Eleições 2018: Quem são os candidatos que ainda estão na disputa pelos governos de seus estados?

Neste domingo, a maioria dos eleitores brasileiros terá de votar não apenas para eleger um novo presidente, mas também escolher seu governador.

Foto: Divulgação

A eleição para o cargo não foi definida no primeiro turno em 13 Estados e no Distrito Federal – entre eles, os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – e, agora, os dois candidatos com o melhor desempenho em 7 de outubro seguem na disputa.

Ao todo, 92,4 milhões de eleitores, ou 62,75% do total, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidirão nas urnas o 2º turno dos governos estaduais.

Saiba a seguir onde isso ocorrerá e quem são os candidatos.

Amapá

O atual governador, Waldez Góes (PDT), tenta se reeleger na disputa contra o ex-governador João Capiberibe (PSB). Góes chegou à frente no primeiro turno com 33,55% dos votos válidos. Capiberibe teve 30,10%.

Os votos recebidos por Capiberibe chegaram a ser considerados nulos no dia da eleição após o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) indeferir os registros de todos os candidatos do PT no Estado por falta de prestação de contas de seu diretório regional em 2015.

O PT fez uma coligação no Estado com o PSB de Capiberibe e havia indicado Marcos Roberto para vice na chapa. Após um recurso, o TSE validou a candidatura de Capiberibe, por entender que ele não havia cometido irregularidades, e condicionou sua participação no segundo turno à troca do vice – posto agora ocupado por Andreia Tolentino (PSB).

Góes, de 57 anos, foi deputado estadual pelo Amapá entre 1995 e 1999. Em 1996, concorreu à Prefeitura de Macapá, mas foi derrotado por Annibal Barcellos (PFL, sigla que deu lugar ao DEM). Tornou-se governador em 2002 e conseguiu um segundo mandato na eleição seguinte. Ele deixou o cargo em 2010 para concorrer a uma vaga ao Senado, mas não se elegeu.

Capiberibe, de 71 anos, foi prefeito de Macapá (1989-1992) e governador do Estado por dois mandatos seguidos (1995-2002). Renunciou ao cargo para concorrer ao Senado e se elegeu, mas teve o mandato cassado dois anos depois por compra de votos. Voltou ao Senado em 2011, cargo que ocupa até hoje.

Esta não é a primeira vez que os dois se enfrentam em uma eleição para o governo do Estado. Em 1998, Capiberibe, então governador, se reelegeu. Em 2006, foi a vez de Góes se reeleger.

Amazonas

Wilson Lima (PSC) e o atual governador Amazonino Mendes (PDT) disputam o segundo turno no Estado. O resultado do primeiro turno foi bastante apertado: Lima teve 33,73% dos votos válidos, e Mendes, 32,74%.

Lima, de 42 anos, é jornalista. Era apresentador da TV A Crítica, afiliada da Record, onde comandava o programa Alô Amazonas. Filiou-se ao PSC em março deste ano ano, após se desfiliar do PR em 2017, e concorre ao cargo de governador pela primeira vez. Nunca teve um mandato político.

Mendes, de 78 anos, tenta sua reeleição. Ele governa o Estado desde o ano passado, quando foi realizada uma eleição suplementar por conta da cassação do governador eleito em 2014, José Melo (PROS), e do seu vice, Henrique Oliveira (SD), por compra de votos.

Já foi senador pelo Amazonas (1991-1992), três vezes prefeito de Manaus (1983-1986, 1993-1994 e 2009-2012), e eleito governador do Estado três vezes (1987-1990, 1995-1998 e 1999-2002) antes do atual mandato.

Distrito Federal

O segundo turno é travado entre Ibaneis Rocha (MDB) e o atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Rocha terminou o primeiro turno com uma ampla vantagem sobre seu adversário ao obter 41,97% dos votos válidos, enquanto Rollemberg teve 13,94%.

Ibaneis, de 47 anos, é advogado e foi, entre 2013 e 2015, presidente da OAB-DF, onde atualmente é diretor do conselho federal e corregedor-geral da entidade. Filiou-se ao MDB no ano passado e concorre pela primeira vez a um cargo público.

Rollemberg, de 59 anos, é formado em História e foi deputado distrital por duas legislaturas (1995-1996 e 1999-2002), deputado federal (2007-2010) e senador (2011-2014). Em 2002, disputou o governo do Distrito Federal e ficou em quarto. Elegeu-se governador em 2014 no segundo turno, com 55,56% dos votos válidos.

