Eleições primárias inéditas acabam com perspectiva de luta fratricida na República Dominicana

Por Tali Feld Gleiser, para Desacato.info.

Atualização 7 de outubro, 7:36 hora local

Por primeira vez na sua história, aconteceram eleições primárias simultâneas na República Dominicana que também estiveram totalmente automatizadas. O método é um pouco diferente do que vimos nas PASO argentinas. O voto aqui não é obrigatório e só os dois partidos maiores, o PLD (Partido da Liberação Dominicana) do presidente Danilo Medina e o PRM (Partido Revolucionário Moderno), de oposição, apresentaram mais de um candidato para cada cargo. Com um padrão eleitoral de 7.422.216 pessoas, cada partido tinha direito de escolher seu método: o PRM, padrão fechado de militantes; o PLD, padrão aberto.

A sociedade dominicana disse não à segunda reeleição do atual presidente, quem anunciou na última hora que não seria candidato, e em pouco tempo os integrantes do governo e da corrente danilista do PLD instalaram midiaticamente o ex-ministro das Obras Públicas, Gonzalo Castillo. Você não podia se mexer que a sua figura aparecia nos cantos mais impensados, da internet especialmente. O PLD apresentou ao todo quatro candidatos e uma candidata à presidência. O único com possibilidades de ganhar do ex-ministro e empresário Castillo era Leonel Fernández, o ex-presidente por três mandatos (não consecutivos).

Os dois maiores partidos do país são, em tese, socialdemocratas, mas o Estado do bem-estar social passou bem longe da Hispaniola. Nas suas origens lutaram todos como PRD (Partido Revolucionário Dominicano) mais a esquerda dominicana contra a ditadura do Trujillo e mais tarde divididos como PRD e PLD, também junto com a esquerda, contra a ditadura de Joaquín Balaguer. Em 2014, o PRD se dividiu e foi criado o PRM (Partido Revolucionário Moderno) que levou embora a maioria da militância e dirigentes.

Até a presidência de Leonel Fernández, a relação com a Pátria Grande foi muito estreita. Durante os dois governos de Danilo Medina, seguiu-se a linha de Washington em relação à América Latina, mas tiveram a ousadia de contrariar os Estados Unidos e estabelecer relações diplomáticas com a China.

O partido preferido da “embaixada” é o PRM que, quando esteve no seu último governo com Hipólito Mejía, se destacou por votar contra Cuba, contrariando os anseios do povo dominicano, em geral pró-cubano. Hipólito também foi candidato nessas primárias contra o empresário Luis Abinader e mais quatro candidatos, mas faz muito tempo que Abinader ganha do antigo mandatário em qualquer votação. As primárias já estavam definidas a favor dele.

A votação começou às oito da manhã e fechou às quatro da tarde. As filas continuavam e mesmo assim a Junta Central Eleitoral (JCE) começou a dar os resultados oficiais. O final da apuração entre os dois candidatos foi emocionante, a diferença variou de 1,2% até 0,08% a favor de Fernández, mas no último 8% Castillo virou. No fechamento dessa matéria, a transmissão dos dados estava interrompida.

As próximas semanas prometem uma luta fratricida na JCE pela apuração manual dos votos para ver quem será o candidato que se enfrentará a Luis Abinader em maio do ano que vem.

À 1:44 da manhã finalizou a apuração. O candidato do governo, Gonzalo Castillo, está na frente do seu companheiro e presidente do partido Leonel Fernández. A Junta Central Eleitoral não proclamou nenhum vencedor porque terá apuração manual para definir o resultado final. Em coletiva de imprensa, Fernández denunciou manipulação do algoritmo quando ele ia vencendo e não reconhece os resultados. Disse que iniciaria a partir de hoje “a defesa da vontade popular”.

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