Em Santa Catarina, Acampamento Marcelino Chiarello Resiste

Publicado em: 06/12/2017 às 08:15

Por Juliana Adriano.

As famílias reafirmam que seguem lutando por terra, por vida digna, não aceitam que uma terra pública sigam em mãos de quem não é dono, querem reconstruir suas vidas naquela área.

As famílias Sem Terra despejadas do Acampamento Marcelino Chiarello seguem resistindo. Organizadas solidariamente no ginásio de Faxinal dos Guedes/SC, mas também articulados para dialogar desde com prefeitura até com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Nacional. O MST organizou neste dia 1 ato em solidariedade as famílias.

A área ocupada pelas famílias é pública, do Incra. Na década de 1980, o Estado Brasileiro expulsou os agricultores que moravam ali e repassou as terras para o fazendeiro, mas para o título da terra ser dele era preciso pagar e ele nunca o fez. Por isso, as terras voltaram a ser propriedade do Incra. “Por este motivo as famílias ocuparam a área. Mesmo assim, a juíza mandou despejar as famílias Sem Terra, sem oficializar a ordem com antecedência e sem dar o direito de defesa judicialmente”, afirma Vilson Santin, da direção do MST.

No dia 30/11, o MST forjou a antecipação da audiência pública, que estava marcada para dia 6/12, com o presidente nacional do Incra. O MST reafirmou que, se o Incra, após a anulação dos títulos do fazendeiro sobre a área (maio de 2016), tivesse avançado no processo de retomada das terras que são públicas as famílias não teriam sido despejadas.

De acordo com Santin, o presidente do Incra disse não concordar com a ação de despejo realizada e que a área passa a ser prioridade para Reforma Agrária. “Também se comprometeu a enviar uma ordem de serviço para que o Incra de Santa Catarina realize a vistoria da área para avaliar o valor das benfeitorias realizadas pelo fazendeiro Prezzotto e retomar a área”, informou.

Nesta sexta-feira (01), pela manhã o MST foi recebido pelo prefeito Gilberto Lazari, o mesmo reafirmou que cumpriu as determinações judiciais de ceder as estruturas públicas, porém que tratando-se de um município pequeno os recursos são escassos e se comprometeu a enviar ofício ao Incra demandando providências, dado que a responsabilidade é do órgão.

Pela tarde as famílias acampadas e assentadas, apoiadores parlamentares, sindicalistas, militantes de movimentos sociais e entidades eclesiais se reúnem em ato no município de Faxinal. Seguiram em marcha pela cidade dialogando com a sociedade, fazendo uma parada em frente da Prefeitura para entregar ao prefeito alguns alimentos que conseguiram salvar durante o despejo e apresentar ao mesmo documentação que comprova o cancelamento do título da área que já esteve em nome do Fazendeiro Prezzotto.

Na praça municipal mais de 300 pessoas se reuniram. As falas envoltas em lágrimas e indignação reviveram a violência sofrida durante o despejo, as perdas de plantas e animais, o desespero dos pais presenciando os filhos vendo suas casas sendo destruídas pelos policiais. Contudo reafirmam que seguem lutando por terra, por vida digna, não aceitam que uma terra pública sigam em mãos de quem não é dono, querem reconstruir suas vidas naquela área.

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*Editado por Rafael Soriano

Fonte: MST.

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