FAM 2018: exposição fotográfica homenageia Lúcio Flávio Giovanella ‘Pixote’

Abre nesta terça-feira, 19 de junho, a exposição “Pixote: a arte do still no cinema”, uma homenagem ao fotógrafo Lúcio Flávio Giovanella “Pixote”, falecido precocemente no ano passado. A abertura da exposição será realizada às 17h30min., no Hall da Reitoria da UFSC, e a mostra poderá ser visitada até o dia 12 de julho, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20 horas. A exposição tem curadoria de Pedro MC e Zeca Nunes Pires e é uma realização do Departamento Artístico Cultural (DAC)/SeCArte/UFSC e da Cinemateca Catarinense, com apoio do 22° Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM 2018).

A exposição apresenta 20 painéis, de (40 x 60) cm, com várias imagens de filmes em cada um deles, mais quatro fotos individuais, um painel de abertura, cartazes de filmes e textos de Sylvio Back, Ronaldo dos Santos, Eduardo Paredes.

Lúcio Flávio trabalhou em diversos filmes do cinema catarinense como fotógrafo de cena (still) — profissional que acompanha as filmagens, fazendo o making of do trabalho e produzindo fotos para serem usadas para a divulgação na imprensa, cartazes e folders.  O fotógrafo, que “marcou o cinema catarinense e os amigos com seu olhar sensível, solidário e singular”, segundo os curadores da mostra, atuou como still em oito filmes:

Manhã (1989), de Zeca Pires e Norberto Depizzolatti;

Desterro (1991) e Novembrada (1998), de Eduardo Paredes;

Cruz e Sousa, o poeta do Desterro (1998), de Sylvio Back;

O Santo Mágico (2002), de Ronaldo dos Anjos;

Um tiro na asa (2005), de Maria Emília de Azevedo;

Se eu morresse amanhã (2009), de Ricardo Weschenfelder

A Antropóloga (2011), de Zeca Pires

O Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM), evento que congrega festival e fórum, na sua 22ª edição, ocorre de 19 a 24 de junho no Centro de Cultura e Eventos da UFSC. Acompanhe a programação do evento pelo site www.famdetodos.com.br.

Lúcio Flávio Giovanella “Pixote” (1961-2017)

“Filho de Eletto e Josefina Giovanella, nasceu em Rio do Sul em 1961. Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina (1992), especialista em Estudos da Cultura Contemporânea Imagens e Narrativas pela UFSC (1997) e mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) (2010).

De 1984 a 2009, no estúdio fotográfico “Foto Pixote” no Centro de Convivência da UFSC, desenvolveu atividades de produção de audiovisuais, cursos de fotografia e registro das ações do DCE, do movimento estudantil e dos professores da UFSC em distintos períodos ao longo do tempo. Em escolas públicas desenvolveu experiências de alfabetização imagética, proporcionada por oficinas de fotografia introduzindo adolescentes no mundo da fotografia, despertando-os para a linguagem visual e seus princípios éticos e estéticos e para sua compreensão como construto social.

Em sua dissertação de mestrado “O Político nos Filmes A Novembrada e Cruz e Sousa, o Poeta do Desterro: uma análise discursiva”, analisa a cinematografia catarinense cujo elemento político é constitutivo da forma como se faz a imbricação material dos registros de base e cinematográficos, em gestos de interpretação que mobilizam memórias discursivas, produzindo uma contextualização histórica e ideológica desse recorte da cinematografia local, tessitura de uma identidade catarinense.

Nos últimos anos dedicou-se ao ensino de sociologia e filosofia a jovens na educação pública, imbuído na formação de cidadãos livres, criativos, conscientes de seus direitos. Desenvolveu projetos multidisciplinares associando sociologia, fotografia, filosofia e cinema a outras disciplinas.

Entendia a fotografia e a arte cinematográfica nas suas próprias palavras “enquanto instrumento de resistência cultural, constituindo estruturas discursivas, com o intuito de transformação da sociedade. Os artistas são sujeitos que propõem uma ruptura semântica e discursiva, apontando para sentidos novos, polissêmicos. (…) As revoluções na arte buscam não só as transformações estéticas, como também a transformação da realidade histórica, projetam a arte como arma na luta pela transformação social”.”

