Em Curitiba, violência policial no ato contra o ajuste fiscal

Publicado em: 21/06/2017 às 17:19
Servidor atingido por policiais durante protesto na terça-feira 20 (Foto: Chico Camargo / CMC)
Servidor atingido por policiais durante protesto na terça-feira 20 (Foto: Chico Camargo / CMC)
Por René Ruschel.
Servidores protestaram contra medidas do prefeito Rafael Greca que alteram o plano de carreira do funcionalismo

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), enfrenta sua primeira crise política em menos de seis meses de gestão. Na terça-feira 20, uma manifestação dos servidores municipais terminou com violência policial e invasão do prédio da Câmara dos Vereadores. Desde as primeiras horas da manhã de terça, 20, a sede do legislativo municipal esteve cercada por mais de mil policiais.

O protesto, que reuniu cerca de 4 mil servidores, segundo estimativa dos organizadores, era para impedir a sessão que votaria um pacote de medidas que altera o plano de carreira dos funcionários públicos, corta gratificações, impõe um teto de gastos e eleva a contribuição previdenciária, entre outras medidas. Greca previa ainda fazer uso de 600 milhões de reais a serem retirados do Instituto de Previdência de Curitiba para o pagamento de contas da prefeitura. Uma liminar da Justiça suspendeu a medida.

Foi a segunda tentativa dos vereadores em votar o projeto do Executivo. Na semana passada, os servidores já haviam impedido com a invasão do plenário da Casa. Ficou acordada uma nova rodada de negociação entre o sindicato dos servidores municipais e o prefeito Rafael Greca. Greca manteve-se, no entanto, irredutível e a votação estava prevista para a terça.

Durante todo o dia o clima foi de muita tensão. A Policia Militar fez uso do gás de pimenta e cassetetes para impedir a entrada de manifestantes no prédio. Um servidor da Guarda Municipal foi ferido na cabeça e encaminhado ao hospital. Dezenas mostravam marcas de pancadas de cassetetes. A PM prendeu outros cinco servidores que foram encaminhados ao 1º Distrito da Capital. Um grupo com cerca de 50 manifestantes conseguiu romper o cordão de isolamento e invadir o plenário da Casa. Com isso, a sessão foi suspensa.

Os servidores exigiam que o expediente fosse cancelado e não suspenso, pois havia o temor que a sessão pudesse ser transferida para o chamado “anexo 2” e concluída com a votação. Dos 38 vereadores, apenas 9 fazem oposição ao prefeito. Por volta das 15 horas, os vereadores da base governistas concordaram em adiar a votação para a próxima segunda-feira 26. Em entrevista à rádio CBN, Greca afirmou que “sem o ajuste fiscal não haverá como pagar o salário dos servidores”. O prefeito não se mostrou disposto a qualquer tipo de negociação.

Gustavo Fruet, ex-prefeito de Curitiba e derrotado por Greca nas últimas eleições, afirmou pelas redes sociais que é triste acompanhar mais um ato de uma gestão que, em apenas seis meses, vê sem qualquer credibilidade. “A conquista a qualquer custo, com promessas mentirosas, cobra seu preço’ escreveu Fruet.

Servidoras choram durante manifestação em frente à Câmara dos Vereadores da capital paranaense (Foto: Chico Camargo / CMC)
Servidoras choram durante manifestação em frente à Câmara dos Vereadores da capital paranaense (Foto: Chico Camargo / CMC)

Para a coordenadora-geral do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba, Irene Rodrigues, Greca trata as questões do município como se fosse imperador e não o prefeito eleito para gerir a cidade. “Não há diálogo, apenas a imposição de suas vontades”, afirmou.

Ainda segundo ela, o que os servidores discordam é do conteúdo dos projetos. “Ele não vai resolver a situação aumentando taxas ou tarifas e muito menos retirando dinheiro da previdência. O caminho é buscar o aumento das receitas por meio de cobranças aos grandes devedores e a revisão de contratos”.

Uma das medidas impostas pelo prefeito é o aumento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) para imóveis com valor entre 140 mil reais e 300 mil reais. “Uma casa ou apartamento nesses valores vai atingir os mais pobres. Se fosse a cobrança sobre grandes fortunas seria compreensível”.

Fonte: Carta Capital.

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