Ensaio: verdade da rua

Por Samuel da Costa.

Esses dias entrei em uma polêmica danada, com um colunista político conservador, ‘’tá’’ ligado meu, mas deixa isso pra lá, o assunto não é bem esse, ainda não esse, está verde e vou amadurecê-lo mais tarde. É que vendo o noticiário, fiquei bronqueado com a explosão de violência na minha cidade. Uns ítalo-brasileiros, ligados ao mundo da droga, decidiram vingar um dos seus, resultado? A cidade vive um clima de Chicago e Detroit dos anos 20 e 30. Fala sério! Até quando … Ver mais vamos ser passivos esse massacre diário? Ai fiquei pensando o que coloca uma arma na mão de um Zé Mané desses? Um Zé Mané que dispara contra o filho ou filha de alguém. Dinheiro fácil? Adrenalina? Não sei!

Ai… lembrei de uma cena, também na televisão, uma tiazinha já meio idosa chorando, seu neto saiu para brincar no campinho de ‘’football’’, mantido pelo poder público municipal, o moleque acabou atingido na cabeça pela trave, cheia de ferrugem, acabou morrendo de traumatismo craniano. O poder público abandonou esse ‘’aparelho’’ recreativo localizada, na dita zona periférica da cidade, ou como queiram, na favela. Digo isso não para justificar o massacre que bandidos promovem na minha cidade, massacre patrocinado pelo pó e pedras. E sim como o poder público atual vê a periferia, ou melhor, a favela. Que outra polêmica com outro conservador, que atualmente detêm um alto cargo público, disse nas redes sociais que abrir as escolas nos fins-de-semana é uma puta de uma roubada. Porque o povo esfomeado da periferia, ou melhor, da favela, vai só para comer e acaba quebrando tudo. Talvez isso explique o motivo dessa tal explosão de violência e abandono que as zonas periféricas, ou melhor, as favelas vêm ocorrendo na atualidade. E retomando o raciocínio do começo desse texto, a pequena escaramuça ‘’inútil’’ que travei essa semana, com esse tal colunista político conservador e de direita, sim ainda existe direita e esquerda desse mundo. O carinha também detêm um alto cargo no governo, com um alto salário e regalias, me passou um baita sabão, me deu de dedo e só faltou de chamar de excomungado. Segundo essa coisa mais querida, por eu ser afro-descendente, e com o agravante de ser morador de uma zona periférica, ou melhor, a favela, eu não me poderia possar em uma situação de vítima da sociedade. Eu deveria ir à luta, e não pensar que pelo fato de viver na pós-escravidão, deveria ir à luta e não cobrar favores do poder público. Que nós minorias de poder na atualidade estamos abusando das benesses do Estado. Em suma, se quero ter lazer, educação e cultura que fosse ao mercado liberal ou neoliberal e com o suor do meu trampo, conquistar essas coisas com o meu trabalho. E que não é papel do Estado ser mão de alguém. Pensei no alto salário que o poder público para essa figura conservador detentora de um cargo comissionado, não concursado. E como estar sobre as benesses do Estado, ou melhor, do poder público, dever muito, muito e muito bom. Pois prega uma coisa e fazer outra bem diferente no meu dicionário se chama de demagogia. Talvez o fato da cidade estiver, com suas zonas periféricas, ou melhor, as favelas, abandonadas com tanta gente assim no poder público pensando dessa forma e ganhado altos salário em cargos de confiança, não concursados. E que estamos em pleno período pré-eleitoral o poder público municipal está asfaltando as zonas periféricas, ou melhor, as favelas, com asfalto vagabundo e reformando algumas pracinhas. A verdade ‘’o maluco’’ é que a minha cidade é assim: fica meia dúzia em um tal de senadinho, uma lanchonete, ali no centro da cidade, aonde alguns donos da verdade ficam ditando a política da cidade, alguns deles detentores de cargos comissionados, não concursados. No tal do senadinho elegem e reelegem e condenam ao ostracismo os políticos da cidade, ao sabor de petiscos, bebidas alcoólicas, muita soberba e arrogância. Condenam e absolvem pessoas e instituições. Apontam erros e acertos, falhas e virtudes. Loucos? Vai saber o maluco, cada um na sua verdade, e cada qual com sua cruz. Se ‘’neguinho pira’’ eu não tenho culpa. Só que nesse ano, de eleição, lembro que o mote de um candidato para o cargo maior da cidade, era que a cidade iria voltar a sorrir. Daí volto a outro noticiário, um tal Centro de Internamento Provisório para menores infratores, da cidade está em ruínas. E enfrentou fugas diárias e atualmente está sendo reformado, vai ser reformado, vai virar um baita modelo de presídio para menores. Novidades? Nenhuma! Qual a solução dos velhos do senadinho? Digo velho em pensamento não em idade. Pelo menos é que dizem as bocas pequenas e irrequietas. Uma guarda municipal armada, a solução nego velho, é tirar dinheiro, que é pouco, da educação, saúde, moradia popular e afins, para fazer uma força repressiva, uma polícia municipal arma. Uma Gestapo, ou KGB dependendo da visão política de cada um, para por no coreto em ordem. Tenho pena da minha cidade e o rumo que ela está tomando. Quero sim voltar a sorrir, mas com espaços de lazer, cultura e esporte para não mais ver noticiários com quadrilhas se matando em trave enferrujada matando crianças inocentes.

Samuel da Costa é morador de uma zona periférica, ou melhor, a favela.

P. S. :Volta mais tarde com maiores ou melhores notícia da minha bela cidade.

 Foto: Tivoli Theater – 3520 lugares – Chicago anos 20.

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