Escola itinerante do MST faz contraponto à escola capitalista, diz Isabela Camini

Publicado em: 17/03/2014 às 22:04
Escola itinerante do MST faz contraponto à escola capitalista, diz Isabela Camini

Por Bernardo Jardim Ribeiro

Natural de Três Passos e moradora de Porto Alegre há 18 anos, a professora Isabela Camini se dedica, desde os anos 1990, à militância na área pedagógica do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Formada em Pedagogia, com especialização em Sociologia da Educação e Mestrado e Doutorado relacionados às experiências educativas desenvolvidas no MST, Isabela foi uma das precursoras dos cursos de formação de professores para o movimento.

A experiência nasceu no interior do Rio Grande do Sul, onde eram formados quadros para trabalhar em assentamentos e acampamentos do MST em todo o país. Neste processo, Isabela acompanhou a consolidação das escolas itinerantes – aquelas localizadas nos acampamentos, vinculadas à luta pela terra, com a característica de se deslocarem conforme a necessidade do movimento.

Em 2009, Isabela concluiu sua tese de doutorado: “Escola Itinerante dos Acampamentos do MST – Um contraponto à escola capitalista?”. No mesmo ano, o governo Yeda Crusius (PSDB), em parceria com o Ministério Público (MP-RS), dava início a uma ofensiva contra o movimento, fechando os estabelecimentos de ensino.

O estudo de Isabela foi consolidado no livro “Escola Itinerante: na fronteira de uma nova escola”, também em 2009. Editada pela Expressão Popular, a obra é vendida na loja da Reforma Agrária que o MST mantém no primeiro andar do Mercado Público de Porto Alegre.

Nesta entrevista ao Sul21, Isabela Camini fala sobre o processo de criação das escolas itinerantes e seu papel na composição de uma prática pedagógica diferente da defendida pelo sistema capitalista e pelo Estado. Atualmente, a professora se dedica a estudar a educação infantil e a infância no MST, que completa 30 anos de existência.

Sul21 – Desde quando a senhora trabalha com o tema da educação junto ao MST?

Isabela Camini – Trabalho com o MST desde 1990, quando iniciamos o primeiro curso de magistério para formação de educadores de séries iniciais. Antes, eu já havia visitado o assentamento em Encruzilhada Natalino e na Fazenda Anoni. Em 1990, retomei a convivência com MST por conta do trabalho com educação e com a formação de educadores.

Sul21 – A senhora ministrava cursos de formação de educadores para o movimento?

Isabela – Isso. Começamos um curso para o magistério na Fundação de Desenvolvimento, Educação e Pesquisa (Fundepe), em Três Passos e em Braga. Criamos esse curso a partir da necessidade que havia nas escolas de acampamentos e de assentamentos para formação de séries iniciais. Depois, ampliamos o trabalho, nos mudamos para Veranópolis e criamos o Instituto de Educação e Pesquisa da Reforma Agrária. Formamos doze turmas de magistério em nível nacional. Eu fui professora de todas essas turmas. A partir de 1995, havia muitos professores que eram de escolas de acampamentos. Por isso também passei a me interessar pelo tema.

Sul21 – Foi a primeira experiência de formação de educadores para o MST em nível nacional?

Isabela – O movimento teve origem no Rio Grande do Sul. Nasceu aqui em 1984 e foi se expandido. Muita coisa nós criamos aqui, por isso, esse curso do magistério só aconteceu no Rio Grande do Sul. Então vinham educandos de todos os 24 estados do país para estudar.

Sul21 – Em que esse curso se diferenciava dos que eram tradicionalmente oferecidos ao magistério?

Isabela – Trabalhávamos no período tempo-escola e tempo-comunidade. Durante o período mais longo, eles ficavam na prática, nos assentamentos e acampamentos. E havia um período determinado chamado de tempo-escola, em que eles iam para a escola e assumiam todas as tarefas, não somente as relacionadas ao tempo-estudo. O dia era dividido em tempos educativos. Por exemplo: tempo-aula, tempo-trabalho, tempo-lazer, tempo-colheita… Os educandos se envolviam bastante nas colheitas de maçã e de uva, que eram próprias da região de Veranópolis.