(trechos do depoimento de Ligia Giovanella, Adriana Kuehn, Solange Gallo, Teresinha Giovanella)

Depoimentos de cineastas 

A exposição contém textos-depoimentos dos diretores dos filmes em que Pixote atuou como still. Alguns trechos desses depoimentos:

“Quando iniciei em Florianópolis (SC) a produção de “Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro”, no primeiro semestre de 1998, pesquisando nomes para compor a equipe, por indicação do cineasta Zeca Pires (já integrado como assistente de direção), surgiu o nome de Lúcio Giovanella, conhecido fotógrafo free lancervinculado aos movimentos estudantis de Santa Catarina. Depois de analisar outros profissionais, me detive na vasta coleção de fotos dele, algumas PB, outras, coloridas, todas com alta qualidade técnica.

Já naquele repertório, ainda que desordenado e assimétrico, mesclando temáticas, luzes e lentes, saquei na hora que ali tinha assinatura de um fotógrafo de mirada fuerte, usando a expressão de Picasso quando se referia de como conquistar uma mulher.

No nosso contato pessoal identifiquei uma personalidade que na hora me pareceu um tanto selvagem, se coubesse a definição, ainda que no trato cotidiano fosse uma pessoa retraída e cordial. Como o objetivo de uma filmagem é levar a bom termo a obra e não psicanalizar os colaboradores, seu enorme talento, de imediato, me conquistou sem outra.”
(Sylvio Back, diretor de “Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro”)

“Silenciosamente atento e estampando um semissorriso na cara ele transitava pelo set como se estivesse pisando em nuvens à procura da melhor posição para capturar sua cena, uma vez capturada ele comemorava a façanha transformando e ampliando o seu sorriso, agora de satisfação.

Lúcio Flávio, o nosso Dom Pixote de La Foto, armado de sua máquina saia sempre na aventura de transformar o negativo em imagens que sustentassem os conceitos teóricos, seguidos por ele, sobre o papel e a importância da fotografia, ou seja, a fotografia como instrumento de formação e transformação social.”
(Ronaldo dos Anjos, diretor de “O Santo Mágico”)

“Outra faceta indissociável da persona que Lúcio representou para a cidade diz respeito ao Estúdio Pixote, no Centro de Convivências da UFSC. Durante longos anos passaram milhares de rostos diante da câmera do Lúcio. Esse universo de imagens ainda merecerá um estudo e uma apropriação artística com uma ressignificação da vasta e profícua obra que produziu. Assim como do material fotográfico de still. Essa palavra, aliás, que no substantivo remete à fotografia de cena, também cabe ao Lúcio como adjetivo: calmo, quieto, sossegado.”
(Eduardo Paredes, diretor de “Desterro” e “Novembrada”) 

Para ler os textos-depoimentos na integra, acesse o link. 

Exposição

Produção e Curadoria: Pedro MC (cineasta e presidente da Cinemateca Catarinense) e Zeca Nunes Pires (cineasta e coordenador do Depto. Artístico Cultural da UFSC)

Design: Pedro MC

Reproduções: Multicor

Montagem: Amícia P. Martins (Galeria de Arte da UFSC–DAC/SeCArte)

Divulgação: Clóvis Werner (DAC/SeCArte/UFSC)

Apoio: Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 2018

Serviço:

O que: Exposição “Pixote: a arte do still no cinema — homenagem ao fotógrafo Lúcio Flávio Giovanella”

Quando: Abertura da exposição: dia 19 de junho de 2018, terça-feira, às 17h30min. Visitação: até 12 de julho, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h.

Onde: Hall da Reitoria da UFSC, Trindade, Florianópolis (SC)

Quanto: Gratuito e aberto à comunidade.

Contato: Departamento Artístico Cultural da UFSC (48) 3721-6493 e 3721-2385 — www.dac.ufsc.br


Acesse a programação do Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM 2018) em www.famdetodos.com.br.

 

Paulo Marcos de Assis/Estagiário de Jornalismo/DAC/SeCArte/UFSC, com informações dos curadores, textos de familiares, cineastas, e imagens de Lúcio Flávio Giovanella

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