Entrevista com a coordenadora da Rede de Judios Antisionistas

Publicado em: 24/10/2011 às 13:48
Entrevista com a coordenadora da Rede de Judios Antisionistas
Foto: Oscar Martínez

(Português/Español)

Por Oscar Martínez.

Faz algum tempo que começou a circular por internet uma “Carta aberta da Rede Internacional de Judeus Anti-sionistas” contra as matanças de Israel em Gaza, escrita pela organização judaica anti-sionista (br. antissionista) International Jewish Anti-Zionist Network (IJAN). Contactei com um membro desta organização, a coordenadora europeia do IJAN, Liliane Cordova Kaczerginski, e coloquei-lhe algumas perguntas sobre a posição da sua organização sobre o que está ocorrendo na Faixa de Gaza. As respostas são muito interessantes, porque ajudam a desmentir alguns dos dogmas que formam parte da ideologia sionista e que têm como objetivo justificar com falsos argumentos históricos a colonização da Palestina, verdadeiro origem dos crímes que está cometendo Israel em Gaza. Na Europa, praticamente desconhecemos a existência de judeus opostos à política racista do estado israelita (br. israelense) para com os palestinianos (palestinos).

1. Quem são e quais são os vossos objetivos como organização?

Somos um polo judaico anti-sionista dentro de um grande movimento internacional que desafia o racismo, o colonialismo, o imperialismo e o sionismo.

2. Vocês se apresentam como anti-sionistas, apesar de serem judeus. Seguramente que muitas pessoas não entendem isso, ou lhes parecerá uma contradição.

O sionismo usurpou a identidade judaica, a historia dos judeus e a sua representatividade. Ser judeu, ser sionista, não é uma equação. O sionismo é um movimento político surgido no meio das conquistas coloniais europeias do século XIX; não tem nada que ver com a religião judaica, nem com a sua história; note-se que foi um movimento bastante impopular entre as massas de judeus da Europa Oriental até a segunda guerra mundial.

3. Acreditas que é possível que algum dia exista um estado não sionista em Israel-Palestina?

Não podemos vê-lo numa bola de cristal. Seria o justo. De qualquer forma, um estado judaico sionista, baseado na supremacia dos judeus não tem futuro [curiosamente, um palestino, Usama Khaldy, disse-me o mesmo alguns dias atrás].

4. Que pensas quanto à ideia de criar dois estados separados: um palestiniano e outro judeu? Será a única solução possível?

Devemos deixar atrás essa página. Israel tem feito todo o possível para minar essa perspectiva, a qual os Palestinianos aceitaram (e muitos acreditaram nela, honestamente). Outras perspectivas são possíveis, como una integração regional do Médio Oriente tendo em conta a diversidade étnica, religiosa, linguística….

5. Que podes dizer acerca do aproveitamento por parte do estado e dos mídia israelenses do Holocausto, como forma de justificar la opressão sobre o povo palestino?

É a pior manipulação da história trágica dos nossos pais e avós e da história europeia em geral. É uma desprezível utilização desse genocídio realizado pelo regime nazista (pt – nazi) e seus colaboradores. O sionismo também utiliza premissas antissemitas, ao afirmar que os não-judeus sempre odiarão, despreciarão e nunca poderão aceitar os judeus como vizinhos com a mesma igualdade que deve ter qualquer cidadão de um estado.

6. Que tem que ver la Nakba com o que está sucedendo em Gaza? Qual a vossa opinião?

Parece-me um prolongamento do projeto colonial, a continuação da limpeza étnica, além de formar parte dos interesses geopolíticos do império e seus lacaios na região do Médio-Oriente.

7. Existe atualmente, em Israel, algum movimento de judeus a favor da paz com os palestinos? Que estão fazendo para acabar com a violência e lograr uma negociação a favor da paz?

Em Israel existem poucos judeus anti-sionistas ou não sionistas; uns 2 ou 3 mil, muito ativos, simbolicamente importantes, mas não no plano do balanço de forças. É Israel quem despreza qualquer interlocutor palestino, exepto se aceita o programa proposto por Israel, que são as teses do sionismo e a sua realização na Palestina.