Sul21 – Como surgiu a ideia de fazer uma tese de doutorado sobre as escolas itinerantes?

Isabela – Em 2006, fiz seleção para o doutorado e decidi fazer uma sistematização de todo o aprendizado que havia acompanhado, focando nas escolas itinerantes. Eu já vinha cuidando da memória das escolas itinerantes. Uma das minhas militâncias é cuidar de toda a memória, de tudo aquilo que foi sistematizado e escrito sobre o tema. Condenso tudo em um material que está no site do MST e é enviado para todos os educadores. Atualizo esta memória todos os anos. Em 2006, decidi construir uma tese.

Sul21 – Por quê?

Isabela – No momento em que sai uma tese, essa realidade se torna conhecida. Se sair um livro, melhor ainda. Mas mesmo se for só uma tese, a realidade já sai do movimento e vai para o mundo. A primeira escola itinerante foi criada no Rio Grande do Sul, em 1996. Depois, foi criada em Goiás, em 2003; em Santa Catarina, em 2005; no Paraná, em 2008 e no Alagoas e no Piauí. Expandimos a experiência da escola itinerante para seis Estados onde o MST estava organizado. Eu senti que deveria colocar isso para o conhecimento de mais gente. No dia em que eu defendi a tese, em 16 de março de 2009, já haviam sido fechadas as escolas itinerantes do MST, por ordem da governadora Yeda Crusius. O Rio Grande do Sul foi o Estado em que durou mais tempo essa experiência. Foram 12 anos.

Sul21 – Como foi o trabalho desta pesquisa? Como foram suas idas a campo, nas escolas e acampamentos?

Isabela – Eu tinha um registro muito denso da escola itinerante. Decidi ver se a escola itinerante conseguia ser uma proposta contra-hegemônica à escola do capital. Isso exatamente no período em que começou a perseguição do Estado e da Brigada Militar ao MST e às escolas itinerantes. Eu me desloquei para alguns acampamentos e para as marchas. A escola acompanhava a luta pela terra e transformava o conteúdo da luta e o conteúdo da dor em pedagogia. Estive na fazenda Guerra logo após ter sido queimada a Escola Dandara. Encontrei a comunidade escolar depois de terem visto a Brigada Militar queimar a escola e jogar a merenda para os cães. Eu também fui na marcha de 2007, por conta da não desapropriação da fazenda Guerra. Pude ver como é que a escola, pedagogicamente, trabalhava seus conteúdos na marcha. As crianças escreviam cartas ao Ministério Público e ao governo Lula pedindo a desapropriação.

Sul21 – E por que o recorte de estudar a escola itinerante no Rio Grande do Sul e no Paraná?

Isabela – Eu quis apresentar o projeto de escola itinerante do MST, não do Rio Grande do Sul. Ela nasceu aqui, mas ela se expandiu. E o MST não se divide em estados. Ele está organizado em estados, mas os estados compõem uma organização nacional. O Paraná e o Rio Grande do Sul foram os dois estados em que a experiência foi melhor desenvolvida. Tem que ficar bem claro que a escola itinerante é uma escola pública estadual. Nós (MST) entramos com a gestão, com a pedagogia e com a condução da escola. Mas o Estado deveria dar todas as condições para que ela continuasse existindo. É uma briga permanente em todos os estados.

Sul21 – Depois de todos esses anos estudando a escola itinerante, a senhora acredita que ela consegue fazer um contraponto a escola capitalista?

Isabela – Quando fiz minha tese, dialoguei bastante com o professor Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp. Ele estudou a experiência de educação socialista no período do Lenin, de 1918 a 1928. Houve uma experiência de educação belíssima, onde de fato conseguiram transformar a escola numa perspectiva socialista. Para entender esse contraponto que a escola deveria fazer ao capital, busquei essa experiência da Rússia. A escola itinerante, se bem compreendida, é um projeto que se aproxima da escola socialista. Mas ela ia acontecendo numa permanente tensão com o Estado que a criou e que a legitimou.