Mato Grosso do Sul

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) tenta sua reeleição contra Odilon de Oliveira (PDT). Azambuja terminou o primeiro turno à frente, com 44,61% dos votos válidos, enquanto Oliveira teve 31,62%.

Azambuja, de 55 anos, é agropecuarista. Foi prefeito de Maracaju por dois mandatos seguidos (1997-2004). Em 2006, foi eleito deputado estadual e, em 2010, deputado federal. Elegeu-se governador no segundo turno em 2014, com 55,34% dos votos – foi a primeira vez que o PSDB assumiu o governo do Estado.

Oliveira, de 69 anos, é juiz federal aposentado e atuou na área criminal entre 1987 e 2017, ganhando fama por ter condenado integrantes do crime organizado e do narcotráfico, entre eles Fernandinho Beira-Mar. Filiou-se ao PDT no ano passado para disputar sua primeira eleição.

Minas Gerais

A disputa para governador do segundo maior colégio eleitoral do país será decidida entre Romeu Zema (Novo) e Antonio Anastasia (PSDB). Zema avançou em primeiro, com 42,73% dos votos válidos, enquanto Anastasia teve 29,06%.

Zema, de 53 anos, é empresário, dono do Grupo Zema, que atua no varejo, distribuição de combustíveis, concessionárias, locadoras de veículos e no setor de autopeças. Ele foi o único candidato a governador do Novo a ter êxito nas urnas. Zema afastou-se das atividades de sua companhia para disputar sua primeira eleição.

Anastasia, de 57 anos, é formado em Direito e fez carreira na administração pública. Foi eleito vice-governador de Minas Gerais na chapa com Aécio Neves (PSDB) em 2006 e tornou-se governador em 2010, quando o tucano renunciou para concorrer ao Senado. Foi reeleito e ficou no cargo até abril de 2014, quando se candidatou – com sucesso – ao Senado.

Pará

Helder Barbalho (MDB) e Marcio Miranda (DEM) disputam o segundo turno no Estado. Barbalho chegou perto de se eleger no primeiro turno, com 47,69% dos votos válidos, enquanto Miranda teve 30,21%.

Barbalho, de 39 anos, é filho do senador Jader Barbalho. Formado em Administração, foi vereador em Ananindeua (2001-2002) e deputado estadual (2003-2004). Em 2005, tornou-se prefeito de Ananindeua aos 25 anos e foi reeleito. Foi ministro da Pesca e Aquicultura, ministro-chefe da Secretaria de Nacional dos Portos e ministro da Integração Nacional. É a segunda vez que disputa o governo do Estado – em 2014, foi derrotado no segundo turno pelo atual governador, Simão Jatene (PSDB).

Miranda, de 61 anos, é médico e deputado estadual desde 2003, cargo que ocupa há quatro mandatos consecutivos – em 2012, ficou em segundo lugar na eleição para a Prefeitura de Castanhal, derrotado por Paulo Titan (MDB). É atualmente presidente da Assembleia Legislativa do Pará e tem o apoio de Jatene.

Rio de Janeiro

Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM) disputam o segundo turno no terceiro maior colégio eleitoral do país. Witzel ficou em primeiro em 7 de outubro, com 41,28% dos votos válidos. Paes teve a segunda maior votação, com 19,56%.

Witzel, de 50 anos, nunca teve um mandato político. É fuzileiro naval reformado e foi juiz federal nas áreas criminal e civil por 17 anos, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Ele deixou a magistratura em março deste ano e se filiou ao PSC. Esta é a primeira eleição da qual participa.

Paes, de 49 anos, é formado em Direito e começou cedo na política. Foi eleito vereador do Rio de Janeiro aos 27 anos e ficou cargo por só um ano. Foi eleito deputado federal por dois mandatos seguidos (1999-2006) e prefeito do Rio em 2008. Reelegeu-se no primeiro turno quatro anos depois, com 64,60% dos votos.

Neste ano, migrou do MDB, do atual governador, Luiz Fernando Pezão, e do ex-governador Sérgio Cabral, hoje preso por crimes de corrupção, para o DEM para disputar pela segunda vez o cargo de governador – na primeira, em 2006, teve pouco mais de 5% dos votos.

