Exposição em São Paulo retrata trajetória de refugiados palestinos

expo Sao Paulo
Crianças palestinas procuram por seus objetos, em casas destruídas por Israel na Faixa de Gaza, em agosto de 2014

Centro Cultural São Paulo traz fotografias e filmagens do arquivo das Nações Unidas; mostra percorre 70 anos da migração forçada e explora transformação dos personagens.

Por Camila Maciel.

São Paulo – A vida dos refugiados palestinos estará retratada na exposição Uma Longa Jornada, em cartaz na capital paulista a partir do próximo sábado (24), na Praça da Biblioteca do Centro Cultural São Paulo. Com fotografias e filmagens do arquivo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (Unrwa, na sigla em inglês), a mostra apresenta registros de pelo menos 70 anos dessa migração forçada. Ainda hoje, o conflito entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza provoca mortes e deslocamentos. A mostra é gratuita e fica aberta até o dia 15 de março.

Quarenta fotos e cinco curtas-metragens foram selecionados para a exposição no Brasil. O projeto já esteve em cidade como Roma, Jerusalém, Nova York e Marrocos. “O tema da exposição é ajuda humanitária e o trabalho da Unrwa. Não só os programas de urgência humanitária, mas os programas de educação e saúde”, explicou Theresa Jatobá, produtora da exposição. No dia da inauguração da mostra, a Organização das Nações Unidas (ONU) fará, às 16h, o debate “Refugiados da Palestina: ajuda humanitária e o papel do Brasil”.

O projeto arquitetônico da exposição no Brasil foi desenvolvido pelo Atelier Marko Brajovic, que apoia o evento. “Tudo foi pensado para que o espectador passe por uma realidade de imersão na vida dos refugiados da Palestina. É uma instalação que foge do padrão linear mais comum de exposição”, destacou Theresa. De acordo com ela, o espaço do centro cultural permitiu que a mostra seja visualizada de cima. “É uma estrutura circular. Ela faz menção a uma flor desabrochando”, antecipou.

A produtora destacou também um dos filmes, feito a partir dos registros de George Nemeh, um dos principais fotógrafos da Unrwa, que trabalhou na agência por cerca de 40 anos. “Ele fotografou pessoas durante 40 anos e visitou as que foram fotografadas no passado. Por exemplo, um bebê, que hoje é um homem. O reencontro dele com essas pessoas é muito interessante”, explicou. Ela acredita que essa conexão entre o passado e a atualidade, por meio do trabalho da agência da ONU, vai permitir que o espectador brasileiro consiga estar mais próximo da realidade do povo árabe.

A Unrwa estima que existam 5 milhões de refugiados palestinos. A agência foi criada em 1949, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, e entrou em operação no ano seguinte. São considerados refugiados da Palestina pela agência internacional aqueles que viviam no território entre junho de 1946 e 15 de maio de 1948, antes que tivesse início o conflito árabe-israelense naquele ano.

Fonte: Rede Brasil Atual.

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