EUA e Israel saem da UNESCO, acusando-a de ser “anti-israelita”

Publicado em: 12/10/2017 às 15:24

A possibilidade de o próximo diretor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura ser um árabe teria sido a gota de água para os dois aliados.

EUA e Israel saem da UNESCO, acusando-a de ser “anti-israelita”

Os Estados Unidos vão sair da UNESCO no final do ano. “Esta decisão não foi tomada de ânimo leve”, disse o Departamento de Estado norte-americano em comunicado, considerando necessária uma “reforma na organização”. Horas depois, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu anunciou que também Israel se preparava para abandonar a UNESCO, referindo ainda que a decisão dos EUA tinha sido “corajosa”.

O comunicado do Departamento de Estado repete as velhas críticas norte-americanas contra um alegado “enviesamento anti-Israel” na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Netanyahu saudou o passo de Washington: “É uma decisão corajosa e moral, porque a UNESCO se tornou um teatro do absurdo. Em vez de preservar a história, distorce-a”, afirmou.

Em resposta, a diretora-geral da UNESCO, a búlgara Irina Bokova, lamentou a saída dos EUA: “Depois de receber uma notificação oficial do secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, pretendo expressar o meu profundo lamento em relação a esta decisão.”

A decisão “reflete as preocupações dos Estados Unidos com as crescentes dívidas da UNESCO, a necessidade de uma reforma fundamental na organização e o contínuo enviesamento anti-Israel”, diz o Departamento de Estado. Ainda assim, os EUA dizem que se manterão “envolvidos” na organização enquanto Estado observador, para “contribuir com visões, perspectivas e experiência norte-americanas”.

De acordo com as regras da UNESCO, a saída dos EUA se tornará efetiva no fim de Dezembro de 2018. Até lá, Washington, que contribui com cerca de 80 milhões de dólares para o orçamento desta agência da ONU, continuará a ser um membro de pleno direito.

Em Julho passado, a UNESCO incluiu a cidade velha de Hebron, na Cisjordânia, na lista de patrimônio mundial e ao mesmo tempo, pô-la na lista do patrimônio em risco – uma decisão que enfureceu Israel e contou com a oposição dos Estados Unidos. Em Hebron fica um local de grande interesse patrimonial e religioso, a que os muçulmanos chamam Mesquita Ibrahimi e os judeus designam como Túmulo dos Patriarcas.

Na Cidade Velha de Hebron vivem umas centenas de colonos israelitas, rodeados por uma forte proteção militar do exército do Estado hebraico, no meio de mais de 200 mil palestinianos.

Fonte: PÚBLICO

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