Rio Grande do Norte

A senadora Fátima Bezerra (PT) avançou para o segundo turno em primeiro lugar, com 46,17% dos votos válidos, e terá como adversário Carlos Eduardo Alves (PDT), que obteve 32,45%.

Bezerra, pedagoga de 63 anos, é a única petista e a única mulher ainda na disputa por um governo estadual. Filiada ao partido desde 1981, foi deputada estadual por dois mandatos seguidos (1995-1998 e 1999-2002).

Tornou-se deputada federal em 2003 e se reelegeu por duas vezes, até assumir como senadora em 2015. Por quatro vezes, disputou a Prefeitura de Natal, sem vencer.

Alves, de 59 anos, é formado em Direito. Elegeu-se deputado estadual em 1986 e permaneceu no cargo por quatro legislaturas. Em 2000, tornou-se vice-prefeito de Natal e assumiu a Prefeitura dois anos depois quando Wilma Faria (então filiada ao PSB, hoje no PTdoB) renunciou para disputar – e vencer – a eleição para governador.

Reelegeu-se em 2004. Voltou à Prefeitura em 2013 e permaneceu por dois mandatos, até abril deste ano, quando renunciou para disputar o governo. Esta é segunda vez que se candidata ao cargo – a primeira foi em 2010, quando ficou em terceiro lugar, com 10,37% dos votos.

Rio Grande do Sul

Os resultados de 7 de outubro levaram Eduardo Leite (PSDB) e o atual governador, José Ivo Sartori (MDB), para o segundo turno. Leite avançou em primeiro, com 35,90% dos votos válidos, mas uma pequena margem em relação ao seu adversário – Sartori recebeu 31,11%.

Formado em Direito, Leite, de 33 anos, é o mais jovem candidato a governador no segundo turno. Disputou sua primeira eleição aos 19 anos, quando se candidatou a vereador em Pelotas, e não se elegeu. Conquistaria o cargo na eleição seguinte. Em 2010, não se elegeu deputado federal.

Dois anos depois, venceu a disputa para a Prefeitura de Pelotas e exerceu seu mandato até 2016. Não tentou a reeleição, apoiando sua vice, Paula Mascarenhas, hoje prefeita da cidade. Leite é desde o ano passado presidente estadual do seu partido.

Sartori, de 70 anos, formou-se em Filosofia e foi professor antes de começar sua carreira política em 1977 como vereador em Caxias do Sul, já pelo MDB. Em 1983, tornou-se deputado estadual e se reelegeu quatro vezes consecutivas. Depois, tornou-se deputado federal (2003-2004).

Em 2005, após duas tentativas de ser prefeito de Caxias do Sul, em 1992 e 2000, conseguiu se eleger – e foi reeleito em 2008. Tornou-se governador em 2014 ao derrotar Tarso Genro (PT), então ocupante do cargo, no segundo turno com 61,21% dos votos válidos.

Rondônia

Expedito Junior (PSDB) recebeu 31,59% dos votos válidos no primeiro turno e disputará o segundo com Coronel Marcos Rocha (PSL), que teve 23,99%.

Junior, de 55 anos, é professor e começou na política ainda jovem, quando se elegeu vereador de Rolim de Moura (1984-1986) aos 21 anos. Foi deputado federal por três vezes (1987, 1995-1998 e 1999-2003). Em 2002, disputou uma vaga ao Senado, mas não se elegeu.

Em 2006, tornou-se senador pelo PPS, mas migrou para o PR logo em seguida. Teve seu mandato cassado pelo Supremo Tribunal Federal em 2009 por compra de votos e abuso de poder econômico. No mesmo ano, refiliou-se ao PSDB. Em 2014, disputou o cargo de governador e foi derrotado pelo então governador Confúcio Moura (MDB). Há sete anos, é presidente estadual do PSDB em Rondônia.

Rocha, de 50 anos, é formado em Administração e policial militar reformado. É o atual presidente estadual do PSL. Dirigiu uma escola militar na capital, Porto Velho, e foi secretário municipal de educação da cidade. Assumiu como secretário estadual de Justiça em 2014 e deixou o cargo para disputar sua primeira eleição.

Roraima

O segundo turno no Estado, que é o menor colégio eleitoral do país, está sendo travado entre Antonio Denarium (PSL) e José de Anchieta (PSDB). Denarium chegou em primeiro lugar no primeiro turno com 42,27% dos votos válidos, enquanto Anchieta obteve 38,78%.