Que quem criou a escola fomos nós do MST, mas quem legaliza no papel é o Estado. É uma relação de permanente pressão, tanto que aqui foram encerradas as atividades em 2008. Logo em seguida, Goiás encerrou as atividades e agora estou sabendo que só a escola itinerante do Paraná está funcionando. O Estado não admite uma escola diferente do projeto de escola capitalista que ele defende. Hoje, o Paraná tem dez escolas funcionando. Quatro são de séries iniciais e de Ensino Médio. O Paraná tem uma organização estadual muito bem constituída, conseguiram fazer frente ao debate com o Estado. Como o projeto de educação no campo avançou muito lá, o Estado não teve coragem de fechar as escolas. Aqui, a Yeda teve coragem de fechar porque encontrou uma certa fragilidade nos movimentos sociais.

Mas eu diria que o MST, de uma maneira geral, enfrentou a escola hegemônica, criando uma escola que o Estado jamais criaria. Se criasse, colocaria outra direção, não a direção da luta do movimento. A escola itinerante se constituiu como uma escola dentro da vida, não longe das pessoas, fechada em uma sala de aula. Era uma escola que estava nos barracos, nas marchas, nas ocupações, debaixo das árvores. O Estado tem muita dificuldade de admitir uma escola que coloca em sua essência a pedagogia, não as estruturas.

Sul21 – A escola tinha autonomia para abordar os conteúdos ligados à luta do movimento ou era obrigada pelo Estado a lecionar os conteúdos previstos pela Secretaria de Educação?

Isabela – A escola itinerante sempre teve certa autonomia, mas ela nunca foi total. No Rio Grande do Sul, a escola foi criada no governo do Britto, se desenvolveu no governo Olívio, e no governo Rigotto já começou uma certa perseguição e uma orientação para que as escolas do MST fossem iguais às outras. Com a Yeda, a tensão e a perseguição se acirraram, com visitas permanentes de pessoas da Secretaria de Educação às escolas, tentando obrigar os educadores a dar os conteúdos que as escolas da cidade forneciam. Nós não negávamos os conteúdos necessários às diferentes séries. Mas trabalhávamos de forma crítica, aproveitando a realidade e a transformando em conteúdo. É possível trabalhar Matemática, Português, História e Geografia com as questões da realidade. É uma questão de formação dos educadores.

Sul21 – Uma das coisas que motivou a criação das escolas itinerantes era o fato de que as crianças do movimento sofriam muita discriminação nas escolas tradicionais nas cidades.

Isabela – Assim que o MST começou a ser organizado, todas as famílias passavam pelo acampamento. E a vida no acampamento é dura. Uma vida onde nem sempre a própria higiene é permitida, porque não tem água – pelo menos naquela época isso acontecia. As crianças que saíam do acampamento para estudar contam relatos imensos de discriminação. Poderia ser uma simples escola do campo, porque as crianças iam de pé descalço, cheiravam a fumaça… Tem discriminação que vai muito além. Por serem sem-terra, não deixavam as crianças comer merenda, tomar água do mesmo bebedouro ou sentar na mesma mesa que as outras crianças. Do cheiro de fumaça, passaram a outras discriminações, que são discriminações de classe, que dizem: “Vocês são sem-terra, portanto são inferiores”. Teve crianças que sabiam se defender, mas teve crianças que chegavam em casa chorando e não queriam mais voltar à escola. Isso fortaleceu a ideia de que deveríamos ter escolas nos acampamentos, para as crianças acampadas e com educadores acampados.

Sul21 – Estes professores integravam o quadro funcional do Estado, eram concursados? Como se dava a contratação?

