar uma indústria de queijos e bebidas lácteas.

Outra cooperativa, fruto da luta dos Sem Terra, é a Cooperativa de Produção Agropecuária Cascata (Cooptar), fundada em 1990. Lá, quinze famílias trabalham na produção de embutidos e com vários cortes de carne, que é entregue para escolas e mercados da região.

Hoje, o frigorífico tem abatedouro com capacidade de abater 100 cabeças de gado e 4 mil porcos ao mês. As famílias também produzem leite para a Cooperlat e adotaram como política interna a produção de alimentos para subsistência, onde o cultivo ocorre de maneira coletiva e cada um colhe, da horta ou pomar, o suficiente para se alimentar.

Foto: Arquivo MST.
Foto: Arquivo MST.

Não por acaso a simbologia que a data carrega hoje nos anima para seguir adiante. Mais de três décadas, a ocupação Annoni é símbolo de luta e resistência diária e, nesse momento em somos testados, nada como olhar para trás e ter a certeza de que a luta por uma sociedade melhor, mais justa e igualitária vale a pena.

 

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