Denarium, de 54 anos, é empresário, atuando principalmente no setor agropecuário. Nunca ocupou cargos públicos. Filiou-se ao PSL neste ano para disputar sua primeira eleição e assumiu a presidência estadual da legenda pouco depois.

Anchieta, de 53 anos, é engenheiro. Foi eleito vice-governador do Estado em 2006 e assumiu no ano seguinte quando o governador Ottomar Pinto morreu. Reelegeu-se em 2010 e chegou a ter seu mandato cassado pelo TRE-RR no ano seguinte sob a acusação de ter usado uma rádio do governo para fazer campanha, mas reverteu a decisão no TSE, que concluiu que o então governador não foi responsável pelo que foi veiculado.

Ainda em 2011, seu mandato foi cassado uma segunda vez pelo TRE-RR por gastos irregulares com despesas pessoais e pagamento de colaboradores de sua campanha, mas obteve uma liminar do TSE para permanecer no cargo.

Renunciou ao governo estudual em 2014 para disputar uma vaga ao Senado, sem sucesso – seu sucessor, Chico Rodrigues (PSB), teve o mandato cassado pelo TRE-RR no mesmo ano, por arrecadação e gastos ilícitos na campanha. Anchieta foi excluído do processo por já ter renunciado ao cargo à época do julgamento.

Santa Catarina

Gelson Merisio (PSD) e Carlos Moisés da Silva (PSL) disputam o segundo turno. Merisio avançou em primeiro lugar, com 31,12% dos votos válidos, enquanto Silva teve 29,72%.

Merisio, de 52 anos, é administrador de empresas. Aos 22, foi eleito vereador de Xanxerê. Tornou-se deputado estadual em 2006. Foi reeleito para as duas legislaturas seguintes – em ambas as ocasiões, como o mais votado. É o atual presidente estadual do PSD em Santa Catarina.

Mais conhecido como Comandante Moisés, o candidato do PSL tem 51 anos e fez carreira como bombeiro militar – hoje, é coronel da reserva. Filiou-se ao PSL neste ano e disputa sua primeira eleição.

São Paulo

Esta será a primeira vez em 16 anos que haverá segundo turno para governador no maior colégio eleitoral do país, que tem 33 milhões de eleitores. O último foi em 2002, entre Geraldo Alckmin (PSDB) e José Genoíno (PT), com a vitória de Alckmin.

João Doria (PSDB) teve 31,77% dos votos válidos no primeiro turno e disputa com o atual governador Márcio França (PSB), que obteve 21,53%.

Doria, de 60 anos, era prefeito de São Paulo até abril deste ano, quando deixou o cargo após 15 meses de mandato para concorrer pela primeira vez ao Executivo paulista. A eleição na capital foi a primeira da sua carreira – ele havia atuado só como empresário e jornalista até então, e se licenciou do Grupo Doria para entrar na política.

França, de 55 anos, foi eleito vice-governador em 2014 e assumiu o governo quando Geraldo Alckmin (PSDB) se afastou para disputar a Presidência. Ele fez sua carreira política em São Vicente, no litoral do Estado, onde se elegeu vereador (1989-1996) e prefeito (1997-2004), em ambos por dois mandatos seguidos. Também já foi deputado federal (2007-2010).

Sergipe

O atual governador, Belivaldo Chagas (PSD), e Antônio Carlos Valadares Filho (PSB) disputam o segundo turno no Estado. No primeiro, Chagas ficou à frente, com 40,84% dos votos válidos. Filho teve 21,49%.

Chagas, de 58 anos, é defensor público aposentado. Foi deputado estadual por quatro legislaturas consecutivas (1990-2006). Foi eleito vice-governador em 2006, na chapa com Marcelo Déda (PT), e em 2014, na chapa de Jackson Barreto (MDB). Assumiu o governo em abril deste ano quando Barreto renunciou para se candidatar ao Senado – ele ficou em quarto e não se elegeu.

Filho, de 38 anos, é formado em administração e presidente estadual do PSB. Elegeu-se deputado federal em 2006 e exerce o cargo há três mandatos consecutivos. Disputou a Prefeitura de Aracaju em 2012 – quando foi derrotado por João Alves Filho (DEM) no primeiro turno – e em 2016 – perdeu no segundo turno para Edvaldo Nogueira (PCdoB).

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.