Estudante da Paraíba recebe voz de prisão de PM por reproduzir frase de artista famoso

A aluna da Universidade Estadual da Paraíba, Liliane Maria, do curso de Letras, recebeu voz de prisão na sexta-feira (27) acusada de apologia ao crime e dano ao patrimônio público. O crime da aluna, segundo um policial militar do 4º batalhão, foi escrever em um mural da instituição de ensino a frase de Hélio Oiticica, artista plástico e anarquista: “Seja marginal, seja herói”. O policial também quis prender o professor Waldeci Ferreira Chagas, diretor do Centro de Humanidades (CH) da universidade.

Em defesa da aluna, a direção do Campus declarou Liliane estava se expressando em um espaço apropriado, destinado à livre expressão cultural e artística dos alunos, fruto de grande reivindicação da comunidade acadêmica. A frase de Oiticica já tinha sido escrita anteriormente por outros alunos e foi apagada pelo policial.

“A frase é um protesto e todas as minorias sociais devem se posicionar e lutar pelos seus direitos. Ele [o policial] tinha apagado a frase de manhã e à tarde eu escrevi de novo e ele me deu voz de prisão, sem mandado e sem motivo algum”, declarou Liliane. Na semana passada, acontecia o 2º Simpósio de Gênero, Sexualidade e Educação, onde os alunos expressaram suas ideias neste mural. O policial, que é ex-professor substituto do curso de Direito do CH, só não concluiu a prisão de Waldeci e de Liliane porque os participantes do simpósio e professores presentes impediram.

Segundo Liliane, ela explicou para o policial que tinha autorização para escrever no mural e ele a ignorou. Também relatou que ele apertou seus punhos com força, apesar dela pedir para ele largar. Este ocorrido mostra que a direita utiliza-se da atual situação para amedrontar setores críticos e que a constituição garante os poderes repressivos de policiais, com evidentes atos de abuso de autoridade.

Hélio Oiticica: produziu uma série de trabalhos conhecidos como marginália ou cultura marginal na década de 60, durante a ditadura militar no Brasil. Foi acusado de apologia ao crime na época, por sua arte ser considerada uma forma de transgressão dos valores burgueses e conservadores.

Fonte: Esquerda Diário

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