Ex-ditadores argentinos são condenados por roubo de filhos de presos políticos

Da Redação de Sul21.- O Tribunal Oral Federal 6 (TOF6) condenou na tarde desta quinta-feira (5) os ex-ditadores argentinos Jorge Videla e Reynaldo Bignone por substração, retenção e ocultação de filhos e filhas de presos políticos durante a ditadura civil-militar do país (1976-1983). Videla foi condenado a 50 anos e Bignone a 15 anos. Segundo os magistrados, houve um plano sistemático do governo argentino para o roubo de bebês.

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Lá não é como cá: Videla e Bignone condenados | Reprodução: La Nación

O processo judicial durou 15 anos e o julgamento no TOF6 durou quinze meses. Foram analisadas 35 apropriações de bebês pela ditadura argentina no julgamento. Alguns nasceram na prisão, outros haviam sido sequestrados junto com seus pais. Vinte e seis deles recuperaram sua identidade. Destes, 20 depuseram ao tribunal. Os outros nove ainda têm paradeiro desconhecido, não sabem sua identidade verdadeira e possivelmente nem sabem que não são filhos de quem os criou. Durante as investigações, movimentos de direitos humanos buscaram informações sobre mais 400 crianças que teriam sido roubadas.

Victoria Montenegro descobriu sua verdadeira identidade em 2001. Antes do julgamento, ela defendeu que dizer que foi um “plano sistemático” do Estado argentino seria importante. “Chamar as coisas por seus nomes vai nos fazer melhor a todos”, disse. Após a decisão, ela avaliou que “serve para reparar feridas, ainda que falte muito mais” e que está se travando uma “batalha cultural”.

“É um dia histórico e vamos por mais. É muito importante porque se demonstrou que houve um plano sistemático”, disse Taty Almeyda, integrante das Madres dela Plazade Mayo. A estratégia dos acusados era de dizer que houve casos isolados de roubos de bebês, de responsabilidade individual de quem os cometeu, que não estariam cumprindo ordens ao cometer os roubos. Além dos dois ex-ditadores, também foram condenados os repressores Antonio Vañek, a 30 anos de prisão, e Jorge “El Tigre” Acosta, a 40 anos.

Com informações de Página12 e La Nación

Foto de capa: Página 12

2 COMENTÁRIOS

  1. Una etapa penosa de la Historia Argentina. Lamentable que en tantos vaivenes, que condena sí, que condena no, estos energúmenos hayan vivido treinta años como si nada…. Los 30 000 desaparecidos y los bebés apropiados pasaron a ser los signos distintivos de tanta aberración.

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