Isabela – Trabalhávamos por contrato individual. O MST apresentava o educador que havia formado e o Estado o contratava por dez meses, renovando a cada ano. Os professores recebiam, individualmente, um salário, mas não eram concursados. Hoje, no Paraná, existe gente concursada e gente que vem de fora e também um número de contratados que o MST indica.

Sul21 – Hoje, no Rio Grande do Sul, a base social do MST é formada basicamente por famílias assentadas. A senhora diria que as escolas dos assentamentos também possuem esse papel de contraponto à escola capitalista desempenhado pelas escolas itinerantes?

Isabela – Em termos de estrutura, a escola do assentamento e a escola itinerante são completamente diferentes. No assentamento já existe uma escola fixa construída, um quadro de professores e eluz elétrica. No acampamento, toda estrutura era provisória. Nunca se quis estruturas muito fixas no acampamento, porque elas precisavam ser construídas com condições de serem descontruídas e levadas a outro lugar, acompanhando a itinerância da luta pela terra. Era uma escola que se adaptava conforme o movimento da luta.

Quando se está num acampamento e ocorre uma desocupação – com uma invasão da polícia, muitas vezes, durante a madrugada –, não tem como a criançada ir normalmente para a escola no outro dia e continuar trabalhando os conteúdos, porque encontram uma escola quebrada, toda destruída. Havia e há ainda períodos em que a escola itinerante assume um formato de mais tranquilidade. Mas é impressionante, conversando com os educadores e as crianças para minha tese, vi que eles não gostam muito quando a escola está muito harmonizada, porque é uma escola da luta. É uma escola que não se fecha dentro de cercas e muros. É uma escola totalmente aberta para atualidade e a realidade. Estudei a escola do assentamento, acompanho a educação do campo durante 15 anos e acompanhei toda a trajetória da escola do MST e digo que a escola itinerante é muito diferente de qualquer modelo de escola que a gente conhece.

Sul21 – Mas, em termos de proposta pedagógica contra-hegemônica, a atuação é semelhante?

Isabela – A maioria das escolas em assentamentos tem sua gestão feita por pessoas formadas no MST, muitos foram meus educandos. Em algumas, a maioria do quadro são professores do MST. Acredito que a maioria das escolas tem uma boa intencionalidade pedagógica de fazer o contraponto. Conseguem fazer, em boa medida, uma mudança e alteração na forma escolar capitalista. Mas também vivem uma tensão entre uma exigência que o Estado faz para a escola se enquadrar nos moldes hegemônicos e a tensão entre querer mudar isso e transformar a escola. É uma briga permanente, porque o sistema capitalista tem a escola como uma instituição que o reproduz, que forma pessoas para sua continuidade e que estejam em conformação com ele. E o MST diz : “nós queremos uma escola pública estadual, que é um direito nosso e dever do Estado, mas queremos intervir na pedagogia”. E aí o Estado não reconhece que o MST tem uma caminhada de 30 anos e que já tem alguma coisa a dizer sobre educação.

Achávamos que agora, com o Tarso, seria retomado algum aprendizado da experiência de educação que o Olívio desenvolveu, mas infelizmente não vimos isso”

Sul21 – O fortalecimento das escolas do MST dependem, fundamentalmente, de o governo do Estado ser mais favorável ao movimento? Ou depende do poder de luta do MST? A senhora falou que no Paraná a escola está bem consolidada atualmente, mas hoje é um Estado governado pelo PSDB. Um governo de esquerda poderia, então, fortalecer essa proposta pedagógica?