8. Quem são os judeus “mizrahim” e que diferem dos “ashkenazes”? Na Europa, temos a ideia de que a comunidade judaica é um só bloco e que todos estão mais ou menos de acordo com o estado de Israel, Isso é certo?

Os mizrahim foram extraídos dos seus países [de Oriente e Norte de África], sem que se lhes dera muito espaço, nem para preguntas, nem para escutá-los. O poder sionista necessitava gente para construir um estado… Com o desprezo racial próprio dos europeus, o poder tomou as decisões que afetavan a toda essa massa de imigrantes sem os consultar: lugares de residência, hierarquia profissional, educação, desintegração cultural. Atualmente os ashkenazes [judeus de procedência europeia] ganham uns 40% mais de dinheiro que os mizrahim. A atual geração mizrahim, que se educou em Israel, pode ser tão antiárabe como a ashkenazi, apesar de terem um agudo sentimento de serem discriminados pelo poder nas mãos dos (judeus) europeus.

9. Que relações vocês mantêm com a comunidade palestina, dentro e fora das fronteiras do estado de Israel?

Bastante estreitas. Acompanhamos o apelo ao boicote, desinvestimentos e sanções [Campanha BDS] e o processo de Durban [refere-se à Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância celebrada em 2001, em Durban, África do Sul, em que se denunciou o racismo israelense para com os palestinos], o que nos aproxima a grupos como Badil, Abna Al Balad , PACBI e outros.

10. Conheces a Azmi Bishara e ao seu movimento político? Qual a vossa opinião dele?

Aqui darei a minha opinião pessoal, uma vez que não foi discutido por todos no IJAN. Penso que Bishara é um intelectual brilhante, que conhece profundamente o sionismo, a mentalidade israelense e a política europeia e árabe. [Azmi Bishara é um político palestino com nacionalidade israelense, deputado do parlamento de Israel, alvo de uma persecução estatal para destruir o seu movimento político a favor da criação de um estado não sionista].

11. Que papel consideram que têm os Estados Unidos e a União Europeia na manutenção da política israelense relativamente aos territórios ocupados e para com os palestinos em geral?

Na luta concreta, ou imaginada, contra o “terrorismo”, as potências ocidentais continuam a desempenhar o seu papel de representar a “civilização” contra a “barbárie” (como se viu como fazem no Guantánamo ou como fizeram com Pinochet, etc.). E as multinacionais estão muito contentes.

12. Veem alguma relação entre a islamofobia que existe na Europa e nos EUA o a questão da Palestina?

Absolutamente. Demonizar os árabes e os muçulmanos é um dos fundamentos da luta “antiterrorista”.

13. Qual é a vossa posição relativamente à resistência palestina violenta?

Não existe concordância relativamente a esse assunto na nossa rede. Temos militantes orientados para uma luta não-violenta e outros que defendem todo o gênero de resistência, incluídas as formas violentas.

14. Qual creem vocês que será a solução do “conflito” existente entre palestinos e judeus? Como se alcançará a paz? Como se derrubará um dia o Muro que divide -ou pretende dividir- comunidade da outra?

Não é um conflito. É uma conquista e uma ocupação colonial programada por um segmento da população judaica da Europa, com o impulso e apoio da Europa e dos Estados Unidos, para desarticular a integração de uma região árabe independente. A paz chegará quando esse empreendimento colonial racista se desintegre, nunca antes.

15. Que pensam que podemos fazer nós, aqui na Europa, para contribuir na luta contra o sionismo?

Denunciar as suas falácias, embustes e manipulações da opinião pública e exigir o isolamento de Israel, como aconteceu com a África do Sul do apartheid. Romper com qualquer laço econômico e político com Israel e fechar as suas embaixadas em Europa.

Tradução: sionismo.net

Fonte: http://tinyurl.com/3f7cvvc

Entrevista con la coordinadora de la Red de Judíos Antisionistas

Por Oscar Martínez.

