Editorial

Florianópolis, 8 de março de 2015.

O poder da rede Globo frente aos setores político e judiciário do Brasil é indiscutível. Apesar da perda de credibilidade da empresa, que contribuiu decisivamente com a ditadura, ela segue sendo objeto de desejo e obediência das classes governante e judiciária da Nação. O ‘listão’ da Operação Lava Jato foi lançado na última sexta-feira, pela assessoria do ministro do STF, Teori Zavascki, 5 minutos antes do Jornal Nacional. É impossível acreditar em coincidência. Políticos e juízes tornaram-se através do variável tratamento que a grande mídia lhes outorga, tanto figuras glamourosas da calçada da fama, como cúmplices e, quando quadra, vítimas da sua genuflexa atitude.

O atual governo foi cúmplice amedrontado da Globo e seus comparsas em todos estes anos. Não é só no momento de decisão eleitoral que a Presidenta Dilma devia reagir contra a Veja, por lembrar um fato. Só o falecido Leonel Brizola e os Movimentos Sociais foram constantes na denuncia da imundice rotineira da grande imprensa brasileira e seus interesses particulares e forasteiros.

A pauta única e deformante dessa mídia esconde diariamente os problemas do Brasil profundo e real. O atual governo é beneficiário e vítima, como praticamente todo o espetro político, desse partido muito orgânico que é a grande mídia. A alimenta com despudoradas cifras de dinheiro que bem poderiam ter melhor utilidade num dos países mais desiguais do Mundo. Aumenta irresponsavelmente, através de campanhas das principais empresas estatais, o poder do inimigo das classes populares.

O sistema político brasileiro agoniza na vala da crise estrutural de um capitalismo que, no Brasil, se sustenta através do dinheiro dos trabalhadores jorrado na máquina imoral da mídia monopólica e contra o interesse e necessidades prementes da massa excluída. No século XXI um sistema perverso não cai se a comunicação não é honesta, livre, pública e democrática.

E o STF teve mais um momento de fama na Globo.

 

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