Isabela – O Rio Grande do Sul se caracteriza pela gestão de cada governo. Acompanho desse o Britto, o Olívio, o Rigotto, a Yeda e agora o Tarso. Aqui, o povo troca a cada quatro anos de governo. No Paraná, o povo repetiu o Requião (PMDB) por oito anos. Então a escola itinerante no Paraná se consolidou no Requião. O MST tinha um diálogo muito profundo com ele, que respeitava o MST, pois foi quem garantiu sua eleição. O MST mais forte em todos os estados é do Paraná, mais bem constituído em termos de assentamentos, acampamentos, ocupações e produção. As escolas se consolidaram lá por causa do Requião. Quando o outro governo entrou, não teve coragem de questionar. Aqui, criamos as escolas com o Brito, consolidamos a experiência com o Olívio, mas foram apenas quatro anos. Depois veio o Rigotto e a Yeda. E nós achávamos que agora, com o Tarso, seria retomado algum aprendizado da experiência de educação que o Olívio desenvolveu, mas infelizmente não vimos isso. Cada governo troca toda a equipe dentro da Secretaria de Educação e tenta fazer aquilo que acredita que deve ser feito. Em nível nacional e especialmente aqui no Estado, a educação pública não tem um projeto definido. Deveríamos ter um projeto definido de educação e cada governo poderia, sim, adaptar este percurso a novas iniciativas. Mas aqui, pelo que vimos, cada governo não reconhece absolutamente nada do que o anterior fez, troca toda a equipe dentro da Secretaria de Educação e começa tudo de novo como se não houvesse um processo.

Sul21 – No Rio Grande do Sul a escola itinerante não teve uma consolidação tão forte como foi no Paraná?

Isabela – Não. Eu acho que tem escolas do MST aqui que asseguram o processo porque as equipes permanecem, as direções, o grupo de professores e o setor de educação continua fazendo formação. Em Veranópolis agora tem curso superior de História. O Estado tenta quebrar o processo, mas lá na escola, se tiver uma boa direção, um bom quadro de professores, eles conseguem assegurar o processo, mas em permanente tensão com a Secretaria de Educação.

Sul21 – De que maneira essa reforma do Ensino Médio proposta pelo atual governo impacta a realidade das escolas do campo e das escolas do MST?

Isabela – Não tenho acompanhado, até porque agora estou me dedicando ao estudo dos 30 anos do MST e da infância no movimento. Tenho visto alguns comentários. O que tenho ouvido é que tem muita tensão, porque essa reformulação do Ensino Médio vem muito mais de cima para baixo do que debaixo para cima. O Estado tem um projeto de ciclar as escolas do campo. O MST não pediu isso. Não entendemos que para mudar a escola precisamos ciclar. O governo do Estado está colocando algumas coisas goela abaixo para a educação do Ensino Médio, especialmente para as escolas do campo.

Sul21 – E até que ponto a conjuntura vivida a partir de 2008, com o fechamento das escolas itinerantes, contribuiu para o enfraquecimento desta proposta no Rio Grande do Sul?

Isabela – O MST em 2008 e 2009 já vinha sendo fragilizado. Ele fazia ocupações e o governo mandava a Brigada Militar. Começou uma perseguição tão forte do governo do Estado ao MST que não teve como segurar todas as famílias acampadas. Muitas eram recentemente chegadas, vindo das periferias urbanas, sem ter tido tempo de formação e de militância que as assegurasse lá dentro. Isso foi criando um temor muito grande em muitas famílias, que acabaram saindo dos acampamentos e voltando para as periferias das grandes cidades. O movimento começou a se fragilizar por conta disso. Cada ataque que o governo fazia, muitas famílias não aguentavam porque não tinham a mística e uma militância que os assegurasse naquela condição. A vida num acampamento é dura, é sofrida. O Estado pisou na questão mais importante que o movimento tinha, que era a escola. À medida em que o governo retira o direito à escola itinerante e, ao mesmo tempo, o conselho tutelar obrigava a criança a estar na escola, muitas famílias voltavam a suas comunidades de origem, a maioria nas periferias urbanas. Logo em seguida, na retomada do ano letivo de 2009, ao mesmo tempo em que a Brigada Militar ia nos acampamentos, o conselho tutelar estava lá para, junto com a BM, prender os pais que não mandavam as crianças de transporte escolar ou a pé por sete quilômetros até uma escola que a secretaria havia indicado. Então eles viveram uma tensão grande em que muitas famílias pegaram seus filhos e foram para a casa de um amigo, de um compadre, de um irmão.

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro

Fonte: SUL 21

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