Hace un tiempo circula en varios sitios web una “Carta abierta de la Red Internacional de Judíos Antisionistas” contra la matanza de Israel en Gaza, redactada por la organización judía antisionista International Jewish Anti-Zionist Network (IJAN). A partir de su lectura, entré en contacto con un miembro de esta organización, la coordinadora en Europa de IJAN, Liliane Cordova Kaczerginski, y le hice algunas preguntas acerca de la postura de su organización sobre lo que está ocurriendo en la franja de Gaza. Las respuestas son muy interesantes, porque ayudan a desmentir algunos de los dogmas que forman parte de la ideología sionista y que tienen como objetivo justificar con falsos argumentos históricos la colonización de Palestina, verdadero origen de los crímenes que está cometiendo ahora mismo Israel en Gaza. En Europa desconocemos casi todo sobre la existencia de judíos opuestos a la política racista del estado israelí hacia los palestinos.

1. ¿Quiénes sois y cuáles son vuestros objetivos como organización?

Somos un polo judío antisionista dentro de un gran movimiento internacional que desafía al racismo, al colonialismo, al imperialismo, y por ende, al sionismo.

2. Os presentáis como antisionistas, pero sois judíos. Seguro que hay muchas personas que no entienden esto, o incluso lo ven como una contradicción. ¿Qué decís al respecto?

El sionismo ha usurpado la identidad judía, la historia de los judíos, y su representatividad. Ser judío, ser sionista, no es para nada una ecuación. El sionismo es un movimiento político surgido en medio de las conquistas coloniales europeas del siglo XIX; no tiene nada que ver con la religion judía, ni con su historia; y más aún, fue un movimiento muy impopular entre las masas judías de Europa del este hasta la segunda guerra mundial.

3. ¿Creéis posible que exista algún día, en el futuro, un estado no sionista en Israel-Palestina?

No podemos verlo en una bola de cristal. Sería lo justo. De todos modos, un estado judío sionista, basado en la supremacía judía no tiene futuro [curiosamente, me dijo exactamente lo mismo hace unos días un palestino, Usama Khaldy].

4. ¿Qué pensáis, en cambio, acerca de la idea de crear dos estados separados: uno palestino y otro judío? ¿Lo véis como la única solución posible al conflicto?

Esa página hay que dejarla atrás. Israel ha hecho todo lo posible para socavar esta perspectiva, la cual los Palestinos aceptaron (y muchos creyeron en ella, honestamente). Otras perspectivas son posibles, como una integración regional del Oriente Medio tomando en cuenta la diversidad étnica, religiosa, linguística….

5. ¿Qué podéis decir acerca de la utilización que hace el estado y los medios de comunicación israelíes del Holocausto, como forma de justificar la opresión sobre el pueblo palestino?

Es la peor manipulación de la historia trágica de nuestros padres y abuelos y de la historia europea en general. Es una utilización abyecta de este genocidio perpetrado por el régimen nazi y sus colaboradores. El sionismo también utiliza premisas antisemitas, al decir que los no-judíos siempre odiarán, despreciarán y nunca podrán aceptar a los judíos como vecinos con la misma igualdad que debe tener todo ciudadano de un estado.

6. ¿Qué tiene que ver la Nakba con lo que está sucediendo ahora mismo en Gaza, por ejemplo? ¿Qué pensáis al respecto?

Siendo antisionistas, nos parece un prolongamiento del proyecto colonial, la continuación de la limpieza étnica, además de formar parte de los intereses geopóliticos del imperio y sus lacayos en la región de Oriente medio.

7. ¿Existe ahora mismo, dentro de Israel, un movimiento de judíos a favor de la paz con los palestinos? De ser así, ¿qué está haciendo para acabar con la violencia y lograr una negociación en favor de la paz?

Digamos que judíos dentro de Israel que sean antisionistas o a-sionistas, hay pocos: unos 2 o 3 mil; muy activos, importantes simbólicamente, pero no en el plano del balance de fuerzas. Es Israel quien desprecia a todo interlocutor palestino, a menos que acepte el programa israelí, su dictamen -o sea, en resumidas cuentas- que acepte las tesis del sionismo y su realización en Palestina.

8. ¿Quiénes son los judíos “mizrahim” y qué diferencia hay con los “ashkenazim”? En Europa, tenemos la sensación de que la comunidad judía es un solo bloque y que todo el mundo está más o menos de acuerdo con el estado israelí ¿Es eso cierto?

Los mizrahim fueron extraídos de sus países [de Oriente y Medio y Norte de África], sin que se les diera mucho espacio, ni para preguntas, ni para escucharlos. El poder sionista necesitaba gente para construir un estado… Con el desprecio racial propio de los europeos, el poder tomó las decisiones que afectaban a toda esa masa de inmigrantes sin consultarles: lugares de residencia, jerarquía profesional, educación, desintegración cultural, y así fue integrando a una parte de ellos, a través de la movilidad social en el ejército y en la política. Hasta el día de hoy, los ashkenazim [judíos de procedencia europea] ganan un 40% más de dinero que los mizrahim. La generación que se educó en Israel puede ser tan antiárabe como la ashkenazi, a pesar de que tienen un agudo sentimiento de ser discriminados por el poder en manos de los [judíos] europeos.

9. ¿Qué relaciones mantenéis con la comunidad palestina, tanto dentro como fuera de las fronteras del estado israelí?

Bastante estrechas. Acompañamos al llamado de boicot, desinverciones y sanciones [Campaña BDS] y al proceso de Durban [se refiere a la Conferencia Mundial contra el Racismo, la Discriminación Racial, la Xenofobia y las Formas Conexas de Intolerancia celebrada en 2001, en Durban, Sudáfrica, en la que se denunció el racismo israelí hacia los palestinos], lo cual nos acerca a grupos como Badil, Abna Al Balad , PACBI y otros.

10. ¿Conocéis a Azmi Bishara y a su movimiento político? ¿Qué pensáis de él?

Aquí daré mi opinión personal, ya que no fue discutido por todos en IJAN. Pienso que Bishara es un intelectual brillante que conoce profundamente el sionismo, la mentalidad israelí y la política europea y árabe [Azmi Bishara es un político palestino con nacionalidad israelí, diputado del parlamento israelí, que está siendo objeto de una persecución del estado israelí en estos momentos para destruir su movimiento político a favor de la creación de un estado no sionista].

11. ¿Qué papel consideráis que cumplen los Estados Unidos y la Unión Europea en el sostenimiento de la política israelí hacia los territorios ocupados y, en general, hacia los palestinos? ¿Es un papel positivo, o negativo? ¿Qué propuestas haríais al respecto?

En la lucha concreta, o imaginada, contra el “terrorismo”, las potencias occidentales siguen cumpliendo su rol de representar la “civilización” contra la “barbarie” (como se ha visto que hacen en Guantánamo, o como hicieron con Pinochet, etc.). Y las multinacionales tan contentas. Nuestras propuestas son para la sociedad civil de Occidente, que debe seguir luchando por su soberanía y por la de todos los pueblos.

12. ¿Veis algún nexo entre la islamofobia que hay en Europa y en EEUU y el caso de Palestina?

Absolutamente. Demonizar a árabes y a musulmanes es uno de los fundamentos de la lucha “antiterrorista”.

13. ¿Cuál es vuestra postura ante la resistencia palestina violenta?

No hay acuerdo sobre ello dentro de la red. Tenemos militantes orientados hacia la lucha no-violenta y otros que defienden todo tipo de resistencia, incluidas las formas violentas.

14. ¿Cuál creéis vosotros que es la solución al “conflicto” existente entre palestinos y judíos? ¿Cómo se alcanzará la paz? ¿Cómo se derribará un día el Muro que divide -o pretende dividir- a una comunidad y a otra?

Pero es que no es un conflicto. Es una conquista y una ocupación colonial programada por un segmento de la población judía de Europa, con el impulso y el apoyo de Europa y los Estados Unidos para desarticular la integración de una región árabe indepediente. La paz llegará cuando esta empresa colonial racista se desintegre, no antes.

15. ¿Qué creéis que podemos hacer nosotros, los que vivimos en España, para contribuir a luchar contra el sionismo?

Denunciar sus falacias, embustes y manipulaciones de la opinión pública y exigir el aislamiento de Israel como sucedió con la Sudáfrica del apartheid. Romper todo lazo económico, político con Israel y cerrar su embajada en España.

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